Projecto Amélia: vamos ajudar?

9 de abril de 2017 Aeroporto de Lisboa


Quando eu tinha 22 anos (e ainda andava de volta do meu primeiro curso, Políticas Sociais, e não no jornalismo), trabalhei um ano na pediatria do IPO de Lisboa. Era miúda, foi a minha primeira experiência laboral e não tenho dúvidas de que mudou a minha vida. Ou, numa instância mais prática, mudou a minha forma de ser, estar e encarar as coisas. Naqueles meses, conheci miúdos com uma força maior do que alguma vez terei. Miúdos com uma capacidade incrível de ver as coisas boas do dia-a-dia e de aproveitar o que de bom existe em toda a merda à nossa volta. Uma das miúdas que mais me marcou, a Simónica, era uma menina caboverdiana de 10 anos que estava internada há meses e, praticamente, vivia na ala pediátrica com uma tia que veio de Caboverde com ela porque a mãe, que tinha tido um bebé, não podia vir. Ela passava o dia a ler e a reler os mesmos dois ou três livros que tinha. Quando me apercebi disso, levei-lhe um saco cheio de livros juvenis que tinha dos meus tempos de adolescente (a coleção Uma Aventura e outros tantos dentro do género). São para mim?, perguntou-me. Mas para mim, para mim? Para levar para a minha casa quando me for embora? Eu sorri e disse que sim. Ela ficou absolutamente perplexa. Disse que nunca tinha tido nada que fosse só seu.

Uns meses depois de ter deixado o trabalho soube que a Simónica nunca tinha chegado a regressar a casa.

Este é um tema a que ninguém consegue ficar alheio porque nos toca a todos. Não sabemos o futuro e todos nós podemos vir a passar por uma situação de cancro ou ter alguém próximo de nós - um filho, um irmão, um pai, um amigo - a passar por isso. E é verdade que eu própria viro a cara tantas vezes aos quinhentos peditórios que todos os dias estão a fazer à porta dos supermercados. É humanamente impossível uma pessoa poder ajudar todos. Mas, volta e meia, paro, ouço a história e ajudo. Principalmente tudo o que envolva a luta contra o cancro.


O projecto Amélia

Na Birmânia (Myanmar), as famílias de mais de 500 crianças com cancro não têm dinheiro para pagar a viagem que as pode salvar. Vivem em situação de pobreza extrema com o equivalente a menos de 40 cêntimos por dia. A viagem para o único hospital pediátrico do país com condições para tratar crianças com cancro dura cerca de 12 horas e muitas famílias demoram três e quatro dias para lá chegar pelos seus próprios meios (e a pé). Todos os anos, centenas de crianças abandonam os tratamentos porque as famílias não têm forma de os pagar ou morrem porque, simplesmente, não conseguem chegar ao hospital.

Desde 2015 que o Projecto Amélia (internacionalmente, a organização tem o nome de Please Take Me There) ajuda crianças e famílias em situação mais extrema, juntamente com a organização World Child Cancer - que ajuda crianças com cancro nos países em desenvolvimento.

Estive no aeroporto com a Marta a conhecer o Projecto Amélia e juntei-me às já centenas de pessoas que estão a contar as histórias destas crianças para que os portugueses saibam que, do outro lado do mundo, há milhares de crianças que morrem de cancro sem nunca chegarem a ir ao hospital. Em 2016, foram angariados 55 mil euros e cerca de 400 crianças foram ajudadas. Este ano, todos nós podemos ajudar com valores simbólicos.

Com 24€, uma criança é transportada para o hospital (via terrestre) para receber um ciclo de tratamento. Com 48€, são efectuados dois ciclos de tratamento, em meses diferentes. Quem tem mais possibilidades, pode efetuar a ajuda anual: tratar uma criança durante um ano custa 16,50€ por mês (cerca de 198€ anual). Mas todos os montantes são bem-vindos.

Pode doar através do site aqui (e conhecer as histórias de algumas crianças como a Myo).



Fotografias tiradas por Faz de Conta Fotografia

2 comentários

  1. Obrigada Lena por me dares a conhecer o Projecto Amélia. Já fiz uma doação porque não consigo ficar indiferente a projectos destes, com pessoas maravilhosas que fazem questão de não se acomodar perante a desgraça alheia. Que permita a muitos meninos (e pais) serem capazes de superar com distinção esta malfadada doença <3 Beijinho*

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  2. Adorei Helena. Já dei também uma contribuição. Obrigada por esta partilha, é importante aliarmo-nos a estas coisas.
    Um beijinho grande
    Sílvia

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