Antes de quererem namorar alguém, namorem-se a vocês mesmas

14 de fevereiro de 2017




Nunca tive um interesse especial pelo dia dos namorados, exactamente pela pressão que se coloca nesse dia. Mas quando era mais nova, e com os primeiros namorados, vivi-o de uma forma bastante intensa e com grandes expectativas. Isto até um namorado me ter dado um swatch vermelho com corações e parolices enquanto jantávamos hambúrgueres no Oeiras Parque e, depois, ter ido para o Garage até às sete da manhã (sem mim, claro). Mais tarde, outro namorado deu-me um boneco Garfield com um coração gigante - após ter dito várias vezes que não gostava de peluches. Ele achou que só o estava a dizer porque queria que ele mo desse ao género de psicologia inversa. Dessas duas vezes, o dia dos namorados fez-me entender que aquelas duas pessoas não me conheciam minimamente, o que é bastante irónico dado que falamos de um dia em que se deve sentir o oposto.


E ao longo da vida - estas histórias já são bem antigas - o dia dos namorados fez-me sempre sentir essa pressão, tendo ou não alguém. Porque ao fim e ao cabo conhecermos a pessoa que temos ao lado deveria ser um trabalho diário e não apenas dos dias em que somos obrigados a pensar num presente para lhe dar. E, na verdade, talvez eles não me conhecessem porque eu também não me dava muito a conhecer.

Antes de querermos namorar alguém, temos de namorar connosco mesmas e isto não é filosofia barata. Relações saudáveis nascem entre duas pessoas que investem em si mesmas porque o amor só se desenvolve depois de fazermos a nossa própria felicidade uma prioridade. E o que acontece é que, muitas vezes, temos tanto medo de aceitar as nossas falhas que acabamos por entrar em relações pelas razões erradas - ou para não estarmos sozinhos, ou porque é mais confortável, ou para ceder à pressão da família... as razões são infinitas. E só levam até um caminho - infelicidade e insatisfação.

A minha questão para hoje é: o que é que vos apaixona? 

O que é que vos faz a vocês felizes? Porque é exactamente isso que têm de trabalhar com ou sem alguém.

Eu gosto de lingerie, gosto de me sentir bem comigo mesma e não a uso quando ou se há o prognóstico de companhia, se é que me entendem. A lingerie não é para os homens mas sim para nós. E está tudo relacionado com a forma como nos valorizamos e a mensagem que queremos enviar a nós próprias. Sentir-me bonita também envolve a forma como visto a minha pele. E essa é uma coisa em que gosto de apostar. Faz-me sentir bem.

Gosto de ler, gosto de escrever, gosto de ir ao cinema todas as semanas, gosto de ouvir música foleira e lamechas aos altos berros em casa, gosto de cantar por cima, gosto de comer chocolates e de beber chá. São basicamente algumas das coisas que mais gosto de fazer no dia-a-dia. E precisamos de conhecer as coisas que gostamos em nós antes de deixarmos outra pessoa fazê-lo.  Porque são os pequenos pormenores que nos tornam nós próprios. Se eu soubesse disso mais cedo, talvez não tivesse levado com um swatch horroroso com corações nem com um peluche que foi diretamente para a arrecadação.

E não precisamos de outra pessoa para sermos nós próprios. Se querem ir ao cinema, vão. Se querem chocolates, comprem-nos. Se gostam de uma lingerie, usem-na sem ser preciso nenhuma ocasião especial (esta azul que tenho é do lookbook novo do Jumbo Moda). Namorem convosco antes de namorarem com alguém. O mundo não vai acabar amanhã por hoje não haver ninguém a oferecer-vos um boneco estúpido ou a levar-vos a jantar a um dos milhentos restaurantes decorados com corações.

Os meus planos para hoje são simples: comprei uns chocolates que gosto muuuuito - da House of Fudge - e um livro novo (não é o segundo volume da Elena Ferrante porque fui ontem à noite ao Jumbo e estava esgotado, mas trouxe Os Ambiciosos de Michelle Miller, a mesma autora de O Diabo Veste Prada). E pretendo estar agarrada aos dois - sem ordem específica ou, o mais certo, ao mesmo tempo.

Para quem, como eu, é fã de chocolates, a House of Fudge produz tudo de forma artesanal e usa chocolate venezuelano biológico onde é acrescentado pastas de fruta para criar o creme fudge que lhe dá o sabor. Estas caixas (de quatro cubos) custam 5,95€. Eu comprei no Mercado Alfacinha, no Beato, mas também vendem na loja online.

Este é o tipo de coisas que podem oferecer a vocês mesmas: um bom chocolate, uma lingerie nova, um livro. Porque namorar connosco é o caminho para namorar alguém profundamente.















Chocolates House of Fudge aqui;
Soutien Jumbo Moda, aqui.
Fotografias tiradas por Faz de Conta Fotografia.

22 comentários

  1. Apoiada a mil por cento! Adorei tudo o que escreveste e tens toda a razão do mundo! Primeiro a nós, só depois seremos capaz de namorar alguém :)

    Beijinho *

    http://cristiana-tavares.blogspot.pt

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    1. Quando sabemos namorar connosco e fazer todas as coisas que gostamos sozinhas, sabemos apreciar muito mais a companhia de outra pessoa :)

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  2. Por vezes (não são assim tantas, diga-se) não concordo plenamente com aquilo que escreves, mas desta vez isso não aconteceu. Concordo plenamente. Existe uma pressão para não estarmos sozinhos e isso leva a que por vezes nos esqueçamos de quem somos, do que gostamos e do que queremos. Acabei de escrever sobre isso ;)

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    1. Ahah mas não concordar é óptimo. Eu adoro discutir ideias e temas, é assim que aprendemos outras coisas e nos estimulamos com outros pontos de vista :) Quando não concordares, comenta também please! Eu já me esqueci quem era em muitas relações antigas, apenas porque não queria estar sozinha. Namorava muito pouco comigo própria tal era o desespero que sentia em namorar outra pessoa.

      Já li o teu. Adorei este excerto: A pergunta é sempre "então e tu?" e se as pessoas não tiverem o mínimo de noção, ainda rematam com um "olha que depois ficas para tia...", como se o "ficar para tia" fosse uma coisa terrível, uma doença incurável e que nos levará à morte certa.

      ahah tanto que podia dizer sobre isto! :P

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  3. Não 100% relacionado com este texto, mas só para dizer que adoro os teus textos e estou super fã deste blog e dos teus artigos no Observador. Parabéns e continua assim!

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  4. Obrigada Helena :) Estava a precisar de ler algo assim!

    Beijinhos**

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  5. Esss chocolates.... yammiiii!!!!!

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  6. A única vez que festejei o Dia de São Valentim com namorado ele estava nos Açores mas eu recebi no dia uma caixa de chocolate (alguns tinham letras e dizia ao todo "Porque o amor também se come", os espaços entre as palavras eram de chocolate branco que eu ofereci ao meu irmão) e um marcador de prata em forma de sereia que ainda hoje continua a ser o meu marcador. A relação só durou oito meses, mas ainda hoje somos amigos e quando penso nesse dia dos namorados fico contente por ter escolhido bem o meu primeiro namorado. Este ano vai ser o primeiro são Valentim com o meu mais recente namorado (já estamos juntos há cerca de sete meses) e como vou para o Algarve às 18h vamos só almoçar a um restaurante indiano que eu adoro. Não vai haver prendas para ninguém, porque fazemos os dois anos este mês. De qualquer forma, ele no natal ofereceu-me uma edição miniatura d'O Principezinho que eu queria muito e umas luvas cinzentas com pelinho lá dentro (eu andava a queixar-me do frio há semanas) por isso sei que se ele não me conhece bem pelo menos esforça-se bem. E é assim que sei que não ando a acomodar-me a menos do que mereço. Concordo obviamente contigo. Também adoro lingerie e compro para mim mais vezes do que devia. O João não liga nenhuma, eu até podia estar com um saco do lixo que estava linda na mesma, mas eu cá gosto de me olhar ao espelho e lingerie e sentir-me sexy mesmo quando estou sozinha e não tenho ninguém para mo dizer :)

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    1. O que mais gostei de ler no teu comentário foi os pormenores do Principezinho, da edição miniatura, das luvas com pelo... mostra carinho, mostra que é alguém que já te conhece, que já te sabe analisar e entender. E isso é tão mágico :)

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  7. cada vez gosto mais de vir aqui ler-te. esses sao tambem os meus planos! juntamente com trabalhar ahah

    beijinho

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  8. Cheira-me que este post era apenas uma forma de fazer publicidade aos chocolates mas, de qualquer das formas, foi bem feita e és das poucas bloggers que realmente consegue cativar o leitor com posts envolventes com ou sem marcas e, por isso, parabéns. Agora até eu fiquei com vontade de comer o chocolate - sem tirar mérito às tuas histórias que são sempre óptimas. Bom texto, boa forma de remeter aos soutiens (que também gostei) e boa forma de ver as relações :-)
    Beijinho,
    Su

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    1. Susana, é impossível fugir de marcas quando elas estão em todo o lado no nosso dia-a-dia. Só aqui falei da Swatch, do Garfiel, do Oeiras Parque, do Garage (que não sei se ainda existe) e, para contextualizar, falei dos chocolates House of Fudge que comprei e do soutien Jumbo Moda que tinha na foto. Era imensa publicidade para um post só :) Mas a verdade é que eu gosto de contar histórias, com ou sem marcas, e sempre que sou específica em certas coisas (aqui nos chocolates e no soutien) é apenas para envolver e para abrir um pouquinho a porta da minha casa e das coisas que fazem parte do meu dia-a-dia. Vê-se que o chá que estou a beber é Lipton mas não falei disso porque não era relevante no texto :)

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  9. O melhor post de dia dos namorados que li. Obrigada :)

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  10. Mas esse é o Eddy? Está tão escuro! E apoio tudo o que disseste a 100%. Às vezes, quando estamos sozinhas, esquecemo-nos de cuidar de nós como se precisássemos de outra pessoa para o fazer. E quem diz chocolates e lingerie, diz muitas outras coisas: ir jantar fora quando nos apetece, ao cinema, tratar de nós, ir ao spa... coisas que nos fazem sentir bem e que não as devemos fazer só quando temos um namorado a quem mostrar. E fazer isso é tão estúpido...
    Beijinhos***
    Teresa

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    1. Teresa, efectivamente este não é o Eddy que continua bem peludo e cinzentinho. Este era outro amigo que estava em casa :P
      E tiveste razão nisso: coisas que nos fazem bem devemos fazer sempre e não quando temos companhia ou um homem a quem mostrar :)

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