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  • Helena Magalhães

Magapaper: como criei uma marca handmade e eco

"Se queres voar, tens de largar aquilo que te puxa para baixo". É uma das minhas frases favoritas de Toni Morrison e na qual penso muitas vezes. Porque seja qual for o teu sonho ou objectivo, vão sempre haver contratempos que te puxam para baixo. E depois de tanta gente me ter abordado após o lançamento do primeiro Book Journal, decidi falar um pouco de tudo o que está por detrás dos produtos finais que faço. Exactamente para mostrar que nada começa de forma fácil e sem trabalho mas, acima de tudo, que vamos aprendendo e melhorando. Se tens um sonho, começa. Começa simplesmente. Aprende, testa, experimenta. Com o tempo (e a prática) vais melhorando e aperfeiçoando.


O sonho do Book Journal - dos "nãos" à ideia de fazer tudo à mão


No Verão de 2018 comecei a pensar que sentia falta de um diário de leituras - um Book Journal, na falta de melhor palavra para o descrever em português. E os que encontrei no mercado (na verdade foi só um) eram antigos, muito básicos e não correspondiam ao potencial que imaginava num produto como este. Mas como começar? Não percebia nada de design, não sabia como criar de forma gráfica tudo aquilo que tinha desenhado num bloco de notas. E pedi ajuda a pessoas que eram designers. Todas queriam ajudar mas o tempo passava e adiavam sempre. E isto vai sempre acontecer. Nem sempre as outras pessoas estão assim tão entusiasmadas para nos ajudar a realizar os nossos sonhos. E isso também é ok. Andamos todos no nosso caminho. Depois de meses a procurar ajuda, a minha amiga da marca Missus Swimsuits sentou-se comigo no escritório dela um dia à noite e desenhou a base do Book Journal. A ajuda dela foi preciosa porque me mostrou o que tinha de fazer. Depois do Natal, fui aprender design básico apenas para saber mexer no Illustrator e, algures em Janeiro, tinha o meu produto desenhado. Agora faltava encontrar a gráfica certa e voilá, o meu Diário de Leituras iria estar finalizado.


Parecia fácil, não era? Mas esta revelou-se a maior dificuldade de todas. Passei meses e meses a bater à porta de gráficas. Ninguém queria trabalhar comigo porque nenhuma gráfica queria trabalhar com pequenas quantidades. Pediam-me de 1500 exemplares para cima e eu posso ser bastante sonhadora mas também tenho os pés assentes na terra. E 1500 exemplares era um número demasiado elevado num produto de nicho e sem estar à venda em lojas.


Em Junho, uma gráfica aceitou produzir-me 250 exemplares e cheguei a fazer uns testes com eles. Estava apreensiva, confesso, porque iria pagar muito para produzir estes 250 exemplares mas queria arriscar. Ficou combinado que iriam produzir durante Julho mas simplesmente deixaram de me responder aos emails. Honestamente, em vez de desanimar, senti que era um sinal. Tinha-me cruzado com uma rapariga que dava cursos de trabalhos manuais e que me disse para os fazer à mão. Pensei que era impossível. Que iria ficar um produto mal amanhado e longe de tudo aquilo que tinha imaginado. E andava tão focada em ter um produto em formato livro que nunca me passou pela cabeça que, eventualmente, as pessoas preferiam com argolas por ser mais fácil de manusear. Um dia fiz um story e questionei se preferiam agendas em formato livro ou argolas e 98% disse argolas. Convencida, fui aprender a fazer. O meu verão de 2019 foi literalmente no meio de testes, de impressões, a descobrir como fazer capas duras, a comprar materiais para encadernar, furar, argolas e, já que iria tentar fazer tudo à mão, a tentar encontrar os materiais mais ecológicos possíveis e o melhor papel. Os primeiros testes foram feitos na minha velhinha impressora Epson XP-225. A primeira vez que vi o Book Journal impresso, tive a certeza que estava no caminho certo.


Impressão e produção eco. Dos testes ao produto final de sonho


As primeiras capas que tentei fazer foram com cartões de caixas de bolachas e de outras coisas que tinha em casa. Pensei que era uma forma engraçada de reutilizar cartão. Mas rapidamente percebi que esse cartão não era duro suficiente para suportar uma agenda. Era uma ideia bonita mas não prática. E muito menos realista.


Depois de contactar imensas empresas que vendiam cartão, encontrei uma fábrica que faz cartão duro através de pasta de papel reciclado. Fizeram-me uns testes e até hoje continuo a trabalhar com eles. Mas eu também queria fazer cadernos e postais ecológicos e, portanto, imprimir em folhas até 300g recicladas. E a minha impressora velhinha não tinha capacidade para imprimir centenas e centenas de folhas e muito menos de gramaturas tão elevadas. O próximo passo foi comprar outra impressora e optei pela Epson XP-900 (todas as impressoras que tive até hoje foram Epson, nem sei explicar porquê. Sempre gostei da marca) porque me permitia imprimir em folhas de diversas texturas e gramatura.


A meio de Setembro - e após dezenas e dezenas de capas testadas, dedos cortados, uma ida ao hospital com um corte tão profundo feito com um x-acto que pensei que ia ficar sem dedos e a decisão de comprar uma gilhotina quase industrial para cortar resmas de papel, encontrar produtores de argolas, elásticos, papel ecológico e um sem fim de outras coisas importantes para criar um único produto - o Book Journal nasceu.


E passei de fazer um único produto e de ficar satisfeita e orgulhosa para, de repente, ter tido 50 encomendas só no primeiro dia de pré-venda, o que me obrigou a encerrá-la porque nunca tinha tentado fazer 50 produtos à mão num curto espaço de tempo. A adesão, entusiasmo e, sobretudo, confiança das pessoas foi motivador. Eu questionava-me: como é que as pessoas confiam que o que tenho é realmente um produto bem feito? Porque nem eu confiava que aquilo que estava a dar era tão bom assim.


Mas gostaram. E mais e mais encomendas foram chegando. E ideias para fazer mais produtos, sugestões, pedidos de produtos personalizados. O que mais me surpreende é que parece que passou um ano mas, na verdade, passaram-se 3 meses. Entre Setembro e Dezembro, fiz mais de 150 produtos à mão entre Book Journals, cadernos e Agendas anuais.


E a conclusão a que cheguei a meio de Dezembro foi que não podia continuar assim. Todo o meu propósito de ter produtos de papelaria e incentivo à escrita ecológicos com miolos de capas de pasta de papel reciclado, capas impressas em papel reciclado, agendas impressas em papel ecológico, com o mínimo desperdício possível porque é tudo feito à mão era literalmente abafado pela quantidade absurda de tinteiros que tinha gasto nesses 3 meses. Não contei, para não desanimar. Mas encheram um caixote. E senti-me hipócrita.


Imprimir com a EcoTank


Em Dezembro, uma seguidora perguntou-me como é que imprimia (parecia que tinha adivinhado as inquietações que me iam na cabeça) e mostrou-me as EcoTank da Epson que, por alguma razão, e apesar de ser cliente há anos, nunca tinha ouvido falar. A primeira vez que entrei no site e li, pensei genuinamente que só podia ser informação um pouco enganadora.


Uma impressora que imprime sem tinteiros e que tem tanques que se enchem e equivalem a cerca de 80 tinteiros parece irreal.

Mas fiquei obcecada com isto. Perdi a vergonha e contactei a Epson, queria saber mais informações sobre as EcoTank e entender como é que uma impressora sem tinteiros efectivamente trabalhava. Porque se eu, que era cliente há anos e já tinha duas impressoras Epson, nunca tinha ouvido falar desta solução alternativa, ecológica e moderna, imagino que o mesmo se aplicasse a muitas mais pessoas que trabalham com impressões diariamente ou têm pequenos negócios como o meu.

Quando me propuseram ser meus parceiros, não podia recusar. Mais do que experimentar uma EcoTank que se adaptasse às minhas necessidades e partilhar a experiência nas redes sociais, era a possibilidade de melhorar a Magapaper, torná-la mais ecológica como eu queria e poder fazer impressões em grande quantidade. Com a XP-900 tive o problema de encher as almofadas de tinta ao fim de 3 meses, o que obrigou a levar a impressora para manutenção para trocarem as almofadas. E esta era uma questão que, na EcoTank, eu não queria ter. Com a quantidade de impressões que faço, precisava de uma impressora com almofadas de tinta consumíveis que pudesse fazer a sua troca em casa (é para onde vão os restos de tinta que se soltam durante as impressões) e que, nesta EcoTank, vão para uma caixa que depois se troca quando está cheia (sem necessitar de ser um centro Epson a fazer a troca de almofadas).


Em Janeiro chegou a EcoTank-4750. Efectivamente as EcoTank funcionam com um sistema de tanques de capacidade elevada que elimina totalmente a necessidade de utilizar tinteiros. Cada garrafa equivale a cerca de 80 tinteiros e, como os tanques estão alojados à frente, podemos controlar as quantidades de tinta que temos. O enchimento dos tanques é fácil, intuitivo e as garrafas estão preparadas para evitar fugas e derrames. Têm também um mecanismo próprio para assegurar que só são inseridas as cores certas em cada tanque (era um medo que eu tinha, enganar-me e encher o tanque errado).

Não consigo controlar as impressões que faço para vos dar um número exacto mas as informações da impressora dizem que cada conjunto de garrafas (4 cores) permitem imprimir 14 mil páginas a preto e 11 mil a cores. O que posso dizer é que, neste último mês, já fiz dezenas e dezenas de agendas e comecei a produção de diários, notebooks, bullet journals, blocos A6 e outros produtos novos que ainda não posso revelar. E, como podem ver na fotografia, os meus tanques ainda nem a meio vão.


E tem outras funcionalidades úteis: wi-fi, impressão frente e verso, um tabuleiro que permite colocar logo 250 folhas (útil para mim que imprimo logo 4 agendas de uma só vez sem ter de estar sempre a virar as folhas e a encher o tabuleiro). É rápida qb (impressão frente e verso é mais lenta) e a qualidade é fabulosa (as capas que são impressas num papel eco ficam com uma saturação maravilhosa). Falta referir o melhor: o preço das garrafas é ainda mais acessível que os tinteiros habituais. Um pack de tinteiros da XP-900 ronda os 60€ e as 4 garrafas da EcoTank rondam os 40 (mas equivalem a 80 packs de tinteiros).


Os postais e capas de cadernos em papel de gramatura elevada continuo a fazer na XP-900 porque esta EcoTank não permite. Pelo que, se procuram uma impressora EcoTank para fazer impressão em papel mais grosso (os meus postais têm 300g), têm de se informar se há alguma mais específica para isso.


No verão de 2018 quando comecei a sonhar esta ideia, jamais me passou pela cabeça que, um ano e meio depois, estaria a fazer tudo isto. Jamais imaginei que iria fazer à mão. Jamais imaginei que pudesse sequer ter jeito para isto. Jamais imaginei que algures neste país houvesse mercado para uma marca assim. E jamais imaginei conseguir fazer tudo isto de forma sustentável, o mais ecológica possível e com materiais reciclados ou (quando isso não é possível) amigos do ambiente e quase tudo de fornecedores nacionais.


Uma marca de papelaria vive da impressão. E as EcoTank são o futuro das impressões, quer para escritórios ou pequenos negócios. Quando as impressoras começaram a ficar cada vez mais baratas no nosso mercado, as marcas foram criando tinteiros cada vez mais caros e cada vez mais pequenos para obrigar à sua troca regular. Acaba por ser uma solução óbvia para compensar o custo tão baixo das impressoras. E o futuro está exactamente nas empresas como a Epson que conseguem perceber quando há algo que precisa urgentemente de mudar. O impacto ambiental dos tinteiros e toners é gigante. Estima-se que só 15% dos tinteiros são efectivamente reciclados, o que significa que há mais de 75 mil toneladas de cartuchos descartados nos aterros da Europa e EUA. E Portugal é dos países que menos recicla. Além disso, os cartuchos de tinteiros têm complexos polímeros não-biodegradáveis e substâncias químicas.


O futuro é isto. E a Epson está na vanguarda. Vejam mais EcoTank aqui.

Se quiserem mais informações ou ajuda para qualquer coisa relacionada com agendas, impressões, máquinas para encadernar, ajudo com todo o gosto.


Parceria com Epson que ofereceu a EcoTank.

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