O amor é outra coisa #9 O que aprendi com uma mão cheia de relações falhadas

7 de julho de 2015


Durante os últimos 10 anos, estive sempre com alguém. Tive casos e paixões e longas relações. Estive com um homem que me traiu com a ex-namorada e estive com um homem que traiu a namorada comigo. Estive com homens com os quais sabia que jamais iria ter uma relação séria mas que, na altura, me faziam bem. Mas também estive com homens que não quiseram ter uma relação séria comigo e, óbvio, não me fizeram bem. E, quando parei para olhar para os últimos 10 anos da minha vida, percebi que nunca estive sozinha. Literalmente sozinha.

Não sei precisar quando me deu o click ou se alguém o despoletou, mas depois de uma longa relação confusa e doentia com um tipo que me bloqueou, apagou de todas as suas redes sociais e removeu a minha, e a nossa, existência da sua vida, percebi que estava farta. Não estava farta de homens. Estava farta de relações com homens que não valiam a pena. E decidi que queria ficar sozinha.

O que é que me aconteceu durante esses 10 anos? O que é que eu ganhei e aprendi com essas relações? Mudaram a minha vida? Valeram a pena? - Se algumas destas questões alguma vez vos passaram pela cabeça, não comecem a hiperventilar, acontece a todas. Já entrei em pânico algumas vezes. Já me questionei se não teria desperdiçado o homem da minha vida. E, pior, já tentei reconciliar-me com homens do passado - tentando acreditar que tinha sido precipitada. E, não, não tinha sido precipitada. Não tinha funcionado no passado e, voilá, não havia razões para funcionar no presente.

Ninguém entra na nossa vida por acaso - é cliché, eu sei, mas acredito e vivo sob este mantra. Todas as relações falhadas dos últimos 10 anos ensinaram-me a ser a mulher que sou hoje. Se não tivesse passado por elas, eventualmente não teria capacidade para, hoje, olhar para trás e apreciar o que cada uma me deu. Aprendi a valorizar-me, a relativizar os dramas, a não aceitar migalhas de atenção de ninguém, a respeitar o espaço da outra pessoa, a não exigir que alguém seja da forma como quero, a comunicar melhor e, acima de tudo, aprendi a perceber aquilo que quero e não quero. E a apreciar a minha própria companhia.

Querer estar sozinha não significa que estou traumatizada. Muito pelo contrário - o meu coração já foi partido, espezinhado e quebrado mas eu sei que vai amar outra vez. Com sorte, a próxima pessoa vai tratá-lo com amor e respeito. Estarmos abertas ao amor não significa apenas focarmo-nos em atrairmos uma nova relação. Significa estarmos abertas à vida.

Durante os últimos 10 anos, perdi amores, amizades e a minha saúde. Algures no passado, cheguei a acreditar que tinha perdido tudo (e-nada-mais-fazia-sentido-oh-meu-deus-o-drama!) e passei horas em prantos intermináveis na minha cama, com a cabeça debaixo da almofada. Neste ano que decidi ficar sozinha, e que não tinha a minha cabeça focada em relações e em tentar, com todas as forças, encontrá-las ou mantê-las, percebi que comecei a fazer todas as coisas que, no passado, não tinha feito - mudar de emprego, viajar, começar a escrever um livro, sair mais, abrir-me aos outros e a ser basicamente a pessoa que quero ser. Nunca me senti tão livre como me sinto agora em que faço exactamente aquilo que quero sem a necessidade constante de tentar agradar alguém.

O conselho que tenho para vocês hoje é a não esperarem até terem perdido tudo para perceberem realmente aquilo que vos faz falta. Com ou sem relações, estarem abertas ao amor é estarem abertas à vida e a tudo aquilo que ela vos pode proporcionar. Não ponham os vossos sonhos em segundo plano. Não dediquem a vossa vida a ninguém que não vocês próprias. Não amem ninguém mais do que vocês. E, para reforçar o que estou sempre a dizer, não esperem por algo de fora (aka um homem) para vos fazer feliz.

Porque já o são.

13 comentários

  1. Mais um texto brilhante Helena... Não acho nada que seja cliché, toda a gente procura o homem da sua vida. Mas tudo tem der ter peso e medida :-) Gosto imenso dos seus conselhos embora seja a primeira vez que estou a comentar.

    Uma boa noite
    Alda

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  2. sou daquelas pessoas que acha que tudo tem o seu tempo e que há pessoas que simplesmente não o têm. Nenhum dos caminhos está errado ou é infeliz. Como tu disseste, já somos felizes de qualquer maneira :)

    Isa,
    http://isamirtilo.blogspot.pt/

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  3. Que belo texto, obrigada por partilhares! Eu tenho o meu lema, eu quero ser feliz, quando já não sou... é porque não é ele aquela pessoa :)
    Ritissima Blog

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  4. Não posso dizer que sei o que sentes porque tenho uma pessoa, a minha pessoa, comigo há algum tempo. Ainda assim, acho super importante sabermos disfrutar da nossa própria companhia. E há dias em que tudo o que preciso é estar sozinha :)

    Instax mini 25 giveaway - www.mykindofjoy.com

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    1. Ps: a escrever um livro?!? Fiquei super curiosa :D

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  5. Quando olho para trás, para os meus últimos anos, percebo que cometi sempre o mesmo padrão, coloquei sempre a outra pessoa à frente como forma de fazer de tudo para que funcionasse. Este texto caiu assim como uma bomba - porque me identifiquei a todos os níveis. Perdemos tantas coisas boas da vida quando estamos focadas em agradar ou a tentar agarrar relações. Vivemos para nós, não deveria ser suposto perseguirmos os nossos sonhos e não os sonhos de outra pessoa? Sou tudo a favor de fazermos tudo por amor e por amor tudo vale a pena - mas não quando isso já coloca em causa a nossa felicidade.

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  6. Não posso saber o que escreveste porque tenho namorado já há algum tempo e damo-nos incrivelmente bem...
    Acho que o mais importante é compreendermos a nós próprias para podermos compreender o outro e sermos felizes!

    Eliana,
    http://around-eliana.blogspot.pt/

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  7. Penso exatamente assim, é preferível estar sozinha do que estar numa relação só para não estar sozinha :) também é preciso saber estarmos sozinhas e descobrirmos mais sobre nós. Não gosto de procurar por homens e espero que as coisas aconteçam por si e agora estou numa relação já de 1 ano que tem resultado muito bem, acho que o importante é sabermos respeitar e não deixarmos de fazer o que gostamos ou queremos.

    http://the-morning-sunshine.blogspot.pt/

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  8. Post brilhante Helena, parabéns. Disfruta de ti própria ;)

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  9. Parabéns pelo texto! O mais importante é valorizar-mo-nos. Tudo tem o seu tempo, e estar sozinha às vezes sabe bem ;)
    beijinho
    http://mypreciouspace.blogspot.pt/

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  10. Se às vezes as pessoas soubessem como estarem sozinhas pode ensiná-las a gostar mais de si próprias e a batalhar mais por si próprias, talvez tivéssemos mulheres mais confiantes, homens com mais respeito e relações mais bonitas :) adorei este texto Helena!

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  11. Adorei o texto.Identifico-me bastante,porque estive numa relação em que me sentia completamente presa.só depois de acabar é que passei a fazer as coisas que gostava sem medo que me apontassem o dedo. Estou muito bem sozinha...mas a verdade é que também tenho alguma dificuldade em deixar os outros entrarem na minha vida.Tenho medo de ser magoada.

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  12. Ao ler o texto pensei como me conhecias tão bem se nunca me conheceste. Eu passei por tudo tal e qual.

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