O amor é outra coisa #12 Como fazer um homem pensar que (não) vai ter sexo

2 de agosto de 2015


Se isto fosse um diário, acho que hoje começava com: querido diário, porque é que os homens são tão burros? A Miranda andava há séculos a falar-me num tipo que me queria apresentar. É um cabeçudo como tu, dizia-me ela. E eu, que troco abdominais por cérebros num estalar de dedos, fiquei com a pulga atrás da orelha. Combinámos um jantar em casa do amigo deste tipo que ela conhecia, marcámos o dia, metemo-nos no carro e lá fomos. Não vos digo quantos quilômetros fizemos para este jantar porque, sem dúvida, só por aí já poderia induzir em erro as nossas (humildes) intenções.

E quando lá chegámos, éramos quatro. Que fofos, isto parece um jantar romântico a quatro, dissemos. Apresentações, troca de ideias, cozinhar, beber um copo, contar piadas e eu já tinha decidido, sem dúvida, que o tipo não tinha nada a ver comigo. Nem era pelas paez que tinha calçadas (e eu acho paez a coisa mais, desculpem-me, ridícula num homem), nem pelas pernas mais bem depiladas e brilhantes que as minhas, nem pelos whatsapps que ele estava a enviar com corações a alguém. E sim, nós topámos isso. É muuuuuito difícil esconder o que quer que seja de uma mulher. Estou a falar com a minha tia, disse ele à Miranda. Com a tia? A sério que a primeira coisa que fez foi jogar a cartada do, perdoem-me, cabrão? Para mim, já estava o assunto arrumado.

Estão a ver aquela forma idiota como nos comportamos quando estamos interessadas em alguém? Ficamos cheias de pudores, não conseguimos ser naturais e passamos o tempo todo a racionalizar o que fazer, o que dizer e como nos comportarmos, certo? Neste caso foi exactamente o oposto. O nível de interesse estava tão abaixo do zero que, a dada altura, já estava a falar com a boca cheia de comida da nossa aventura na casa assombrada (nível de tesão menos cinquenta), de blogs, de ginásio e começámos a fazer snapchats das nossas caras a meio do jantar (nível de tesão menos duzentos).

O que fazes?, perguntou-me o tipo num momento em que ficámos sozinhos. Não posso dizer, trabalho à noite, disse. Diz lá, sorriu. Sou stripper. Olhou-me de lado, levantou a sobrancelha e cerrou o semblante. Eu sei que escreves, a Miranda já me disse, mas escreves sobre o quê?, perguntou. Escrevo sobre homens, respondi. Tens assim tanta experiência? Sim, rapaz, sou uma devassa. Gosto de escrever sobre relações, disse. Já tiveste más relações, foi? Foi. As pessoas dizem que sou uma guru do amor, respondi à falta de melhor. Como o guru do sexo? 

Pausa para respirar.

Voltámos para a mesa, começámos a ver vídeos da Beatriz Gosta e, entre amassos, pau pau pau e sexo anal (dos vídeos dela, atenção), já estávamos a falar de relações passadas, más experiências e ex-namorados. Lena, ele dança kizomba, sabias?, disse-me a Miranda. Não sabia, mas também não queria saber. Mas, quando dei por mim, já estava no meio da sala com uma música melosa a tocar e um nível de proximidade em que praticamente conseguia ouvir o jantar do homem a ser digerido pelo estômago. A música tocava, não me perguntem qual era porque não sei, e ele rodopiava-me pela sala, com as suas pernas entrelaçadas nas minhas, a barba a roçar na minha cara e a mão nas minhas costas nuas.

E, como se nem há meia hora estivesse a trocar whatsapps com corações com outra, o tipo decide deixar-se embalar pela música e descer mão para o meu rabo e apertá-lo com força. E foi o suficiente para decidir que a noite estava dada por terminada. Olhei para a Miranda e tivemos um belíssimo momento de telepatia. Bem, está na hora de irmos embora, dissemos. Mas, vão embora assim?, perguntou um deles. Hmmm, sim amanhã acordamos cedo, dissemos. Fiquem cá a dormir...

Pausa.

Foi um momento constrangedor aquele em que percebemos que eles achavam que tínhamos lá ido simplesmente para sexo. Em que parte é que pensaram isso? A parte em que falei de boca cheia ou a parte em que já não me apetecia falar de mim e comecei a dizer que era stripper? E o que é que íamos fazer? Viajar até Swingtown numa experiência a quatro?

Ainda bem que não sou a do whatsapp a quem ele estava a mandar mensagens com corações. Pior que uma mão no rabo são dois pesos na testa.

13 comentários

  1. A parte da Guru do sexo é a melhor... Se me dissessem isso num primeiro encontro, acho que saia porta fora ahah :)

    Mais um excelente post!
    Beijinhos
    Joana

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  2. Aahaha, a sério, é com cada um! Gosto tanto da forma que falas das tuas experiências, fico sempre a rir.

    Lena's Petals xx

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  3. "Ainda bem que não sou a do whatsapp a quem ele estava a mandar mensagens com corações. Pior que uma mão no rabo são dois pesos na testa."

    Este final é priceless. Enquanto lia, ja estava a ter esta mesma conclusão :-) ehehehe

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  4. Estive agora mesmo a ler todas estas crónicas do Amor é outra coisa e adorei Helena. Tão bem escritas e pessoais. Houve algumas que senti que podia ser eu a escrevê-las. Tens uma escrita muito pertinente, parabéns.

    Ana Luísa

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  5. Custa-me acreditar que estas historias sejam reais. Portanto, tu das a cara e metes aqui fotografias tuas e depois escreves sobre homens. E eles não vem ler? Nao sabem que és tu e que estás a falar sobre eles? Este gajo das paez não vem reconhecer-se a ele proprio? Se fosse eu, quem não estava interessado agora era eu. Ate parece que meter a mao no rabo numa dança é um crime... Escreves tanto sobre homens, deves ter um problema qualquer honestamente.
    Comprimentos
    C

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    1. Se calhar devia aprender a escrever cUmprimentos antes de vir dizer disparates. Lá por uma pessoa dar a cara, não pode contar histórias reais? Não vi em lado nenhum qualquer tipo de ofensa, muito pelo contrário são divertidas. Continua Helena, aqui desta lado tens uma leitora que se delicia com estas histórias :)

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    2. "Se fosse eu, quem não estava interessado agora era eu." Se a Helena não estava interessada em primeiro lugar também não quer saber disso para nada, simples. "Ate parece que meter a mao no rabo numa dança é um crime..." Não é crime, mas é 'esticar-se' um bocado.

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    3. Por alguma razão ela é solteira...

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  6. O que me ri a ler isto... muito bom!!

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  7. Leitora assídua desta rubrica! Abordas sempre o tema de uma forma deliciosa!
    E relacionando um post anterior muito giro teu, talvez por ainda estar nos 20 (anos) e não nos 30 ainda me fico a sentir de "segunda categoria" de cada vez que um gajo qualquer me apalpa o rabo em vez de se perder de amores pelas minhas gargalhadas... Parece que só servimos para a satisfação pessoal deles, m*rda!
    Uma beijoca!!

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  8. A parte de dançar kizomba que podia ter sido tão gira, ele conseguiu torná-la banal... os homens não sabem mesmo conquistar uma mulher!
    Quero mais histórias :-)
    Beijos

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  9. Pior que as mensagens para as tias, são as para as "primas". Já assisti a episódios parecidos com algumas amigas. Há homens tão inteligentes e outros tão burros

    Isa,
    http://isamirtilo.blogspot.pt/

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  10. Resto da história:
    - Ele tentou uma do género com outra, eles agora estão casados, com filhos e felizes.
    - A helena continua solteira.

    Nem sei o que comemtar sobre o texto sem poder ferir sentimentos, mas é óbvio que a autora ou provocou a situação para poder ter uma história que contar no blog ou não percebe/aceita a forma como os homens pensam. Admitam, os homens são mais simples e diretos que as mulheres. Isto é uma vantagem. Um convite para passar a noite pode ser só isso. Não percebo como um convite para passar a noite é visto claramente um convite para uma orgia com 4 pessoas. Mas é através destas coisas que os homens filtram bem as parceiras. E a Helrna continua a ser filtrada, e portanto continua solteira.

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