Colecção de perfumes: como conservar e guardar perfumes para a vida

17 de abril de 2018

Começo já por dizer que este não é o tipo de fotografias que goste de partilhar: são show off demasiado e incentivam ao consumo, duas coisas que não gosto de fazer. Mas depois de afastar esta primeira impressão, a verdade é que todos nós temos a liberdade de investir o nosso dinheiro naquilo que bem quisermos. Há quem se perca com sapatos, com malas, com casacos, com carteiras, com discos, com livros, com perfumes, com carros, com comida, com tudo.

Eu não sou muito consumista e não me perco assim com muitas coisas. Provavelmente com livros, mas isso já sabem. Mas tal como já partilhei noutras circunstâncias (e no Instagram), há uma coisa na beleza pela qual sou absolutamente maluca. E isso é perfumes. Quando era adolescente e não tinha dinheiro para os comprar, passava todos os dias cremes no pescoço e atrás das orelhas para, pelo menos, manter um pouco do aroma durante as primeiras horas do dia. Mas também não me perdia de amores por perfumes porque, os poucos que ia conhecendo, deixavam-me com dor de cabeça e enjoada (provavelmente fruto de experiências com perfumes manhosos).

O primeiro perfume "a sério" que tive foi um Kenzo - aquele clássico da papoila. Dado por um rapaz com quem tive uma paixoneta no meu primeiro trabalho na praia aí pelos 15 anos. Chamava-se Rafa e nunca mais o vi na vida. Ficou para sempre na minha memória como o Rafa do Kenzo (e até escrevi sobre isto neste post). E depois tive um Chloé. E depois de uma dezena de Chloé, continuam a ser os meus favoritos. A par com CK (porque são muito masculinos, os meus favoritos), Carolina Herrera, Marc Jacobs, Miu Miu, Moschino (os raros doces que consigo tolerar e até gostar), DKNY (só o da maçã vermelha é que me deixou por morrer, de resto gosto de todos e o meu favorito é o City, que não aparece nas fotos porque está na minha mesa (juntamente com Guerlain e CK2 que adoro), e ando desejosa de ter o Nectar Love (é o novo e cheira divinalmente).

Se viessem todos da minha carteira, teria tantos? Provavelmente não. Mas também assumo isso. Tal como também não teria tantos, tantos livros se não recebesse uma grande parte deles. Mas em perfumes e livros é onde também invisto algum do meu dinheiro. Porque são compras para a vida. E quando bem guardados e conservados, podem durar anos e anos.


Como arrumar e conservar perfumes

Em 2015, escrevi no Observador algumas dicas para fazer com que o perfume dure mais tempo na pele. Porque adoro quando passo por alguém com um perfume tão bom que me faz virar para cheirar melhor. E gosto de pensar que também sou uma dessas pessoas que deixa o seu perfume no ar.

É por isso que passo sempre creme no pescoço e peito antes de aplicar o perfume (vai prender o aroma), borrifo-me sempre antes de vestir (para metade do perfume não ir para a roupa) e não esfrego os pulsos (para não eliminar as notas de cabeça do perfume).

Mas também sou obcecada pela arrumação em si. Pelas fotografias, parece que tenho os perfumes abandonados ao deus-dará no móvel mas não estão. Um perfume bem conservado pode durar dez anos ou mais até o cheiro começar a alterar-se. Tenho aqui em casa dois Acqua Fresca de O Boticário (mostrei neste post com algumas coisas vintage) que a minha mãe me deu em miúda, lá para 1992 ou assim. E ao invés de os usar, guardei. Porque, para mim, eram preciosos e não os queria usar nos dias banais do dia a dia. Posso dizer-vos que ainda cheiram bem. Não sei se é o cheiro original mas acredito mesmo que sim.


Devo ter mais do que um perfume? 

Claro que sim! Para mim, os perfumes estão relacionados com o estado de espírito com que estou em cada dia. Mas há outra questão: para quem usa o mesmo perfume todos os dias, o nariz também se habitua ao aroma e deixam de o sentir. Assim, acabam por aplicar mais do que o necessário (o que pode ficar enjoativo para quem está ao vosso lado) e gastam também mais rapidamente o perfume. Eu não sirvo de exemplo mas aconselho a terem uns cinco de que gostem. Um mais forte e sedutor para a noite (como Marc Jacobs Decadence, CK Euphoria, Guerlain La Petit Robe Noir ou Jean Paul Gaultier) e quatro mais leves para o dia a dia e para o trabalho (como qualquer um de Chloé, CK Eternity ou CK One ou CK Two, qualquer um de Carolina Herrera menos o Good Girl que é muito forte e, para mim, melhor para usar à noite, Marc Jacobs Daisy, Giorgio Armani Acqua di Gioia...).

Posso comprar um perfume que gostei noutra pessoa?

Nunca. Tenho amigas que vêm cá a casa experimentar perfumes para escolherem um para elas. Isto porque uma fragrância nunca se manifesta da mesma forma em duas pessoas. Vai depender da nossa pele, da nossa própria química corporal, do nosso suor e até de factores genéticos. Mas também ir a uma loja experimentar perfumes mata qualquer pessoa. Ao fim do quarto, provavelmente já estamos enjoados. Daí que vale a pena usar e abusar daqueles papelinhos de teste, escrever o nome de cada perfume e guardar o papelinho. Ao longo das horas, os aromas vão mudando e são esses que importam porque são os que serão sentidos ao longo do dia quando os aplicamos em nós. Depois de escolherem aqueles dois ou três que realmente gostaram, experimentem-nos na vossa pele. E só depois disso abram os cordões à bolsa e invistam o vosso dinheiro.

Devo guardar os perfumes nas caixas?

Sim, sempre e nunca na casa de banho. Se mantiverem um perfume guardado num ambiente seco e longe do calor, da humidade e da luz solar, acreditem, ele pode durar anos e anos e anos e anos. Os que veem nas fotografias fora das caixas, são os que estou a usar no momento (e outros são já muito antigos e de uma altura em que não sabia esta informação e não guardava as caixas). Provavelmente, daqui a quinze dias já estão outros fora das caixas. Por exemplo, tenho agora fora da caixa o Marc Jacobs Pear, o Luna da Nina Ricci, o So Real Cheap & Chic de Moschino e o Prada Candy porque estou nesse mood. Mas estiveram fechados até agora e só de vez em quando os abri no último ano.

Os perfumes não são vinhos. Não ficam melhores com os anos. Mas se estiverem bem conservados podem durar quase uma vida. Mas também acho que quem colecciona (como eu), faz isto por prazer: usa o perfume enquanto ele é jovem e guarda o resto para a posteridade. Já tenho o meu Modern Muse de Estée Lauder e o See by Chloé quase no fim e já não devo usar muito mais deles porque quero-os guardar (no dia a dia, tenho-os nas caixas. Só os tirei para as fotografias).

Porquê? Porque muitas das nossas emoções estão relacionadas com os aromas. É uma sensação primária do ser humano. Quando os cheiro, lembro-me de muitas memórias que quero preservar e que tenho a certeza que, quando os cheirar daqui a dez anos (e se tiver a sorte de os ter bem conservados), me vão novamente vir à cabeça.

O prato de dois andares é, na verdade, um prato para bolos que comprei no Jumbo mas que funcionou na perfeição. O prato branco é da Zara Home e tenho também aqui a minha caixa de sabonetes Castelbel, outra das coisas que adoro.

Esta caixa de jóias é da Zara Home e, atrás, tenho mais uma caixa de gavetas (comprei na Muji) com mais sabonetes. Os anéis são da Stone by Stone e os brincos da nova linha de bijuteria do Jumbo Moda.






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