O AMOR É OUTRA COISA #31 Porque temos tanto medo da rejeição?

18 de janeiro de 2016


Passo a vida a dizer para todas as mulheres agarrarem a vida pelos cornos e irem atrás daquilo que querem. Porque é isso que eu faço. Mas a verdade é que, no que toca a toda a parte emocional, eu também acabo por me recolher à minha concha. Se gostava de ser mais agressiva? Oh sim, gostava.

Este fim de semana saí à noite com dois amigos e, não querendo soar a falsa modesta, reparei que alguns homens olhavam para mim. Qualquer mulher repara nisso, sejamos honestas - a diferença é que nós, mulheres, não nos gabamos disso. E eu, pessoalmente, não gosto desse tipo de atenção. Mas o que quero focar é que os homens olhavam mas não abordavam. Por outro lado, eles foram abordados por mulheres.

E falo de abordagens tão idiotas como uma que lhes disse que lhes podia tirar uma fotografia, tirou e, de seguida, pediu para um deles se adicionar no Facebook dela (dando-lhe o telefone dela para a mão) para ela depois enviar a fotografia. Em 10 segundos, voiláááá, já o tinha no Facebook e, provavelmente, a esta hora em que eu escrevo isto (é meia noite) sozinha na cama, eles estão os dois em conversetas pelo chat.

Se eu dou alguma coisa por aquela relação/amizade/conversa? Claro que não. Eventualmente vão acabar por se enfiar num hotel qualquer uma noite destas e, bye bye, foi bom conhecer-te. Mas a verdade é que também pode dar certo. Podem conhecer-se melhor, podem gostar um do outro, podem fazer um click. Podem ser o amor da vida um do outro e tudo começou porque ela teve a coragem de o abordar numa qualquer discoteca com uma desculpa idiota de lhe tirar uma fotografia com o amigo.

E é este o quesito de toda esta questão de abordar/não abordar um tipo. E as consequências disso.

Já fui rejeitada várias vezes. Já tive um tipo a dizer-me que não precisávamos de sair para o ver porque podia ir ao Instagram dele. Já tive outro que me disse que não era uma boa fase para sair porque tinha muito que estudar. Já tive outro que, quando lhe liguei para irmos ao cinema a um domingo ao fim do dia, me disse que estava a beber um café com um amigo e sentia-se mal por o deixar sozinho. 

Provavelmente não se sentiam atraídos por mim, não lhes apetecia sair comigo ou não sentiram um click.

Acontece.

Mas também já me apareceram em casa a meio da noite com uma caixa de gelado. Já me levaram a concertos que eu estava morta para ver. Já me gravaram cds com músicas que lhes lembravam de mim. Já me deixaram cartas no correio. Já conduziram quilómetros para me ver. Já me desenharam. Já me deixaram recados no carro. Já me ofereceram flores...

Já recebi tantos nãos quanto sins. 

E já tive momentos e relações extremamente felizes apenas porque eu ou eles tivemos coragem de dar o primeiro passo. 

Hoje em dia, à luz do momento em que escrevo isto, já faz muuuuuuito tempo que não me interesso por ninguém. E se eu der o primeiro passo é porque gosto (gooooooosto com toda esta entoação) realmente dessa pessoa. Se tenho medo de ouvir um não?

Porra, tenho imenso medo.

Mas o que custa um mero não face a todas as possibilidades, borboletas, vivências e estrelas que um sim pode trazer?

16 comentários

  1. Já pensaste que aqueles homens que olharam para ti nessa noite não te abordaram porque estavam somente a ver como sais tal e qual como uma miúda de 15 anos?

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    1. ahahah.. pelo menos deixavas o nome. Pelo amor de deus. Que falta de chá e de ocupação para te preocupares em deixar comentários destes. Aliás, já pensaste porque é que te dás ao trabalho de ler o texto todo e no fim, ser tão triste que nem uma miúda de 15 anos? Get a life

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    2. Marta, não me canses a beleza. Gosto da Helena enquanto blogger, escreve bem para caraças. Não ponho isso em causa! A aparência, no meu entender, é quem deixa um bocadinho a desejar quando sai à noite.
      Bom e fazemos um acordo: eu arranjo uma vida (LOL, isto de ser anónimo é divertidíssimo porque não fazes mesmo ideia da vida que eu "não" tenho!!) e tu arranjas umas aulinhas de Língua Portuguesa. Boa?

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    3. Anónimo não é preciso vir já com toda a pujança nas ofensas a outros leitores. Porque é que eu deixo a desejar quando saio à noite? Porque não vou vestida como se fosse para a Casa dos Segredos que nem 95% das mulheres? Porque não mostro 70% da pele? Porque não tenho qualquer interesse em expor-me? Porque não vou vestida para engatar? Porque não tenho qualquer objectivo de estar a ser olhada? Isto faz de mim parecer uma criança de 15 anos. Na verdade, quando eu tinha 15 anos vestia-me assim. E as miúdas de 15 anos de hoje também se vestem assim. Seguindo esta linha de raciocínio, eu pareço tudo MENOS uma miúda de 15 anos.

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    4. Um bocadinho tendenciosa, Helena? A mim sugerem-me que arranje uma vida e eu não posso sugerir umas aulas de Português? Justo.
      Sigo o blog e o instagram e a verdade é que a quantidade de mini cropped tops (quase ao nível do soutien desportivo) que vejo (ou via) nas fotos de saídas à noite era bem razoável. Não digo que não tenhas corpo ou idade para os usar. De todo! Usas o que bem te apetecer, temos liberdade para isso, felizmente.
      Só acho que a nossa presença dita aquilo que nós vamos atrair. Não sei se estou a ser clara.
      Bom, não fui feita para estas trocas de comentários mas confesso que gostei deste bocadinho!
      Cumprimentos.

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    5. Se eu estou um post inteiro a dizer que não atraio nada porque não dou azo a esse tipo de interacções, como é que um crop top ou a barriga de fora vão fazer com que a minha presença dite o que vou atrair? Passo um ano a ter estas conversas em posts com todas as mulheres - não se exponham - e faria isso? Seria um pouco incongruente da minha parte. E, como nota final, um crop top pede todo o resto do corpo tapado. Não haverá nenhuma fotografia minha que não siga esta lógica nem ninguém que me possa dizer que já me viu noutros preparos.

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    6. AHAHAHAHAHAHAHAAHAHHA!!!! Tão bom. Chorei a rir com a 'anónima'. Mataste-me com essa do português! Ah desculpa.. escrevi bem... "matas-te me", lol.
      Ok, sem querer então cansar a sua beleza, já que dizes não fazer ideia da vida que "não" tens, não percamos mais tempo com "ofensas a outros leitores" e à própria Helena, enquanto pessoa. Se te quisesses ter exposto mais cedo, terias assumido a porra do nome ao invés de estares aí escondida por detrás de um ecrã em modo 'bate boca' de miúdas de 15 anos, isso sim. Dá-nos então conteúdos para ripostar a tua bela resposta de "mini cropped (cropped, a sério??) tops", quando provavelmente a título de moda, deixas um bocadinho a desejar.
      Cumprimentos, caríssima anónima.
      Foi um prazer.

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    7. Marta, se achas que me enganei no "cropped" então a coisa está pior do que eu pensava! ahahah
      Mas claro que sou eu que a título de moda deixo a desejar.
      Vou ali comprar uma vida para ter. Se houver packs de dois e se pedires muito eu ofereço-te a segunda!
      Bom Ano!

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    8. Ai que querida, adorava uma vida também para ter. Compras? Deves ter desconto nesse pack.. Sempre te sai mais baratinho e não tens que contar os tostões.
      Ah e já que falamos desses maneirismos "cropped" ou tão bem estás pontuada no teu CV em Português como também Ingês, o "mini" atrás então é qualquer coisa.
      Lindinha, vais a qualquer site de roupa online e não vês "MINI CROPPED TOPS" decerto. loool mas pronto, leva a bicicleta que de moda és tu que percebes está visto.
      Compra também um dicionário, pode ser que venha como extra nesse teu pack ;)
      Bom ano e boas leituras!
      Sempre aprendes qualquer coisa.

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    9. "Lindinha" é o auge! ahahah
      Eu penso que a interpretação não é difícil mas pronto. Ter dito mini cropped tops ou dizer minúsculos cropped tops seria o mesmo. Mas eu entendo! Se me chamas "Lindinha" eu entendo.
      Não percebo quase nada de moda, isso admito. Não tenho tostões para comprar livros e revistas!!! ahahahahah
      Juro que não respondo mais. Isto já está a ser patético há demasiado tempo.

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    10. lol o mais engraçado é que fazes refresh à página vezes sem conta para ver se ainda te continuo a dar resposta. É patético não é?
      Ainda bem que percebeste que o "lindinha" é do mais irónico possível. Mas concordo contigo, é o auge mesmo. E sabes porquê, minha querida? Porque para ralé já tu desceste há muito e foi logo no início ;)
      Ah, e continuo a dizer... não é "cropped" top mas sim "crop top". Não percebeste o erro da primeira vez... Não é o "mini" ou "minúsculos" que está aqui em questão.
      Mas faz uma pesquisa no google que isso passa.
      Byeee!
      P.S: Esta foi a última resposta que dei.. De maneira que não te dês ao trabalho de cá voltar ou sequer responder :)
      xx

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  2. Vivemos numa sociedade que, infelizmente, tem tanto medo de amar que no final do dia acabamos todos sozinhos ou em relações que não nos fazem felizes porque arriscar em algo melhor é muito assustador :/

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  3. Eu confesso que não tenho coragem de dar o primeiro passo porque tenho medo do não. Se eu estou a dar esse passo é porque já tenho sentimentos por essa pessoa e o não vai esmagá-los. Claro que viver na incerteza também mas até hoje felizmente nunca tive de dar o primeiro passo.

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  4. "(...) Mas o que custa um mero não face a todas as possibilidades, borboletas, vivências e estrelas que um sim pode trazer?"

    Tão verdade! Mas acredito que quanto mais "levamos na cara", mais medo temos (infelizmente)... Quando isso acontece, penso sempre naquela frase:"se der medo, vai com medo mesmo" :)

    Ps: Ando VICIADA nos teus textos de segunda (primeira coisa que faço quando chego no trabalho é abrir teu blog) <3

    Saudades babe!

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    1. A primeira coisa que faço ao trabalho todas as segundas feiras é vir ver se já saiu a nova crónica do Amor é Outra Coisa xD

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  5. Helena,
    queria só dizer-te (desculpa tratar por tu mas para mim és uma miúda :-)) que é sempre um prazer vir aqui ler-te. e acredita, eu tenho 47 anos e revejo-me em muito do que é escrito aqui. escreves bem, sem pretenciosismos, com visão e inteligência. eu já desisti de viver com um homem. depois de várias experiências acho que estou bem sozinha. claro que posso ter namorados, posso apaixonar-me, mas viver, partilhar um espaço, partilhar quase tudo não é definitivamente para mim. acho que é possível ser feliz assim...:-)
    ahhh... e os teus looks são inspiradores, mesmo para uma quarentona que ouvia joy division aos doze anos. beijinho

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