O AMOR É OUTRA COISA #18 O que fariam se vissem o homem que vos partiu o coração?

28 de setembro de 2015



Eu não era para ir ao Tamariz - porque ia madrugar para um casamento. Mas acabei arrastada por elas, de olhos no relógio que já batia as 2h da manhã. E descemos a estação do Estoril, de mãos dadas para não tropeçarmos nos saltos que ninguém deveria levar para sair à noite (não quem quer, pelo menos, dançar, que é o meu caso). Já ia meio torta, meio a lançar pragas para a dor de pés quando a Matias me apertou a mão e o vi.

PARA TUDO!

Vi o idiota que me enganou e me partiu o coração em tantos bocados que ainda hoje ando à procura dos cacos no meio do chão.

Já, várias vezes até, pensei em apagar muitos dos posts antigos que falam dele, dele, dele. Mas, além de uma história que faz parte de mim, tudo isto foi o começo d'O Amor é Outra coisa que, entretanto, começou a envolver muitas outras histórias e pessoas. E só lhe tenho a agradecer por me ter magoado tanto porque o sofrimento é combustível para a escrita.

Ele estava ali, simplesmente ali, encostado à parede da estação. Não o via, sei lá, desde esta noite há um ano e meio. Parei a falar com alguns dos amigos dele e ponderei, durante um nanosegundo, se lhe falava ou não. Dizer-lhe um mero olá não ia significar nada - e eu não sou pessoa de não falar ou fazer birras. Mas depois lembrei-me que este idiota, que me enganou, enrolou, mentiu e partiu o coração, me tinha bloqueado em todas as formas de comunicação possíveis (telefone, whatsapp, facebook, blá, blá, blá). E que me tinha dito que era melhor assim, como se me apagar da face da terra fosse ajudá-lo a esquecer o que tinha feito.

Ele iludiu-me. Confundiu-me. Magoou-me. Não era suposto a birra do vou-te-bloquear-forever-and-ever ser a minha parte do troco? Mas eu mantive-me aqui, pávida e serena até hoje.

Durante muito tempo, imaginei como seria quando o voltasse a ver. Imaginei dezenas de cenários possíveis na minha cabeça. Alguns envolviam uma série de pancadaria e truques de kung fu. Mas, na verdade, todos eles terminavam em conversas e justificações. Eu queria entender os porquês. Tentava, desesperadamente, perceber que pessoa era aquela que, afinal, não conhecia de todo. E de repente, ele estava ali, na estação do Estoril a meio metro de mim.

Eu sei que querem perceber, tanto quanto eu, todo este final. Querem saber qual foi a aprendizagem que retirei daqui.

Mas hoje não tenho nada para partilhar.

Olhei para ele e percebi que não precisava de justificações nenhumas. Porque não havia nada para justificar. Um tipo conhece uma rapariga, promete-lhe mundos e fundos, fá-la apaixonar-se por ele, engana-a e vai à vida dele. Cliché, certo?

E se um homem nos trata mal, para o inferno com ele. Esqueçam, ignorem, libertem-se. Vocês são o melhor que pode acontecer a um homem e, se vos trata mal, é ele quem perde uma coisa boa. É o meu conselho de hoje. Mas faltava fazer aquilo que prego.

Comecei a tentar lembrar-me de pequenas coisas dele que, no passado, conseguia sentir só de imaginar. O cheiro dele, a gargalhada, a forma de falar, as expressões... percebi que já nem da voz me lembro. E ri-me sozinha. Ri-me imenso sozinha porque ele só me deu palavras, enquanto que eu o amei com o corpo, com a boca, com as mãos, com os dedos que tentavam, a toda a força, prender as suas palavras vagas sobre tudo e sobre nada. E que tentavam, com a sofreguidão louca da paixão desmedida, acreditar em todas as balelas que me dizia. Não sei precisar quando deixei de lhe gostar. Não sei se foi ontem, se há seis meses atrás, se há um ano. Demorei dias, semanas, meses. Ouvi Sade, Jessie Ware, Joni Mitchell, Amy Winehouse, Billie Holiday em loop deitada na cama a olhar para o tecto... Demorei uma eternidade mas deixei de ter pena de mim por estar sem ele.

Passei a ter pena dele por estar sem mim.

Depois daquele nanosegundo a ponderar se lhe dizia um mero olá, percebi que me era irrelevante. Virei costas, atirei com o cabelo por cima dos ombros, sorri e fui embora.

E não olhei uma única vez para trás.

19 comentários

  1. Este teu desabafo caiu-me na perfeição e espero que seja assim que reveja, daqui a quase 1 ano, também a pessoa que me despedaçou depois de me ter entregue a ele de corpo e alma. Que seja com essa força e certeza de que quem perdeu foi ele, e já recuperada e melhor que nunca. És a maior <3

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    1. Bárbara, por mais cliché que seja, o tempo cura tudo :) E demoramos algum tempo a ver as coisas com alguma distância emocional mas quando deres por ti, vais perceber que é tudo tão irrelevante e as coisas que vias/acreditavas não passavam de coisas da tua cabeça <3 E ai, vais olhar para trás e rir-te... demora, é verdade, mas recuperas. E recuperas em grande!

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  2. Acho que me conheces mas não queres dizer.... Essa é a minha historia, aquela que vivi durante anos, imaginei e voltei a imaginar e a resolução foi exatamente a mesma... :)

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    1. Ana :) Acho que as mulheres, depois de muito espezinhadas ganham uma força absurda! :D

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  3. Helena, concordo. Foi o melhor que fizeste. Há pessoas que nem têm a noção do quanto nos magoam e de como simples palavras podem significar tanto. Gostava de ter a capacidade para conseguir transmitir por palavras tantas emoções e sentimentos como tu. Ao ler, quase que te consegui imaginar na estação. E tu na estação podias ser eu noutro sítio qualquer a viver exatamente o mesmo com uma outra pessoa que também me magoou tanto...

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    1. Obrigada Joana, mesmo. Estas palavras significam muito para mim :)

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  4. Um tipo conhece uma rapariga, promete-lhe mundos e fundos, fá-la apaixonar-se por ele, engana-a e vai à vida dele. Cliché, certo?

    Certissimo. Podia ser eu...

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  5. Adorei a forma como descreveste o reencontro. E acho que fizeste muito bem - os homens têm uma grande dificuldade em perceber as coisas que fazem...

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    1. 'Os homens'... Deve ter-se enganado e queria dizer pessoas, certo? Porque mulheres fazem o mesmo.

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    2. É verdade - isto é válido para mulheres e homens. Todos nós, a dada altura, já magoámos e já fomos magoados... faz parte da vida :)

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  6. Helena, que essa garra e esse sorriso nunca te faltem nunca. Nem quando achares que encontraste o teu verdadeiro Big (sim, porque continuo a achar-te com uma costelinha de Carrie Bradshaw!!).
    O amor-próprio em primeiro lugar. E é tão boa essa sensação de que se quer esquecer muito uma coisa que nos fez mal, mas depois quando nos apercebemos, já esquecemos :) sejam males de amor, ou de amizade...

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    1. Obrigada Diana ahahah mas o Mr Big que fique lá bem longe (acho que a Carrie nuuuunca devia ter ficado com o Mr Big). Sim, quando damos por nós e vemos que já esquecemos, tudo nos parece irrelevante... <3

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  7. Também penso e ajo como tu, mas acho que estamos profundamente erradas. Antes de os ignorarmos veementemente, devíamos fazer o que um amigo de infância há tempo me disse: "Os gajos odeiam ser humilhados em público. Sobretudo se os amigos lá estiverem. Uma gaja da minha Faculdade passou-se com um gajo, porque namoraram e ele tinha andado com outra; bem, ela chega a uma aula, abre a porta, desata aos berros com ele e disse tudo o que ele fez em frente a toda a gente! O gajo ficou mais vermelho que um pimento! E nunca mais se voltou a meter com ela."
    O ideal é fazer um "escândalo" e dizer as verdades BEM ALTO, para tooodos os amigos (e "amigas") deles ouvirem; assim, não há, sequer, hipótese de depois essas bestas nos quererem fazer passar por psicopatas perante os amiguinhos e inventar tretas. Afinal, já toda a gente ouviu a verdade bem alto e sabe da intriga. Se levarem um estalo, melhor ainda; dupla dor (a física e a do vexame)!
    A sensação após o "escândalo" deve ser sensacional, estou a ganhar coragem para por isso em prática. Acredito que ao passarmos e ignorarmos - do estilo mulheres bem resolvidas -, as Bestas não conseguem/não querem imaginar 1/10 do sofrimento que nos causaram e se calhar vale a pena trazer isso a público.
    Ninguém tem o direito de nos iludir, deixar miseráveis e sem auto-estima. Ninguém.

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    1. E depois és considerada a louca que realmente era desequilibrada, que ele fez muito bem em ter deixado. Ignorar sempre.

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  8. Também penso e ajo como tu, mas acho que estamos profundamente erradas. Antes de os ignorarmos veementemente, devíamos fazer o que um amigo de infância há tempo me disse: "Os gajos odeiam ser humilhados em público. Sobretudo se os amigos lá estiverem. Uma gaja da minha Faculdade passou-se com um gajo, porque namoraram e ele tinha andado com outra; bem, ela chega a uma aula, abre a porta, desata aos berros com ele e disse tudo o que ele fez em frente a toda a gente! O gajo ficou mais vermelho que um pimento! E nunca mais se voltou a meter com ela."
    O ideal é fazer um "escândalo" e dizer as verdades BEM ALTO, para tooodos os amigos (e "amigas") deles ouvirem; assim, não há, sequer, hipótese de depois essas bestas nos quererem fazer passar por psicopatas perante os amiguinhos e inventar tretas. Afinal, já toda a gente ouviu a verdade bem alto e sabe da intriga. Se levarem um estalo, melhor ainda; dupla dor (a física e a do vexame)!
    A sensação após o "escândalo" deve ser sensacional, estou a ganhar coragem para por isso em prática. Acredito que ao passarmos e ignorarmos - do estilo mulheres bem resolvidas -, as Bestas não conseguem/não querem imaginar 1/10 do sofrimento que nos causaram e se calhar vale a pena trazer isso a público.
    Ninguém tem o direito de nos iludir, deixar miseráveis e sem auto-estima. Ninguém.

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  9. Como é que um homem te engana? Há coisas que não compreendo. És uma mulher lindíssima, escreves bem, mostras que és interessante, sabes o que queres da vida... e os homens preferem as básicas. Aquelas com as quais é fácil conversar e dar meia dúzia de balelas.
    Vais longe, Helena. Acredita :-)

    E tal como disseste: para o inferno com ele!

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    1. Sandra, o coração tem razões que a cabeça desconhece... É assim com todos nós :) <3

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