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  • Helena Magalhães

Literatura feminina é mais do que chick lit banal


Uma das coisas que mais tenho reparado nos últimos tempos é a quantidade de livros bons e populares que banem totalmente o papel da mulher nas suas histórias. Falei disso na semana passada até – a propósito do Hotel Majestic que adorei mas é um rol de personagens masculinas em destaque e onde as mulheres apenas entram como secundárias. E isto deixou-me a pensar neste assunto durante alguns dias.

Já nem vou falar na Disney – onde o herói é quase sempre, sempre a personagem masculina salvadora de todos os problemas que a feminina cria/passa. Mas mesmo nos livros infantis com animais – onde se tenta criar um género neutro – as personagens são em grande parte dos casos masculinas. E isto tem sido um padrão no último século. Até um dos meus livros favoritos de todo o sempre e um marco da literatura que vai fazer parte dos rituais de passagens de todos os adolescentes durante as próximas décadas – Harry Potter – é centrado numa personagem masculina (Harry) que apesar de ter uma feminina heroína que nos ensina bastante sobre caracter, força e inteligência (Hermione), o seu papel está centrado em ajudar o personagem rapaz a resolver os conflitos centrais da trama.

Há uns tempos – antes do Diz-lhe Que Não sair – um colega jornalista do Expresso disse-me algo do género: “não esperes que o teu livro seja falado nas revistas de destaque mas és capaz de te safar nas femininas e assim”. E, conscientemente ou não, ele centrou todo um problema numa frase banal – o meu livro, com personagens femininas no primeiro plano e onde os homens são meramente secundários, é visto como um livro “chick lit” (algo do género romance barato para raparigas). Não é que esteja à espera de receber um Pulitzer nem nada que se pareça, mas é esta descredibilização que faz com que muitos autores se foquem em personagens masculinas. Escrever para e sobre mulheres ainda é um universo cinzento como se ter uma audiência feminina significasse que não temos nada de muito importante para dizer ao mundo.

Se for um livro sobre mentiras e tramas entre mulheres (como o Pequenas Grandes Mentiras de que falo abaixo), é um cliché fútil. Mas se forem homens, é um policial sério. Se for um romance pelo ponto de vista de uma mulher, é “chick lit”. Mas se for do ponto de vista de um homem é literatura romântica – um bem-haja aos Nicholas Sparks da vida. Claro que estou a generalizar, mas só vos quero deixar a pensar nisto.

Por isso, esta semana, decidi reunir alguns livros sobre mulheres, para mulheres, de (e não só) mulheres. Literatura que coloca a mulher como personagem central e passa, ao mesmo tempo, grandes mensagens sobre a vida. Falo de personagens femininas divertidas, fortes, com relevo nas narrativas e com algo para dizer ao mundo. Longe de clássicos e bestsellers que toda a gente conhece, decidi ir para outros tipos em vários registos – desde históricos, a fantástico ou romances – que dão boas leituras tanto para homens como para, nós, mulheres.

Estes estão em promoção esta semana no site da Fnac:


1) O Caderno de Maya de Isabel Allende; 2) A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusak; 3) A Bastarda de Istambul de Elif Shafak; 4) A Coisa à Volta do Teu Pescoço de Chimamanda Ngozi Adichie; 5) A Chama de Sevenwaters de Juliet Marillier; 6) Vitória de Inglaterra de Isabel Machado.


1) A Rainha Ginga de José Eduardo Agualusa; 2) A Herança Bolena de Philippa Gregory; 3) Pequenas Grandes Mentiras de Liane Moriarty; 4) A Cor do Hibisco de Chimamanda Ngozi Adichie; 5) Eleanor & Park de Rainbow Rowell; 6) A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo de Stieg Larsson.

Estes não estão em promoção mas valem a pena o investimento:


1) Nome de Código: Leoparda de Ken Follett; 2) O Rouxinol de Kristin Hannah; 3) História do Novo Nome de Elena Ferrante; 4) O Meu Nome é Lucy Barton de Elizabeth Strout; 5) Luz e Sombra de Leigh Bardugo; 6) Hoje Vai ser Diferente de Maria Semple.

Gosto, gosto, gosto de receber sugestões porque uma pessoa não encerra em si todo o conhecimento do mundo. Se tiverem dicas, recomendações ou livros que vos marcaram de uma forma especial, enviem-me por comentário ou email 🙂

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