Como despedir-me do meu emprego e tornar-me freelancer mudou a minha vida

23 de março de 2016


Estou constantemente a receber emails de pessoas que querem mudar de vida. Pessoas que estão fartas dos seus empregos, que se sentem infelizes a fazer o que fazem, que querem correr atrás de um sonho, que querem montar um negócio próprio... O que é que todas têm em comum? Medo. E é exactamente por isso que tantas se vão deixando arrastar.


Deixem-me falar-vos sobre o meu passado. Licenciei-me numa coisa. Fiz um mestrado noutra. E pelo caminho sentia-me a pessoa mais infeliz à face da terra. Passei para o jornalismo e, a dada altura, senti realmente que tinha encontrado o meu lugar no mundo. E encontrei - porque escrever é literalmente a minha vida. Mas eu queria escrever coisas que pudessem, de alguma forma, mudar a vida das pessoas. Queria contar histórias. Queria pegar na beleza - uma das áreas em que trabalhava - e fazer dela uma arma de empowerment para as mulheres e não apenas conteúdos consumistas e faits divers. E não o estava a fazer.

A desmotivação

Mas havia tudo o resto a aumentar a desmotivação: as mensagens a meio da noite. As jornadas de trabalho de mais de 15 horas. A pressão. A privação de sono. E o escrever coisas com as quais não me identificava. Dia após dia. Semana após semana. Mês após mês. Eu sabia que havia qualquer coisa de errado com esta vida. Porque não era isto que queria fazer. Mas, ao mesmo tempo, sentia que abandonar a empresa que me tinha aberto as portas era ingrato. Era uma desmotivação misturada com gratidão que me fazia aguentar o barco.

Os amigos mal me viam. Namorados nem vale a pena falar (como manter uma relação com alguém quando no tempo que tens livre só queres dormir?). Os meus pais estavam constantemente preocupados. E o meu corpo também se ressentia. A cabeça - ui a minha cabeça - essa gritava para saltar fora. O mais rápido possível.

O momento do click

Não sei quando se deu o click mas simplesmente um dia de manhã acordei e percebi que não aguentava mais. Estava farta de ter picos de muita felicidade (quase todos ao fim-de-semana) com picos de infelicidade extrema (durante a semana de trabalho). E simplesmente deixou de me fazer sentido trabalhar 12 e 15 horas por dia. Tinha acabado para mim. E liguei à minha mãe.

- Mãe, preciso de sair deste emprego. Desculpa.

Mas, felizmente, a minha mãe foi sempre a minha principal e primeira apoiante. Foi ela que me levou, durante anos, para todas as coisas que eu decidia que queria fazer: futebol, ballet, voleibol, basquetebol, teatro, aulas de viola, dança... Foi ela que amparou todas as milhares de fases por que eu passei: quando decidi que queria vestir-me como o Axl Rose e lhe implorei por uma mochila de pele e umas botas militares. Ou quando decidi que, afinal, ia ser igual à Geri (girl power!).

- Sai. Vamos arranjar uma solução.



Eu, em, 1995 na minha fase Axl Rose ou Steven Styler. Não queria casar com eles. Eu queria ser igual a eles.

O timing da mudança

E chegamos à parte que todos anseiam ler. A minha vida mudou no dia seguinte? Não. E este é o timing onde grande parte das pessoas se espalha ao comprido. Mudar de vida implica sacrifícios, ajustes e uma grande dose de saber lidar com a pressão social. E estas são as dicas que dou a qualquer pessoa que esteja no limbo da sua vida:

1. 
A pressão social vai ter um impacto brutal.
Eu estava desempregada e não tinha grande coisa para contar a ninguém. Agora que tinha todo o tempo do mundo para fazer tudo o que não havia feito, sentia-me completamente deslocada. "Então, vais continuar a brincar aos blogs?" ou "O que é que fazes mesmo durante a semana?" eram algumas das coisas que eu ouvia. Não tinha dinheiro por isso não tinha jantares fora, noites, férias nem passagens de ano em grande. Mudar de vida implicou vender o meu carro e comprar um mais barato que me desse alguma segurança mas, ao mesmo tempo, que não me obrigasse a um grande investimento mensal. Optei por um Dácia a GPL. "Tens um carro de pobre", cheguei a ouvir - o que é irónico porque optar por um carro acessível mas ficar com dinheiro para sobreviver foi uma estratégia até bastante rica. Mas sim, era verdade e tive de a assumir. Eu estava pobre. Não passava fome nem dormia na rua porque tinha pais que me ampararam como a um bebé. Mas tudo aquilo que eu conhecia como sendo a minha pessoa, deixou de existir. Eu era apenas eu, sem mais nada. Sem uma profissão atrás da qual me esconder. Mudar de vida implica sacrifícios sociais para os quais toda a gente tem de estar preparado.

2. 
Antes de colher resultados, é preciso plantar sementes. 
Muitas das coisas que fiz naquela altura, não me foram pagas. Aceitei trabalhos gratuitos, escrevi para muitos meios a troco de nada, investi neste blogue e percebi que tinha de começar a ser activa. Precisava de plantar sementes por todo o lado. Precisava que as pessoas me vissem, se lembrassem de mim. Mandava emails para todas as revistas e jornais, inventava projectos, sugeria os meus serviços para tudo e mais alguma coisa. Ouvi tantos, tantos nãos. Mas sempre acreditei neste mantra: Nem sempre importa receber dinheiro, importa fazer sinergias e conhecer pessoas. Quanto mais plantamos, mais vamos receber.

3. 
É importante desligar da importância que se dá ao que os outros pensam. 
Costumam dizer que só um empreendedor consegue compreender outro empreendedor e isto faz todo o sentido. Para quem tem um emprego normal, um salário a cair ao fim do mês e uma vida estável, as indecisões, inconstância e vida que um freelancer leva não é compreendida. Muitos amigos olhavam para mim com um olhar piedoso - coitada de mim, estava desempregada. "Quando é que vais arranjar um emprego a sério?", chegaram a perguntar-me. E para quem não se consiga desligar da opinião alheia, isto pode ser aterrador. Eu foquei-me em quem tinha as mesmas ideias que eu. Ia tomar cafés com pessoas, fazíamos noitadas a falar de projectos e comecei a criar uma rede de empowerment. Se isso vos vai dar alguma coisa? Não. Não podem querer criar contactos só com o objectivo dessa pessoa ter algo material para vos dar. Falo de motivação, inspiração, cooperação e ambição. Quatro conceitos essenciais a qualquer empreendedor.

4.
 Têm de aprender a fazer o vosso marketing pessoal. 
Trabalhando numa empresa, somos apenas porta-vozes das qualidades dessa empresa. Quando era jornalista, nada era sobre o que eu tinha para dar mas o que a revista onde trabalhava tinha para dar. E fazer esse trabalho pessoal não é fácil. Antes de se quererem tornar freelancers, lançar um negócio ou criar um projecto, criem a vossa identidade profissional. Porque por mais que eu soubesse que era boa escritora, jornalista e criativa, tinha de me saber vender e falar por mim própria. Ninguém se ia lembrar de mim se eu não mandasse dezenas de emails, mesmo depois de ouvir um não. Ninguém se ia lembrar de mim se eu não fosse falar pessoalmente com alguém mesmo depois de essa pessoa ter ignorado o meu email (e acreditem, muitas vezes só me apetecia esconder num buraco quando me encontrava cara a cara com alguém que me tinha ignorado). Ninguém se ia lembrar de mim se eu não estivesse sempre a dar as minhas opiniões, a defender-me e a falar por mim própria. Eu simplesmente criei a minha campanha de marketing.

5. 
Preparem-se para viver alguma solidão. 
Não falo de solidão física porque passo imenso tempo em cafés a escrever, falo com os meus amigos pelo whatsapp durante o dia, passo horas ao telefone e agora estou num projecto onde passo algumas tardes da minha semana num escritório com um grupo de pessoas empreendedoras e com as quais estou a aprender imenso e a voltar ao meu "eu" mais regrado.  Mas a solidão emocional bate à porta muitas vezes e é preciso prepararmo-nos para ela. Por mais que os meus amigos mais pessoais me tenham apoiado nestas fases por que passei nos últimos dois anos, tenham acreditado nas minhas ideias e me tenham tentado ajudar a colocar algumas em prática, ninguém vai viver na nossa pele o medo diário que muitas vezes me assolou e vos vai assolar. O medo da falta de dinheiro, o medo do não, o medo de que as portas se fechem, o medo do nada. Porque não há outro colega de trabalho com quem passar a hora de almoço a reclamar do patrão. Simplesmente, não há ninguém e só dependemos de nós próprios. E esta solidão emocional leva muita gente a desistir.

Dois anos depois

O que é que mudou para mim nos últimos dois anos? Passei do nada para uma série de projectos. Que é o mesmo que dizer que me afundei, precisei de ir até ao fundo para tocar lá com os pés, fazer um impulso para cima e finalmente dar uma golfada de ar. Estou a escrever um livro, montei o #VIVEATUABELEZA, o Observador abriu-me as portas, criei projectos para várias marcas de beleza, conheci imensas pessoas da minha idade, empreendedoras, criativas e fantásticas, ajudei-as nas suas ideias ao mesmo tempo que absorvia poderes para as minhas, escrevi para imensos meios, viajei, entrevistei pessoas fantásticas, tive a oportunidade de melhorar as minhas capacidades pessoais e profissionais, fiz um curso de escrita, perdi o medo de ir bater às portas, comecei a falar por mim própria e a defender as minhas capacidades, fiz trabalhos que me deram muito dinheiro com o mesmo brio com que fiz os outros em que não me pagaram nada, surgiu a oportunidade da crónica no Brasil Post e, actualmente, o projecto com a Primetag.

E quando falo da importância das sinergias é exactamente aqui que quero chegar. Muitos destes projectos que me chegaram foi através de alguém que conhecia alguém e se lembrou de me recomendar. Plantei tantas sementes que, agora, finalmente estou a ver as minhas flores a crescer.

Se tenho medo? Tenho-o todos os dias. Porque nada disto é certo. Aprendi a poupar, a viver com moderação, a ser flexível e a ter a dose certa de humildade para saber que tenho de estar disponível para os outros se quero que também estejam disponíveis para mim. O primeiro ano foi literalmente um ano de auto-conhecimento. Conheci os meus limites e aprendi mais sobre mim do que em toda a minha vida.

E o que é que tenho mais para vos dizer? Nada. Não há uma solução eficaz. Cada puzzle é individual e cada pessoa levará o caminho que tiver de levar para perceber a melhor forma de encaixar todas as peças nos sítios certos. Não há uma fórmula mágica. O que vos vai fazer atingir o sucesso é perceberem de que forma poderão ligar aquilo que vocês são com aquilo que vocês quererem fazer.

Dito por outras palavras, saber aplicar a vossa singularidade no mundo, como diria o pai da Gisele Bundchen.


Fotografia tirada por Faz de Conta Fotografia

35 comentários

  1. Helena, que post fantástico. Adorei cada frase, cada dica, cada partilha.

    "Plantei tantas sementes que, agora, finalmente estou a ver as minhas flores a crescer."

    Esta é uma frase que deves registar para sempre como sendo tua porque é perfeita e podia estar num livro :)

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  2. Adorei este post! Estou entre as pessoas que te enviaram email, no meu caso porque queria saber como "ser" freelancer. Ao contrário de ti, não tive sequer um emprego - terminei o meu mestrado com um excelente aproveitamento e estou desempregada desde então. Escrevo bem sobre alguns temas, por isso a ideia de escrever enquanto freelancer interessou-me. Mas - e aqui parece-me estar a diferença crucial - sou super tímida e por isso há certas abordagens que ficam logo impossibilitadas. Consigo ir a uma entrevista de trabalho (um ambiente formal) mas não consigo ter uma reunião informal com um desconhecido para falar sobre uma ideia de projeto. Isto, parecendo que não, atrasa tudo.

    Parabéns pelo que tens conseguido :)

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    1. Nádia, queres ter uma reunião informal comigo? :) Para trocarmos ideias. Manda-me um email :) Vamos perder essa timidez!!

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    2. adorei, que querida! :D isto faz-me acreditar nas pessoas :))))
      MC

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    3. És uma lindona! Envio sim :)

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  3. gostei de ler. muita corajosa, infelizmente nem toda a gente o consegue ser. mas , parabens ;) MC

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  4. Helena, adoro o teu blogue essencialmente porque o acho diferente de todos os outros e a tua forma de escrever prende-nos (acho quase impossível deixar um post a meio).
    Eu sinto-me tal e qual como te sentias há dois anos atrás: tirei uma licenciatura abrangente porque achei que mesmo não sabendo ao certo o que queria fazer, algures ali estava a resposta, e a verdade é que ao longo do curso achei que tinha encontrado a minha paixão... quando cheguei ao mercado de trabalho acabei por me desiludir, não gosto da ideia de estar fechada num escritório todo o santo dia e não gosto de trabalhar coisas com as quais não me identifico. Mas estou a construir uma base, para me suportar e aventurar-me por minha conta!
    Obrigada por partilhares a tua experiência!

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    1. Sara, a única coisa que eu posso aconselhar é que passamos metade da nossa vida a trabalhar. Se não for, pelo menos, em algo que nos faça feliz, num escritório onde nos sintamos bem... vamos desperdiçar metade da nossa vida! O importante é conseguir perceber os sinais que o nosso corpo nos dá (e a nossa cabeça também). Mas gosto da tua maneira de pensar: estás a construir uma base para te puderes suportar e aventurar-te. Pensa nisso todos os dias de manhã :)

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  5. Parabéns, gosto imenso de a ler, sobretudo da sua sabedoria de vida!! Inspiradora!!

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  6. Olá Helena, é a primeira vez que comento no teu blog, mas depois de "te ler" senti que tinha mesmo que o fazer. Estou neste momento numa fase de transição na minha vida, por isso ando a absorver tudo o que possa que me transmita energia e positivismo e ter lido este post abriu-me definitivamente os olhos a muita coisa. Parabéns pelo teu blog, pela tua força e acima de tudo por teres essa postura tão própria que é inspiradora. Obrigada pelas tuas palavras!

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    1. Olá Inês, obrigada pelo comentário mesmo mesmo :) Adoro fases de transição e sentir que posso, de alguma forma, te ter ajudado já me fez o meu dia :)

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  7. Pensei que era eu a dar em louca ou excessivamente cansada porque se há coisa que quero fazer é dormir, todos os dias no autocarro para casa adormeço, chego a casa e quero dormir, quando acordo quero dormir mas levanto-me sempre e muitos desses dias levanto-me a chorar. Não gosto do que faço, estou a escrever uma tese e quero desistir. Sinto-me absolutamente perdida, menos nos momentos em que escrevo no meu blogue, é basicamente o meu espaço de conforto o problema é que me sinto tão desmotivada que as vezes só me apetece escrever a reclamar com as implicações que a sociedade nos coloca. As vezes digo a minha mae que não considero viver bem quando se vive para um trabalho sentado num escritorio gelado, com pessoas mal humoradas, onde demoro 3 horas de viagem diarias para no fim do mes receber um ordenado e passar a semana a desejar a sexta feira. Talvez um dia consiga ter a tua coragem e ir atras daquilo que me preenche.

    Beijinhos

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    1. Olá Diana, tens razão: não vivemos bem se estamos sempre infelizes. E se calhar, foi preciso passares por todas essas coisas para perceber aquilo que gostas. Termina tese, fecha esse capitulo e depois lança-te a outras coisas. Manda-me o teu blog para eu ver :)

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  8. Já conhecia a tua história, mas não me canso de a ouvir/ler. Tiveste imensa coragem em deixar o teu emprego, mas o que mais admiro é a capacidade que tiveste em reconhecer que estavas mal, que devia haver algo melhor que aquilo e de te pores em primeiro lugar. A nossa saúde (física e mental) tem que vir em primeiro lugar, senão nem seremos felizes, nem minimamente bons no que fazemos (independentemente de gostarmos do que fazemos ou não).

    E nunca vi ninguém com um marketing pessoal tão bom como tu! Não tens medo de ir atrás das coisas e de ouvir nãos e isso inspira-me imenso! Realmente, devíamos todos ter menos medo. Um não pode ser um ponto final, mas ao menos é uma resposta. Eu continuo a preferir respostas negativas do que a ausência de respostas. :)

    Espero que a tua história e o teu percurso sirvam de inspiração a quem está a precisar. <3

    Joan of July

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    1. Tão linda!! O meu marketing pessoal ainda é muito duvidoso - trabalho nisso todos os dias!!! <3

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  9. Olá Helena,
    este foi o primeiro post que li teu. Fiquei muito bem impressionada.
    Obrigada pela sinceridade!

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  10. Que texto maravilhoso! Era tudo o que eu precisava pra hoje...

    Eu também tive esse click, mas confesso que por medo deixei o tempo passar (entre a agonia do querer e o medo do fracasso). Dessa vez coloquei na cabeça que é a hora (bastante por influência tua também) :)

    Agora é... time to live!

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    1. O medo é o que nos prende em relação a tudo na vida. E agora - em Setembro - É QUE VAI SER!!! :D

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  11. Uma amiga leu este post e partilhou-o comigo. Trabalhei durante uma década num gabinete de arquitetura que me matava a criatividade diariamente. Casada e com uma filha pequena, percebi que a minha infelicidade estava a passar para essas duas pessoas que convivem comigo diariamente. O dia em que me despedi foi um dos mais felizes da minha vida. Saí do emprego com um sorriso estranho, em que os lábios tremiam.

    Desde aí é exatamente como descreves, muita incerteza, muita incompreensão por parte das pessoas (que nunca se importavam pelo trabalho que eu fazia e depois de começar a trabalhar em casa me perguntam "então? o que estás a fazer?") mas acima de tudo a certeza que tomei a melhor decisão da minha vida.

    Trabalho a partir de casa, em arquitetura e ilustração, posso ir buscar a minha filha à escola e tenho a sorte de ter cada vez mais propostas de trabalho interessantes.

    O medo talvez nunca deixe de existir mas prefiro esse "frio na barriga" à monotonia e rotina laboral de outros tempos. Sou dona dos meus dias e acredito no trabalho como forma de vida, por isso estou disposta a dar o meu melhor (e um bocadinho mais). :)

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    1. Que comentário fantástico!! Adorei, obrigada por ter partilhado a sua história. E é mesmo isso que descreve - quando estamos infelizes, isso para toda a gente à nossa volta. O medo vai existir sempre, todos os dias da nossa vida, mas conseguirmos acordar, felizes, de sorriso nos lábios e alma em paz, é o mais importante!! Que tenha mesmo muito sucesso :D

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  12. Fiquei tão contente ao ler o titulo deste post, admito que fiquei tristinha por não poder assistir à tua apresentação no Girls Lean In. Sou uma dessas pessoas super curiosas com o teu percurso profissional nos ultimos tempos e agora partilhaste este brilhante texto a falar das sementes que criamos. Inspirador!

    Comigo nem foi tão a nivel profissional, foi mais desprender-me das cobranças da sociedade. Desde que me conheço como gente que só trabalho no que me apetece e sou feliz, se os meus dias são preenchidos de angustia é porque algo não está bem na minha vida. Digamos que o espirito livre sempre me dominou mas a sociedade sempre o tentou esmagar. Depois de concluir a licenciatura fui trabalhar na área nos EUA durante um ano, num Learning Exchange Program. Foi magnifico! Poderia ficar mais um ano mas estava morta de saudades de Portugal e das suas gentes. Forcei-me a ser igual aos outros, alugando uma casa, comprando um carro e até consegui um estágio profissional (na altura que pagavam bem) na área social. Devia sentir-me a pessoa mais feliz do Mundo, afinal de contas tinha tudo! Quando descobri que a associação onde trabalhava era corrupta foi a gota de água, ao mesmo tempo que a India chamava-me. Despedi-me, tentei ir para a India de voluntariado e essa mesma associação também era corrupta. Será que a área social estava viciada? O que se passava com o Mundo e os seres humanos que nela habitam? Trabalhei um Verão inteiro num bar e juntei mais dinheiro que alguma vez pensei juntar, fiz a mochila e mandei-me pra India sozinha com um voo de ida apenas. Esse mês que pensava ficar por lá transformou-se em 7 meses na Asia e Australia, a viajar sozinha, sem destino, mas feliz porque finalmente era livre. Desde ai nunca mais tentei pertencer à sociedade, não quero ser alienada. Ponto.

    As viagens mostraram-me isso mesmo, que podemos ser quem somos. Quem realmente nos ama irá estar lá para todo o sempre. Comecei a gastar as minhas energias com quem realmente merece. A minha vida passou a ser frugal, alternativa, minimalista e ecletica. Consequentemente trouxe para a minha vida pessoas como eu e aos poucos percebi que me tinha inserido em diferentes comunidades, dentro da sociedade.

    Há que combater os nossos medos pois eles bloqueiam a nossa felicidade. Há que sair da caixa e tentar. Agir. Sei lá, fazer qualquer coisa. Se cairmos, há que levantar e recomeçar. Não há vida mais frustrante do que aquela que é vivida com medo de mudar, de arriscar.

    Viver a Viajar

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    1. Marta, adorei o teu comentário e, acredita, o teu percurso inspira-me imenso. Porque tens essa coragem que, por exemplo, eu não tinha - de me mandar daqui para fora sozinha. Adoro ler as tuas aventuras e és uma inspiração também. O mundo está feito de pessoas únicas que entram e saem das nossas vidas para nos deixar marcas. Tu és uma delas :)

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  13. O freelancer tem que deixar de ser significado de insegurança. Porque não é inseguro ser freelancer. Aprendemos a organizar o trabalho e a correr atrás da felicidade. E se há meses em que certamente o dinheiro não é tanto, a verdade é que a felicidade e calma fazem da nossa situação uma boa situação.
    Com medo, com frio na barriga como a Art.Soul diz, mas com segurança. Acredito que é preciso mudar o olhar sobre o freelance...e este post prova que a felicidade passa por correr riscos!

    Excelente post e desejo-te uma excelente continuação,
    Nomadismo Digital Portugal

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    1. É verdade: o freelancer não pode significar insegurança. Mas, infelizmente, ainda significa para muita gente porque é mais fácil ter-se um salário certo do que viver à mercê do que aparece. Mas, como o Nomadismo Digital fala (que já estou a seguir), a felicidade de podermos ser o que quisermos vale tudo o resto :)

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  14. Como me identifico com este post. Não só por também ter um blog mas porque tenho uma empresa em que basicamente sou eu e mais uma pessoa a remar contra a maré (que é como quem diz a sociedade). Muitas vezes ouço o "mas porque é que não vais trabalhar ali? Mas porque é que não vais para uma loja onde tens um trabalho certo e ordenado fixo no final do mês?" Mas não é isso que me faz feliz. Que completa os meus sonhos.
    Percebo cada palavra que aqui escreveste :* adorei este post

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    1. Cristina, aos olhos dos outros é sempre mais fácil perguntarem-nos porque é que não somos iguais a eles :) Pensa nisso. E segue aquilo que a tua alma te diz!!

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  15. Olá Helena, vim parar ao teu blog através deste post e adorei ler, mesmo! Muito obrigada por partilhares a tua história e por seres uma grande fonte de inspiração para tanta gente. Vou ter que partilhar este post no meu blog :)
    Beijinho*
    http://anagoslowly.blogspot.pt/

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  16. Acho que é a primeira vez que vim ao teu blog, e com este post fiquei rendida!
    Às vezes também me apetece largar o meu trabalho de escritório (apesar de não o detestar) e fazer apenas aquilo que gosto, mas rapidamente volto com os pés à terra e percebo que estou melhor assim, a trabalhar por conta de outrem, pelo menos por agora :)
    Admiro a tua coragem! És o exemplo de que temos de sair da nossa zona de conforto (ainda que a tua não fosse muito confortável) para progredir e, apesar dos obstáculos, com persistência tudo se consegue! Parabéns por isso, e parabéns aos teus pais que te apoiaram :)

    Vou começar a acompanhar-te!
    Beijinhos
    18 and a life ♡

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  17. Identifico-me tanto mas tanto que não tens noção! Acho que temos de ir beber café um dia destes ;) <3

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  18. Oh pah... Tanto que podia dizer, mas acho que nem sei dizer... Adorei. Subscrevo cada letra.

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  19. "Queria contar histórias"Parece a frase que digo todos os dias para o meu marido aqui em casa, e ele quase não entende. Já vivi na pele, e ainda vivo, tudo o que você descreveu neste texto tocante e gostoso de ler. Também já pensei em desistir inúmeras vezes, mas não desisto por um único motivo: Amor. Esse é o tema principal das histórias que quero seguir contando, através dos textos dos meu blog e da minha caligrafia. Espero, de verdade, conseguir chegar ao coração das pessoas e fazê-las refletir sobre temas cotidianos da vida e evoluir, porque afinal de contas, aonde está a graça da vida, se não no aprendizado constante?

    Mais um beijo direto do Brasil e parabéns por todas as conquistas!

    Roberta
    www.betamaia.com

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  20. Amei! Serviu como inspiração...

    Fiquei desempregada há pouco tempo e decidi dedicar-me mais ao blog que criei há um ano, pois de facto amo este universo digital, amo escrever e amo projectos DIY...
    Mas confesso, há dias que não tenho muita vontade de sair da cama, tantos que são os problemas... e é como dizes...passamos a ter tempo mas não temos dinheiro para fazer coisas diferentes e partilhar...

    Por isso Helena...Obrigada pelo teu post, ainda bem que o encontrei porque realmente deu-me mais "pica" para arregaçar as mangas e insistir...

    O teu blog é lindo, vou segui-lo com certeza...
    Se puderes espreita meu blog... http://mariadeferro.blogspot.pt/

    Bjnhs

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