O AMOR É OUTRA COISA #43 Casamentos e vidas duplas

6 de maio de 2016



Tenho hoje, daqui a nada, um casamento.

E vem mesmo a propósito.

No outro dia, ao almoço com umas amigas, veio uma história para cima da mesa. Uma amiga de uma delas, vamos chamá-la de Ana, andava com um tipo, vamos chamá-lo de Idiota Musculado. Ele era personal trainer no ginásio que ela frequentava. Já por aí eu torço o nariz. Não tenho nada contra personal trainers, atenção, mas muito dificilmente me iria interessar por um tipo que passa o dia a colocar as mãos nas pernas de outras mulheres.


Quando desconfiamos, na maioria das vezes temos razões para desconfiar

Ora a Ana e o Idiota Musculado já estavam juntos há alguns meses, ele já passava mais tempo em casa dela do que dele, dormiam juntos todas as noites e a coisa corria de vento em poupa. Um dia, sem mais nem menos, ele começou a dormir cada vez menos em casa dela, dizia que acordava muito cedo para dar treinos, que estava com trabalho e chegava tarde. Já sabem onde é que isto vai dar não já?

Um dia a Ana viu uma das raparigas de quem ele era personal trainer, vamos chamá-la de Sofia, e ele despachou-a mal a Sofia chegou. A Sofia era bem gira, alta, morena e com um corpo tonificado AKA alerta vermelho, sirenes a apitar dentro da cabeça de Ana. Confrontou o Idiota Musculado que negou tudo, era apeeeeeeeenas uma cliente dele. Continuou a, volta e meia, ir dormir a casa da Ana.

Até ao dia que deixou de ir e disse que não estava pronto para uma relação porque estava com muito trabalho. Caramba, ser personal trainer deve ser mesmo esgotante e preencher toda a vida de uma pessoa.

A minha amiga, que me estava a contar esta história ao almoço, na semana passada começou a fazer uns treinos experimentais e uma das raparigas do grupo dela era, sem mais nem menos, a Sofia que já todas conhecíamos porque já tínhamos inspeccionado o Facebook dela mil vezes na altura em que a Ana desconfiava dela e do Idiota Musculado.

Óbvio que a minha amiga abordou a Sofia e abriu o jogo.

Um idiota é sempre um idiota, não tentem justificar os seus comportamentos

Afinal, durante o tempo em que a Ana andava com o Idiota Musculado, ele também andava com a Sofia. E ela também não sabia da existência da Ana.

Eu questiono-me duas coisas:

Primeiro, como é que um tipo consegue fazer uma vida dupla com tanta naturalidade.
Segundo, como é que uma mulher não percebe que há algo que não está a funcionar na relação.

Porque ou um tipo tem uma agenda que o deixa circular livremente ou, caramba, estar muito cansado para dormir em minha casa não é desculpa que eu acreditasse facilmente.

E estas pequenas histórias que me vão chegando daqui e dali fazem-me questionar, muitas vezes, o casamento nos dias de hoje.

Isto não é uma história deprimente, nada disso. É apenas uma nota de que muitas vezes temos as coisas à frente dos olhos e simplesmente preferimos não acreditar nelas. Optamos por colocar filtros cor-de-rosa na nossa vida e ignorar a existência de um problema. A Ana desconfiava e dizia que sabia que ele a traía. Mas não fazia nada por isso. A relação acabou quando ele quis. Quando ele desapareceu.

Não teria sido a Ana mais feliz se, ao primeiro sinal, tivesse dado um chuto no rabo ao Idiota Musculado? O Amor é Outra Coisa procura, acima de tudo, mostrar que a felicidade é uma escolha nossa. Às vezes dizem-me que só conto histórias falhadas e aumento a descrença dos leitores nas relações. E talvez não estejam a interpretar bem esta rubrica.

O que realmente significa O Amor é Outra Coisa

O Amor é Outra Coisa procura mostrar que o amor é mesmo outra coisa. E que quando chega, não traz duvidas, traições ou idiotas vestidos de cordeiros. O Amor é Outra Coisa não são todas estas relações falhadas de que falo. E falo nelas exactamente para perceberem o que NÃO é o amor. Todas as crónicas procuram passar uma mensagem que, no final do dia, só tem um propósito: dar ferramentas para vocês, leitores, interpretarem melhor as vossas próprias relações e vida e perceberem quando estão a dar demasiado importância a relações que não são "Outra Coisa".

Eu não tenho a sabedoria contida em mim. Vou aprendendo à medida que também vou partilhando histórias. Aprendo com os vossos comentários, aprendo com os emails que me enviam a contar as vossas vivências, aprendo com a própria reflexão que faço enquanto escrevo.

E claro que tenho duvidas no casamento. Quem não? Mas é por acreditar que O Amor é Outra Coisa que acredito no casamento que, daqui a duas horas, vou assistir. Porque são duas pessoas que, acima de tudo, querem cuidar uma da outra. E quando se cuida, não se trai.

Quando O Amor é Outra Coisa as pessoas são livres mas querem viver essa liberdade ao lado de outra. E é esse o amor no verdadeiro significado da palavra amor.

5 comentários

  1. Li primeiro o post no Facebook em que dizes que é comum esta rubrica ser mal interpretada. Para mim é simultaneamente um grito de que, de facto, o amor é outra coisa que não os episódios aqui relatados, e um alerta. Tantas histórias de mulheres enganadas assustam-me. Eu escolho bem as pessoas por quem me apaixono (acho até que permitir-me apaixonar por determinada pessoa é uma escolha, embora a própria paixão não seja) e estou sempre alerta sem ser paranóica. Não sou, de todo, o tipo de pessoa que ignora os sinais vermelhos, talvez por não ter medo de ficar sozinha. E assim acho que tenho menos hipóteses de que um cafajeste como o Idiota Musculado entre e permaneça na minha vida, mas não deixo de temer que um cafajeste esperto me consiga, de facto, enganar. Evitava-se tanto sofrimento se certas pessoas admitissem, a si próprias e aos outros, que não têm perfil para manter uma relação monogâmica.


    Perdida em Combate | Então não queres ter filhos, sua malvada?

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    1. Vinha eu deixar o meu ponto de vista mas a Nádia já disse tudo. O não temer estar sozinha, o não permitir apaixonar-me loucamente, ter a luz vermelha de alerta sempre por perto.
      Já podia ter sido a Sofia mas o Idiota Musculado foi sincero comigo. Um pingo de verdade e noção que nem todos têm.
      Acho um piadão ao teu grupo de amigas e ao facto de cuscarem as redes sociais das "outras" raparigas. Eu e as minhas muchachas não somos nada assim, talvez sejamos a excepção :P

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  2. Eu não sou a "Sofia" de que falas mas podia ser porque me aconteceu uma situação idêntica há uns tempos e, infelizmente, eu também não queria ver a realidade do que estava a acontecer. A verdade é que o amor é outra coisa mostra exatamente aquilo que não queremos ver e acredito que anda a ensinar muita gente.
    Beijinhos

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  3. E nós aprendemos ao te ler e ao ler os comentários dos outros leitores :-)

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  4. Soube de um caso em que um homem casado com filhos tinha vida dupla, casado com uma mulher no Algarve e a amante no Alentejo, isto durante dois anos!! Como é possível? Desde que me contaram esta história passei a acreditar em tudo em relação ao que o ser humano é capaz de fazer.

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