Como ser Lagom em casa, na vida, nas relações, no lazer, no trabalho, no sucesso...

24 de novembro de 2017

Como já tinha contado, nunca tive um interesse muito grande pela moda do Hygge e do Lagom porque são modas culturais e é difícil colocá-las em prática na nossa realidade. Mas gosto quando me surpreendem e me fazem dizer: se calhar, isto vale a pena. Que foi o que me aconteceu quando comecei a folhear este novo Lagom de Niki Brantmark da editora Planeta. Em Portugal já foram lançados nos últimos meses, se não me engano, outros três Lagom de autoras e editoras diferentes. Li por alto um deles e não me interessei muito mas achei a abordagem de Niki interessante porque ela não é sueca. Inglesa, mudou-se para a Suécia há 10 anos e foi quando se apaixonou pela cultura "Lagom": trata-se de desacelerar, de aproveitar o tempo e de simplificar a vida. E o que ela propõe é exactamente uma forma de uma pessoa estrangeira - como ela - conseguir adaptar estes conceitos à sua própria vida e cultura. Ou seja, nós.

Lagom significa algo como "no ponto". Assim, a água do banho pode estar lagom. Podemos trabalhar uma quantidade lagom. Estas calças assentam de forma lagom. É uma palavra que se pode usar em quase todos os contextos e aplicada ao trabalho, ao lazer, à família, às relações, à casa, à beleza, a tudo.

Como não vou estar a replicar o livro - e teria de replicar 300 páginas - vou deixar aqui alguns conceitos que eu gostei particularmente e que espero que vos incentivem a levar este livro para casa. É também um bom livro para se ter na mesa da sala, para se folhear e estudar de tempos a tempos e tem ilustrações e fotografias bonitas de inspiração e todos os temas têm dicas práticas e exemplos de do it yourself para por em prática.



Em casa...

- Os suecos odeiam ter coisas atafulhadas e isso significa que não se tem a casa (e a vida) organizada. Uma das palavras de ordem é não acumular e se demora mais de cinco minutos a encontrar algo que procura é um sinal de que necessidade de desatafulhar.

- Novo não é necessariamente melhor. Isto significa que a melhor forma de decorar a casa é misturar móveis e encontrar o equilíbrio entre o novo e o velho, o vintage e o moderno. Acho que a minha corresponde a esta descrição. Tenho uma casa lagom.

- Os suecos também são engenhosos e apostam em grande neste conceito criativo de reutilizar e criar coisas a partir de outras coisas.

- E usar sapatos em casa está proibido. Mesmo quando se dá jantares em casa, os sapatos de todos os convidados ficam à porta e ninguém acha isto estranho. Toda a gente convive de meias. Já quero incutir isto na minha vida.

No bem-estar...

- Relaxar é tão obrigatório no dia-a-dia como trabalhar, comer ou dormir. E uma das coisas que os suecos veem como fundamental é dormir bem. E aquilo que fazemos antes de dormir é essencial para o descanso. Ou seja, perseguir ex-namorados no facebook ou ficar a ver instagrams na cama dificulta um sono pleno e contribui para a ansiedade. E também recomendam que se evite o uso de qualquer ecrã durante cerca de uma hora antes de ir dormir. Bye bye séries da netflix na cama. Eles recomendam ler um livro, ouvir música, tricotar, bordar, colorir e estar com a família e animais.

- O mergulho matinal é fundamental para o bem-estar. É a única coisa necessária para acordar e estar-se preparado para o dia. Quem não está perto do mar ou do rio, eles sugerem um duche diário com água fria. Brrr não sei se terei coragem de experimentar.

- A natureza é uma das formas simples de viver em bem-estar. Para os suecos a vida não se vive longe da natureza. Caminhadas, piqueniques, passeios na praia, campismo, andar de bicicleta... tudo o que nos faça passar tempo ao ar livre é uma boa opção.


Na felicidade física...

- Lagom também significa comer com moderação, o que na nossa cultura pode ser difícil de conceber porque adoramos comer. Mas não é à toa que eles estão no topo do ranking dos países com mais alta esperança média de vida. A dieta nórdica é considerada das melhores do mundo, boa para o coração e para a cintura.

- O exercício físico faz parte da vida sueca mas não necessariamente na forma que nós a vemos: ginásios e corridas. Eles sugerem outras formas de incorporar o exercício no dia-a-dia: ir para o trabalho de bicicleta (quando possível), estacionar o carro no fundo do parque para se andar mais, usar as escadas em vez do elevador, ficar em pé em vez de se sentar e andar e conversar em vez de estar sentado no café.

- Os suecos são adeptos de roupa simples e prática, o que talvez seja difícil de implementar na nossa realidade consumista. No livro, Niki mostra como ter um guarda-roupa minimalista.

No sucesso...

- Madrugar (oh meu Deus!) é a palavra de ordem. E esta para mim parece-me difícil de conseguir por em prática.

- Fazer pausas. Tão simples quanto isso. A fikapaus é uma pausa para tomar café e comer qualquer coisa, para conversar um pouco, para relaxar. E isto é obrigatório no conceito sueco de sucesso e aplica-se em todas as empresas. Por os pés em cima da secretária de vez em quando faz todo o sentido porque ser-se produtivo só é possível quando se tem a mente (e o corpo) fresca.

- Não temos de trabalhar vinte e quatro horas. Para os suecos é obrigatório chegar a casa e desligar. Ou seja, sem ver emails, sem falar com os colegas no facebook, sem telefonemas, sem pensar no que há para fazer no dia seguinte.

E que mais?

Isto é apenas uma décima parte do que o livro tem. Podem encontrar o guia lagom para a amizade, como receber amigos em casa, encontrar o equilíbrio nas relações, o casamento lagom, o guia lagom para ser pai, a abordagem lagom aos brinquedos, incentivar as crianças a estar ao ar livre, viver de forma lagom durante as celebrações como o Natal, como respeitar a natureza, reciclar, poupar energia em casa e até reduzir a nossa pegada no mundo.

É um livro que se lê muito bem de uma assentada. Eu li-o em meia dúzia de dias e fui marcando páginas e páginas e, no fim, já tinha umas oitenta páginas marcadas de coisas que quero guardar, reler e tirar notas.

Lagom de Niki Brantmark, Editora Planeta.


3 comentários

  1. Já li o Hygge e gostei muito da abordagem, mas senti que não era bem a minha cena. Este Lagom parece-me melhor, vou ler!

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    1. Rita, também acho que vais adorar este. Porque é muito mais realista :)

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  2. Não li o Hygge o Lagom mas estou muito curiosa. Este tipo de abordagem e este tipo de cultura cativam-me.

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