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  • Helena Magalhães

Suplementos alimentares: as pílulas mágicas do Instagram?

Post escrito em parceria com a Pharmagreen


Os suplementos alimentares estão em todo o lado. São coloridos, bonitos, prometem muita saúde, beleza e ficam bem nas fotografias do Instagram. E agora que já captei a vossa atenção com esta primeira frase, deixem-me começar de novo.


Os suplementos alimentares não são uma moda das redes sociais. Mesmo que pareça. Porque vemos toda uma vaga de celebridades e influencers a apregoar os seus benefícios e a sua toma como se de rebuçados se tratasse. Os suplementos são uma fonte concentrada de nutrientes ou de outras substâncias com efeito nutricional ou fisiológico. Ou seja, embora vendidos sem prescrição médica, não são gomas ou rebuçados e é preciso segurança e cautela na sua toma porque muitos apregoam benefícios que não são reais e as celebridades, como as Kardashians, dão a cara por eles em troca de contratos milionários.


As Kardashians e os suplementos em formas de gomas


Tem havido uma grande polémica com as irmãs e os suplementos (ironicamente) em forma de gomas a que dão a cara. Promovem um crescimento do cabelo mais forte, rápido, longo e brilhante. Vitaminas que nos vão dar um cabelo igual ao das Kardashians? Já começa aqui o erro – as Kardashians usam extensões, perucas, cabeleireiros, filtros nas fotografias... Mas o imaginário de um cabelo assim é fácil de vender. E o que são estas gomas mágicas? Um suplemento com uma série de nutrientes, entre eles o destacado Biotina, que prometem cabelos mais fortes. Mas basta uma pesquisa rápida no Google para lermos que a carência de Biotina é bastante incomum porque está muito presente na alimentação. Assim, provavelmente, vamos estar a ingerir uma dose excessiva de Biotina que não precisamos e eventualmente não vai ter assim tanto efeito naquilo que promete.


E – o crème de la crème – 3 caixas de ursinhos (para os 3 meses que afirmam ser necessário fazer o tratamento) custa 90 dólares. E, enfim, se uma pessoa achar que está mesmo com carência de Biotina (nem que seja apenas psicológica), pode tomar um suplemento de fonte única de Biotina por menos 90% do valor das gomas.


Mas o mercado de suplementos veio para ficar. E isso também é bom. Se soubermos procurar marcas credíveis, opinião de profissionais e não nos guiarmos pelos gurus do Instagram


Lembram-se quando se falava sobre o futuro e se imaginava um mundo em que o ser humano se iria alimentar apenas de cápsulas? Bem, felizmente isso ainda não aconteceu. E uma vez que gostamos muito de comer, é pouco provável que os nossos compatriotas dos próximos séculos se virem para a alimentação em pílulas. Mas a verdade é que os suplementos alimentares vieram para ficar e são um grande complemento à nossa vida moderna, por vezes, com algumas carências. Segundo dados da Marktest, em 2017 já cerca de 2 milhões de portugueses tomavam suplementos, mais de 60% mulheres. E dados internacionais estimam que, em 2024, esta indústria vai atingir os cerca de 200 biliões de dólares em vendas.


Mas não são pílulas mágicas que podemos tomar para compensar tudo o que de errado fazemos com nosso corpo no dia-a-dia.


Como sabem, gosto muito de falar sobre estes temas, sobre as modas das redes sociais e expor algumas informações e, enfim, sensibilizar (dentro do possível) quem me lê. Acredito no passa-a-palavra e no poder da comunicação. E se, quem me ler, partilhar com uma amiga que partilhar com outra amiga... a informação vai passando. Em parceria com a Pharmagreen, procurei desmistificar muitas dúvidas e juntar informações para tornar este post credível e informativo.


Todos precisamos de tomar suplementos?


Aquilo que mais me questiono é: se tenho uma alimentação equilibrada, preciso de suplementos? Na teoria não iríamos precisar, certo? Certo. Mas o que é uma alimentação equilibrada? Para pessoas diferentes, o conceito de alimentação equilibrada pode ser muito variável e o próprio corpo de cada pessoa reage de forma diferente. Eu faço uma alimentação equilibrada, sou saudável e quase todos os anos tenho de fazer suplementação de ferro, ácido fólico e vitamina B12 porque, apesar de achar que me alimento bem, pelos vistos o meu corpo não faz boa absorção destes nutrientes pela alimentação.


Assim, todos precisamos e beneficiamos de suplementos. Principalmente na sociedade actual em que existe muita desinformação na área da alimentação e nutrição (muito graças aos gurus das redes sociais) e muita gente segue dietas muito limitativas sem acompanhamento profissional. E, claro, todos beneficiamos de suplementos em diversas fases da vida (como a gravidez), ou para problemas específicos (queda do cabelo ou acne), ou objectivos específicos (como os atletas).


Então se todos beneficiamos, onde estão os perigos?


As redes sociais são palco de grande parte da desinformação, uma vez que muito do público dos influenciadores são adolescentes e jovens com pouca informação que podem ser induzidos em erro ao ver tantas fotografias bonitas de suplementos no dia-a-dia dos influenciadores como se de chocolates se tratassem e, enfim, decidirem tomar suplementos que não precisam ou que podem interagir mal com cada pessoa.


Muitos influenciadores comunicam suplementos de uma forma até um pouco perigosa. Dizem que tomam porque andam cansados, porque querem estudar melhor, porque a amiga tomou e gostou, porque a estação vai mudar e querem estar mais activos, porque dormem pouco e precisam de mais energia... Vamos ser honestos, todos nos sentimos cansados no nosso dia-a-dia. São as desvantagens de sermos adultos. E isso não é justificação para tomar um suplemento que vimos alguém nas redes sociais a dizer que adorou.


Quando procuramos um suplemento devemos, antes de mais, reflectir sobre o porquê. Porque querem tomar um suplemento? Porque viram no Instagram? Porque as vossas amigas tomaram e juram efeitos milagrosos? Porque acham que devem tomar na mudança da estação? Questionem-se primeiro: que sintomas tenho? O que espero obter com a toma deste suplemento? Será que poderia obter os mesmos resultados com alterações da minha alimentação ou do meu estilo de vida?


E esta avaliação deve ser feita, em primeiro lugar, por um profissional ou, em última análise, conversem com o farmacêutico. Não tirem conclusões depois de verem fotografias nas redes sociais. O segundo passo é, dentro de uma enorme variedade de suplementos em diferentes dosagens, formas de apresentação e marcas, escolher qual é o mais indicado. E, mais uma vez, procurem o aconselhamento de um profissional.


O que estes influencers e gurus do digital nos fazem crer é que os suplementos vão compensar uma má alimentação ou um mau estilo de vida. Durmo pouco, alimento-me mal, não faço exercício físico... mas tomo este suplemento mágico que me revitaliza o corpo e a mente. E isto é errado. Os suplementos são (como o nome indica) para suplementar, dar uma quantidade extra e algo que esteja a fazer falta, não são substitutos em modo algum de tudo aquilo que estamos a fazer de errado com o nosso corpo. Não há sequer comparação possível. Os alimentos têm uma complexidade nutricional na sua matriz que não é possível alcançar com nenhum suplemento.


Mas não posso tomar um suplemento porque sinto algum sintoma?


Claro que sim. Daí os suplementos não terem prescrição médica. Mas não tomem só porque acham que sim ou porque mal também não faz.


Se têm acne podem procurar um suplemento que tenha benefícios na pele. Se têm queda de cabelo (como eu, muita!), vão beneficiar com um suplemento que fortaleça o cabelo e diminua a queda. Se querem prevenir as gripes com a entrada no tempo frio, faz todo sentido procurarem um impulsionador do sistema imunitário. Se sofrem muito com o sol (como eu que sou pálida), claro que vão beneficiar de um suplemento específico na altura do ano em que há maior exposição solar.


Estes são os sintomas que devem falar ao vosso médico ou farmacêutico e informar-se sobre o suplemento mais adequados para as necessidades que procuram suprir.


E é melhor um multivitamínico ou um suplemento de fonte única?


Vai sempre depender de cada pessoa e das suas necessidades e, na grande maioria dos casos, faz mais sentido suplementar apenas o que é necessário. Os suplementos isolados fornecem a vantagem da combinação poder ser personalizada.


O Ómega-3 é um bom aliado na diminuição do colesterol e dos triglicéridos mas é como o anúncio da manteiga que reduz o colesterol. Não podemos tomar este suplemento e continuar a comer tudo aquilo que não devemos e esperar milagres. O Shark é um excelente suplemento para reforçar o sistema imunitário e prevenir gripes e constipações. Em alguns países escandinavos, o óleo de fígado de tubarão é usado de forma popular como um reforço no inverno. Mas não podemos tomar este suplemento e sair todos os dias de casa de t-shirt porque estamos protegidos. É a mesma linha de pensamento em qualquer suplemento.



Ficou tanta coisa por dizer – e um tema que gosto muito que é o dos suplementos naturais serem, ou não, mais seguros – que vou fazer um segundo post com a ajuda da Pharmagreen e tirar mais dúvidas.


Este post foi escrito com a ajuda de especialistas da Pharmagreen. Para mais informações sobre os suplementos ou opções que a Pharmagreen tem no mercado, consultem www.pharmagreen.pt.


Fotografia de capa do Pinterest.