Feira de Artesanato do Estoril

22 de julho de 2016




Uma coisa que me dá pena é a vulgaridade com que as pessoas aqui em Portugal olham para o acto de fotografar. Imensas vezes quando estou na rua a fotografar qualquer coisa ou mesmo em sítios propícios a isso - como na semana passada no Super Bock Super Rock - as pessoas simplesmente ficam a olhar como se estivesse a fazer algo perverso. Wow olha para mim a tirar uma fotografia na rua. Deus nos livre se eu tirar a máquina fotográfica da mala.

Fui à Feira de Artesanato no Estoril e achei o ambiente tão giro que comecei a tirar umas fotografias para mostrar aqui. Apenas isso. A dada altura, numa banca que até nem tinha nada de especial - achei piada às cruzes do pescoço que se usava em 1999 quando as raparigas deixaram de ser dreads e passaram a ser betas - e fotografei as cruzes. A rapariga da banca abordou-me e tive a conversa mais parva de sempre.

- Não pode fotografar, disse ela.
- Estou num espaço público, respondi eu.
- Mas os colares são meus.

Pausa para absorver a resposta dela.

- É a senhora que perde porque sou jornalista e ia divulgar a sua banca na Feira.

Apaguei a foto com a máquina virada para ela (para ela ver), virei costas e fui-me embora. A minha mãe diz que ela poderia ter achado que eu também era uma artista de bugigangas e estava a fotografar para lhe imitar os modelos. E ela até podia ter razão - estava a fotografar algo privado. Mas, para mim, resume-se ainda à tacanhez do português que vê mal em tudo o que o rodeia. Se estou a fotografar, só posso ser uma plagiadora que lhe quer roubar a ideia das cruzes. Eu até poderia ser uma turista a fotografar a feira porque vivo no Polo Norte e lá não há nada disto. Poderia querer comprar 50 cruzes. 

Mas não - como os colares eram dela - só os poderia querer roubar.

Ficam as fotografias para vos mostrar o quão gira a feira está este ano. Vai estar aberta até Setembro, todos os dias das 18h à meia noite. Tem lá dentro restaurantes, esplanadas, petiscos, música ao viva no largo e imensas banquinhas de coisas giras - desde bijuteria a fatos de banho, brinquedos, tapecarias, decoração, recuerdos portugueses... Fotografei algumas.

















2 comentários

  1. Também não percebo esta ideia que tirar uma fotografia é roubar qualquer coisa a alguém. Fico perplexa. Quando fotografafa muito na rua, juro que pensei fazer uma t-shirt para usar na ocasião a dizer "you are not Madonna". Só naquela, sei lá. Não, não estavas a fotografar nada privado. Era uma banca numa feira, alô! Que parvalhona, essa das cruzes. Credo.

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