O amor é outra coisa #4 COMO O FACEBOOK PODE ESTRAGAR UMA RELAÇÃO

3 de dezembro de 2014


Há uns tempos li uma notícia no Daily Mail que dizia que enquanto o Facebook pode ser fantástico para a nossa vida social, o mesmo não se aplica às relações - desde a traição emocional e física, às perseguições online, às reconciliações com ex-namorados com quem, de outra forma, provavelmente não voltaríamos a falar e até ao próprio divórcio, a ciência tem agora a certeza que o Facebook induz em nós comportamentos susceptíveis de estragar as relações.

E sim, eu sei. Nenhuma de nós tem a intenção de mexericar o perfil daquela pessoa nova que conhecemos, ou mesmo do nosso namorado. Mas a verdade é que isso acontece. Inconscientemente. E quando uma tipa qualquer tem direito a um comentário enquanto o nosso perfil só recebe likes, damos por nós completamente obcecadas em criar histórias que até podem não significar nada. E se hoje ele não colocou um like em nada nosso mas "gostou" de outras pessoas? O que é que isso significa?

O Facebook pode criar ansiedade relativamente às relações. E porque é que torna adultos normalmente sãos em adolescentes de 15 anos com uma propensão para serem detectives privados, não sei. O que sei é que a disponibilidade de informação escarrapachada nos nossos computadores deixa a nossa mente livre para tirar as conclusões que daí quiser.

A minha amiga Sílvia conheceu um tipo no outro dia numa festa. Falaram e passaram a noite juntos e, quando no dia seguinte ela nos telefonou, o que ouvimos foi um "conheci um tipo tãããããããão giro!" Cinco minutos depois já tínhamos descoberto o Facebook dele. E se, antes, ela estava fascinada q.b pelo tipo que tinha conhecido, depois de ver a sua personalidade virtual, todo o interesse morreu. Desde os 1800 amigos, às fotos ao espelho, em tronco nu, a fazer poses com os amigos, com miúdas na noite... Um turn-off virtual.

Se formos a pensar na regra (old school fofinha) do esperar 3 dias para ligar a alguém, com o Facebook podemos supor que esperamos algo como menos de 3 horas. Esta habilidade de estarmos constantemente conectados significa que estes começos frágeis das relações são acelerados e isso tem o seu lado mau: conhecemos a outra pessoa mais rapidamente. E eventualmente, também decidimos que ela não é para nós mais rapidamente. Este é o grande "gap" do Facebook - as relações já não são graduais e temos acesso a tanta informação sobre a outra pessoa de forma tão impessoal, que não só criamos um problema de intimidade falsa como tiramos conclusões (eventualmente) erradas e que distorcem os nossos sentimentos.

Se enquanto lê isto, está a pensar que nunca esteve nesta situação, então é uma pessoa muito mais forte que a maioria de nós completamente mentirosa! Na época pré-Facebook, a minha amiga Sílvia eventualmente iria tentar descobrir mais alguma coisa sobre o tipo da noite anterior e, ao mesmo tempo, não parecer uma louca obcecada. 

Mas, então, o Facebook foi inventado e, com ele, os perfis de Facebook altamente estúpidos e destruidores de qualquer interesse.

E nós, as loucas, passámos a ter o nosso trabalho facilitado.

6 comentários

  1. O que me ri a ler isto. É que é tão verdade. Também me considero uma dessas "loucas" que agora tem o trabalho facilitado porque basta ver o perfil de alguém para realmente nos apercebermos que nos deixámos iludir por uma pessoa que na verdade não correspondia auqilo que imaginávamos.

    Ainda bem que não sou a única a pensar nisto ehehehe.

    Bjs
    Marta

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  2. Eu acho bom esse acesso facilitado, evita grandes desilusões :)

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  3. Vocês sabem que o mesmo acontece aos homens, certo?

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    1. Ahahah nós sabemos, claro! Mas apenas acho que é mais drástico com os homens :)

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  4. Ahahaha adorei o post Helena. E o pior que tudo é que, nos rimos, mas é a pura verdade!

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  5. Helena o teu blog é simplesmente fantástico , especialmente este tipo de posts.
    Concordo com o que escreveste, mas ao mesmo tempo considero que inevitávelmente tendo rede social é mesmo isso que acontece.
    Conhecemos uma pessoa nova (seja para amizade,seja para algo mais) e se essa pessoa tiver FB é obvio que iremos dar uma espreitadela até porque (eu falo por mim)cada vez o tempo é mais escasso e quando dou parte do meu tempo opto por fazê-lo com que me faça sentir bem e com quem tenha coisas em comum. Ora se eu conheço uma pessoa e ela via FB apercebo-me que gosta de musica pimba, discotecas que simplesmente não frequento,coloca posts xenófobos no FB, etc.etc.etc. irei saír com essa pessoa novamente? Claro..se n tivesse acedido ao FB eu só saberia isso a médio prazo, mas lá está depois há aquela sensação de "epah..que tempo perdido". Concluindo o segredo é equilíbri , claro. Não ligar tanto ao Fb , mas utilizá-lo de forma estruturada e como uma ferramenta sem ser de forma obsessiva.
    Inês

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