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Bookcast #2 Uma conversa sobre o pessoal estranho que só leu os resumos dos Maias na escola

15 de dezembro de 2017




Sabem o que é que falta por aqui? Pessoas sem medo de arriscar em coisas novas e diferentes no meio de um mar de peixinhos todos iguais. Claro que é mais fácil copiar o que toda a gente já faz. É mais seguro. É confortável. Tentar ideias novas implica dar tempo para serem implementadas. Dar tempo aos próprios leitores para ganharem o hábito de gostar dessa novidade. Qualquer coisa como 'primeiro estranha-se, depois entranha-se'. Mas o entranha-se pode nunca chegar e pode ser um falhanço. Mas pior que falhar é não arriscar ou simplesmente copiar.

Algumas das minhas opções mais saudáveis para um Natal doce (e menos calórico)

11 de dezembro de 2017


Todas as famílias têm tradições e, na verdade, acho que são mesmo esses hábitos passados de ano para ano que tornam as festas especiais. São legados que, sem nos apercebermos, vamos levar connosco e replicar. Quando eu era mais nova e lia que, quando fosse adulta, me iria tornar na minha mãe, ria-me. Mas agora dou por mim a replicar costumes dela. O que tem a sua piada...

#12 Quando paguei 150€ por um creme Chanel que a Clarice roubou para despedir a Marília


Há mais de um mês que não escrevia esta história e perdoem-me quem a segue religiosamente mas nem sempre tenho energia para continuar esta, digamos, telenovela fictícia. Sempre fictícia. Tentando pegar no último capítulo - o chapéu de chuva pegajoso, lembram-se? - posso dizer-vos que a coisa mais excitante que entretanto aconteceu foi que Clarice voltou. Eu, pessoalmente, não estava à espera e bufei por ter de a aturar novamente. A única pessoa que realmente ficou excitada com esta reviravolta foi Marília, que nunca a tinha conhecido.

Como decorar uma sala pequena no espírito de natal (e à prova de gatos)

30 de novembro de 2017


Este está a ser o meu primeiro natal nesta casa. Ou seja, foi a primeira vez que me foquei na escolha e compra de decorações tendo a perfeita noção que a minha sala é pequena e tudo o que fosse demasiado espalhafatoso iria tornar o espaço ainda mais pequeno. Há uma coisa que nunca me sai da memória nesta altura do ano: ter ido a casa de uma colega na época de natal e a sala dela parecer o circo porque tinha tanta, tanta, tanta bugiganga que chegava a ser claustrofóbico. E eu sei que o espírito do natal nos deixa malucos mas há que ter moderação.

Uma das coisas que disse logo desde início foi que não queria uma árvore. Porque a minha sala já está cheia de plantas - como podem ver aqui - e uma árvore iria tornar isto uma selva. Mas tive de ouvir a minha mãe a repetir a lengalenga da árvore ser obrigatória e que isso me iria trazer más energias. Acabei por ceder mas qb: comprei uma árvore pequena meramente simbólica mas abdiquei de todas as fitas e luzinhas demasiado chamativas (aos gatos, claro).

5 coisas que os homens fazem e que nos dão vontade de lhes dar um tiro na cabeça

28 de novembro de 2017

Todos os dias falo sobre isto com as minhas amigas. Sabem, aquelas que ainda não casaram e não falam de papas nestum e viroses e creches. Então, com as outras, as que ainda estão no mercado à procura da única uva que não esteja podre numa caixa de fruta fora de época, a coisa anda pelas horas da amargura. E eu gostava - juro que gostava - de estar casada com o meu namoradito de há cinco anos feliz da vida no meu drama com creches do que estar a viver a merda que é o namoro nos dias de hoje. Nem é o namoro que é uma merda, é mesmo chegar lá. Porque encontrar um homem normal, acreditem mulheres casadas, é raro. Então, parem de nos perguntar quando é que assentamos como se o problema fosse nosso.

O problema é que, ao contrário de vocês, procurámos mais do que o nosso namorado de sempre. E agora estamos a aprender a lidar com isso. E a vida está a dar-nos uma lição do caraças por pedirmos demasiado. É como se estivéssemos estado em coma durante os últimos cinco anos e agora acordámos e pimba: existem os Tinders da vida, os homens de 35 anos continuam a ir ao Urban Beach, tiram fotografias a aplicar ampolas para a queda do cabelo ao espelho, fazem selfies no carro a ir para o trabalho e continuam nos joguinhos de estar sem responder a ver se sofremos. E é difícil. Juro-vos que é muito difícil apaixonarmo-nos assim. Sorte a vossa e, acreditem, temos inveja de vocês.

Como ser Lagom em casa, na vida, nas relações, no lazer, no trabalho, no sucesso...

24 de novembro de 2017

Como já tinha contado, nunca tive um interesse muito grande pela moda do Hygge e do Lagom porque são modas culturais e é difícil colocá-las em prática na nossa realidade. Mas gosto quando me surpreendem e me fazem dizer: se calhar, isto vale a pena. Que foi o que me aconteceu quando comecei a folhear este novo Lagom de Niki Brantmark da editora Planeta. Em Portugal já foram lançados nos últimos meses, se não me engano, outros três Lagom de autoras e editoras diferentes. Li por alto um deles e não me interessei muito mas achei a abordagem de Niki interessante porque ela não é sueca. Inglesa, mudou-se para a Suécia há 10 anos e foi quando se apaixonou pela cultura "Lagom": trata-se de desacelerar, de aproveitar o tempo e de simplificar a vida. E o que ela propõe é exactamente uma forma de uma pessoa estrangeira - como ela - conseguir adaptar estes conceitos à sua própria vida e cultura. Ou seja, nós.

Lagom significa algo como "no ponto". Assim, a água do banho pode estar lagom. Podemos trabalhar uma quantidade lagom. Estas calças assentam de forma lagom. É uma palavra que se pode usar em quase todos os contextos e aplicada ao trabalho, ao lazer, à família, às relações, à casa, à beleza, a tudo.

Como não vou estar a replicar o livro - e teria de replicar 300 páginas - vou deixar aqui alguns conceitos que eu gostei particularmente e que espero que vos incentivem a levar este livro para casa. É também um bom livro para se ter na mesa da sala, para se folhear e estudar de tempos a tempos e tem ilustrações e fotografias bonitas de inspiração e todos os temas têm dicas práticas e exemplos de do it yourself para por em prática.


22 coisas que só um leitor compulsivo (e louco como eu) vai entender

22 de novembro de 2017


Hoje em dia penso seriamente que os livros mudam a nossa vida. Porque mudaram a minha. E continuam a mudar. Acho que não teria chegado a tanta coisa na vida se não tivesse sido (e sou) uma leitora compulsiva por querer saber mais, ler mais, conhecer mais. Os livros tornam-nos pessoas melhores, deixam-nos entrar na mente de pessoas que nunca vamos conhecer na vida, fazem-nos viajar e conhecer o mundo sem sairmos do nosso sofá e isto, meus leitores, é algo único e impagável. É um prazer quase gratuito e que podemos ter sozinhos connosco mesmos. Os livros ampliam a nossa mente, fazem-nos sentir menos sozinhos, menos estranhos, menos... diferentes? Mas este amor aos livros também nos torna, poderei dizer, um pouco loucos? Só quem ama tanto livros entende a luta que foi encontrar os móveis certos para acomodar os meus livros e que se encaixassem na minha sala e na forma como queria olhar para eles. Porque os livros também são parte da decoração.

Reuni uma série de coisas que só quem é um leitor absolutamente compulsivo vai entender. Claro que não fui eu que as inventei. Algumas são coisas que já li na internet e guardei porque me identifiquei, outras são coisas que me passam pela cabeça e obviamente não serei a única. Sintam-se livres para as retirar também para vocês.

As redes sociais não são um local feliz (deixei de seguir tanta gente e vocês deviam fazer o mesmo)

21 de novembro de 2017



Este era um texto que já tinha escrito há muito tempo mas que, como em tudo na vida, senti que precisava de alguma maturação. Ou de assentar as ideias e voltar relê-las mais tarde para ver se ainda sentia o mesmo. Porque - acreditem - há imensos textos aqui que, quando os volto a reler, tenho uma vontade louca de os apagar. Ou porque as minhas opiniões mudaram, ou porque os escrevi num momento de tensão ou até porque já não sinto os temas da mesma forma. Mas, ainda assim, tenho-me mantido fiel às minhas próprias emoções e estados de espírito e (ainda) não apaguei nada. Tudo o que lêem - quer no momento, quer meses depois - continua na mesma forma crua e emocional da altura em que foi escrito. E este é um trabalho interno que tenho vindo a fazer - aceitar que, depois de publicado, não posso alterar nada. Tal como se tivesse sido publicado em papel. É essa a obrigação do escritor e até uma forma de não defraudar o leitor.

Eis então porque me questiono se vale mesmo a pena a quantidade de tempo que perco a ver as redes sociais quando, na prática, não me deixam feliz. E deixarão alguém?

Redes sociais, vida real, divertimento e solidão

Há uns tempos fiz uma limpeza ao instagram e deixei de seguir umas 150 pessoas. Ora contas de marcas, ora contas de insta-celebridades, ora contas de pessoas que, na verdade, não me apetecia ver. Não amigos, claro, porque esses são poucos e interesso-me pelo que partilham. Mas conhecidos. Porque isto de conhecermos as pessoas e sabermos (muito ou pouco) da sua vida real faz com que, quando as vemos na sua vida virtual, nos sintamos enjoados com a quantidade de - desculpem-me - merda que publicam.

Queria então analisar porque vemos redes sociais. Talvez para nos inspirarmos, certo? Para nos rirmos. Para nos divertirmos. Para ficarmos um pouquito mais felizes de manhã a caminho do trabalho ou na hora de almoço enquanto deambulamos com o telefone na mão. Para aprendermos qualquer coisa. Para coscuvilhar até a vida alheia. Para viajarmos sem sair de casa. Para ver sítios diferentes. Para ver comidas que queremos experimentar em casa. Para conhecer estilos de vida de pessoas do mundo inteiro. Este é, para mim, o lado bom das redes sociais. E sigo pessoas do mundo  e adoro ver as suas casas, o que comem, onde vão, o que usam, o que leem, como se vestem e retirar daí algo novo para a minha vida. Esta internacionalização que só se tornou possível com a internet é mágica e abre-nos os horizontes. Tem o poder de nos tornar até pessoas melhores. Mais instruídas. Mais abertas ao estranho, ao diferente. É cultura. É riqueza. É informação útil.

Mas isso não acontece se seguimos demasiadas Kardashians e insta-porn-stars e uma quantidade abstrata de gente que partilha uma quantidade de merda irrelevante que só nos torna mais fúteis e burros. Mas ainda assim, também é bom ver este lado mais faits divers da vida. Eu adoro ler e ver filmes e séries e documentários mas também adoro ver reality shows e torcer por coisas tão parvas como o Gaz ficar com a Charlotte no Geordie Shore. Isto faz de mim uma pessoa fútil? Não. Faz de mim uma pessoa normal que se diverte com uma quantidade ínfima de coisas - umas boas, outras más.

Só que as redes sociais também nos permitem entrar na vida dos outros e deixar que os outros entrem um pouco na nossa vida. E temos vontade de partilhar tanto (e demais, até) e, em troca, ter mais likes, mais comentários, mais seguidores, mais marcas, mais dinheiro que perdemos a noção do que partilharmos e da percentagem de realidade que estamos realmente a passar. E será essa realidade virtual aquilo que, na vida real, nos faz feliz?

Eis porque deixei de seguir tanta gente portuguesa


Porque me sentia irritada todas as manhãs ao ver as suas fotografias e os seus vídeos de uma vida fantástica que não e é real. E isto é tóxico. Faz-nos desejar ter essa felicidade e, quando não a sentimos, culpamo-nos a nós. Porque a nossa vida é uma merda. Porque não temos aquele namorado, aquelas roupas, aquela maquilhagem oferecida, não fazemos aquelas viagens, não acordamos daquela forma, o nosso namorado não nos faz aquelas surpresas, não vamos àqueles sítios, não temos aquele corpo... e podia continuar.

Mas sabem o que é que acontece por trás daquela foto perfeita? Tal como a Vânia me contou na minha primeira história de Girl Power, na maioria das vezes o que acontece é... nada. Mostramos o que queremos e não aquilo que realmente sentimos ou vivemos.

Seguia pessoas que mostram uma relação virtual perfeita mas, na vida real, os namorados não lhes tocam, não se sentem amadas, desejadas nem sequer felizes. Mas partilhar uma fotografia juntos dá muitos likes e isso é que interessa. Seguia pessoas que mostram uma vida cheia de coisas mas, na vida real, mal têm dinheiro para comer porque gastam tudo a comprar roupa e maquilhagem para mostrar nas redes sociais. Seguia pessoas que mostram um estilo de vida incrível mas, na vida real, passam o dia agarradas ao telemóvel e à máquina fotográfica, deixaram os estudos e os empregos para tirar fotografias que dão likes em sítios que dão likes com roupas que dão likes. Seguia pessoas que apelam à felicidade e ao aceitarmo-nos como somos mas, na vida real, são tristes, deprimidas, alteram as suas fotografias, colocam tantos efeitos que, no fim, aquilo que publicam é um desenho animado de si próprias mesmo que gritem aos sete ventos que se aceitam com todas as suas falhas.

E isto é o quê? Tóxico. Estar diariamente a receber este tipo de informação que sabemos que não é real, é tóxica. Fica a matutar no nosso inconsciente. Deixa-nos irritados. É por isso que as redes sociais nem sempre nos fazem bem. E contribuem para uma solidão que afecta cada vez mais pessoas.

Talvez o mais importante seja saber filtrar o que se partilha

No outro dia, houve alguém que me disse: tu escreves sobre a tua vida pessoal e, ainda assim, mostras menos do que as outras pessoas. E isto deixou-me a pensar que talvez esteja no bom caminho. Porque escrevo sobre coisas pessoais, é certo. Mas é uma parte da minha vida já editada. O que lêem são histórias. A maioria delas pertencentes ao passado, o que me dá tempo de as maturar. É este o poder das crónicas: escrevê-las já com um certo conhecimento que só o tempo nos dá permite-nos inspirar o agora. O nosso passado inspira o presente das pessoas. E todos temos a aprender com isso. Durante os dois anos em que escrevi a crónica O Amor é Outra Coisa, estava a viver mil e uma outras coisas diferentes que não estava a partilhar. Algumas dessas coisas acabaram por inspirar ao livro.

Mas no momento real não me fazia sentido estar a mostrá-las. Porque a vida é imprevisível. E como não vivemos um guião pré-escrito e que podemos reescrever à nossa maneira, quando as reviravoltas da vida se dão, não temos tempo de as editar para, nas redes sociais, mostrarmos apenas o lado bom. Então, vamos ficando em relações de merda com pessoas que nos tratam mal mas já mostrámos tanto e recebemos tantos likes quando publicamos fotografias juntos que agora não queremos assumir publicamente que essa relação falhou. Que aquela felicidade de conto de fadas não era real. Que depois daquela fotografia juntos a rir na cama, cada um ia para seu lado. E isto aplica-se a tudo e não só às relações virtuais. Mas esta é a praga das relações modernas - o querer partilhar tudo com o mundo como, aliás, já tinha escrito neste post.

Claro que não sou extremista. É bom partilhar aquela viagem que estamos a fazer. Aquela praia onde fomos. Aquele bikini novo tão giro que comprámos. Aquele jantar com as amigas. Aquela tarde no café. Aquele restaurante novo. Aquela vista gira de Lisboa. A nossa decoração da casa. Os nossos gatos. Podemos partilhar tudo e mais alguma coisa e, ainda assim, não partilhar demais. O filtro depende de nós e da tónica que damos ao que mostramos.

Só depende de nós tornar as redes sociais um local feliz. Com mais realidade e menos filtros. Mais amor e menos ódio. Mais inspiração e menos ostentação. Mais mensagens positivas, mais cultura, mais diversão.

No geral, mais vida e menos obsessão com likes.

Histórias de Girl Power #2 Tive medo de acordar e continuar a não gostar do meu corpo

16 de novembro de 2017

Conheci a Catarina há uns anos graças a uma troca de contactos depois do projecto Vive a Tua Beleza. Na altura, a Catarina quis partilhar um pouco da sua história e da forma como somos influenciados pela maneira como os outros nos veem e o impacto que isso tem na própria percepção que temos de nós fisicamente. E o que eu gostei na Catarina foi a sua atitude bad ass. Gostei disso porque, na verdade, a mudança parte sempre de nós. E não vale a pena estarmos constantemente a queixar-nos da vida mas continuarmos a fazer todos os dias exactamente a mesma coisa à espera que algo mude como que por milagre.

Eu queria escrever livros e trilhar um caminho independente. Então fiz o quê? Despedi-me e atirei-me aos leões. Não passei anos a queixar-me da vida de merda que tinha e do quanto era explorada na revista onde trabalhava. A Catarina queria deixar de se sentir estranha dentro do seu próprio corpo. Então fez o quê? Aos 19 anos - faz exactamente agora onze anos - submeteu-se a uma cirurgia para alterar algo que, dentro dela, não a fazia sentir-se ela própria.


Só amizade entre homem e mulher? Bullshit! (mas contem-me as vossas histórias)

13 de novembro de 2017


Adoro ler histórias de melhores amigos desde sempre cheios de respeito um pelo outro, que nunca aconteceu nada, que nunca houve qualquer sentimento e que é apenas uma amizade cheia de carinho. Adoro porque não acredito em nada disso.

Acredito em amizades de trabalho, colegas que se tornam amigos e cada um tem a sua vida. Acredito em amizades com amigos de namorados ou namorados de amigas. Acredito em amizades de infância (mas acho difícil, nessa altura, nunca ter acontecido nada). Mas amizades castas e sinceras com homens agora que chegámos aos 30 anos e todos queremos encontrar a tampa da nossa panela? Disso tenho sérias dúvidas. Porque nenhum homem quer ser (só) nosso amigo e ouvir os nossos problemas. Ou nos quer saltar para as cuecas, ou acredita que (um dia) isso pode acontecer, ou tem paciência que isso aconteça. Ou é gay, I guess.

Ao longo da minha vida tive muitos amigos. Só amigos. Ficaram para a posteridade? Não. Porquê? Porque todos se apaixonaram ou, entretanto, arranjaram namoradas e desapareceram do mapa. E adorava conhecer a excepção porque - posso estar enganada - só conheci a regra.

A minha relação com o stress e a ansiedade e algumas dicas mais ou menos naturais

9 de novembro de 2017



Desde que escrevi no ano passado sobre viver com ansiedade, posso dizer-vos que falei com tantas, tantas, tantas outras pessoas que vivem experiências mais ou menos iguais que tem sido mesmo até gratificante e calmante ler e conversar sobre isto. Porque ganhei consciência de que a forma como eu lido com a ansiedade é mesmo muito suave em comparação com tantas histórias que li. Ganhei acima de tudo consciência de que, felizmente, a minha ansiedade revela-se de uma forma pouco intensa e que me permite ter uma vida praticamente normal. E isto serviu quase como um ansiolítico porque passei a queixar-me menos até comigo própria.

Vestir a sala e o quarto para o inverno (mantas, edredões e polares de pelo borreguito)

8 de novembro de 2017



Mudei-me para esta casa em Abril ou Maio, então nunca vivi um inverno aqui. Nunca a tornei acolhedora como só o tempo frio sabe proporcionar. E confesso que estava em pulgas para que chegasse finalmente o outono para me dedicar exactamente a torná-la quente. Porque sou louca por mantas, cobertores, polares, tapetes, almofadas e pelo, pelo, pelo. 

Porque continuamos a estar com pessoas que são o oposto daquilo que queremos para nós?

6 de novembro de 2017


Há uns anos conheci um tipo numa festa. Era amigo do namorado de uma amiga minha. Dançámos e conversámos. E voltei para casa.

A história podia ter acabado aqui mas eu tinha uma especial tendência para me encantar por homens que, à primeira vista, não me diziam nada nem sequer chamavam a minha atenção. Não sei o que era. Se a convivência que cria habituação, a eterna crença de que aquele é que podia ser o tal ou a peculiaridade de não terem rigorosamente nada a ver comigo que acabava por se tornar o gatilho para querer explorar. E nas relações, acreditem, fui a Dora. Dora, the explorer.

Deixem-me dizer-vos o que aconteceu. Ele era jogador de futebol, tinha um cabelo à tigela que abanava para o lado para afastar a franja dos olhos, usava sapatos de vela, saía todos os fins-de-semana com as suas camisas aos xadrez, bebia tanto que conseguia ouvir o fígado dele a reclamar e era, basicamente, um mulherengo. E estou a ser simpática nesta minha descrição. Era egoísta, vaidoso e cheio de manias de superioridade. E claro que era atraente. Só os homens que sabem que são bonitos se comportam assim. Uma rapariga entornou-me uma vez uma bebida em cima e puxou-me os cabelos no Jezebel por causa dele e ainda estou para saber o que aconteceu naquela noite. E quando os seguranças nos expulsaram, ele deixou-me na rua e não saiu porque queria continuar a sua noite (wtf? eu sei...). Naquela altura, dei por mim a ser uma pessoa que não sou. Saía todos os fins-de-semana, ia para onde quer que ele fosse e tornei-me, não a sua namorada, mas a sua companhia de sábado à noite. E eu, deslumbrada, lá ia. Festas em casa de amigos dele? Eu ia. Tamariz? Jezebel? Kapital? Eu ia. Sair na noite de Natal? Claro que fui. Ele. Ele. Ele. Tudo ele.

Passaram-se meses e isto durou e durou e durou. Mesmo sabendo - ou fingindo não saber - que ele estava com outras raparigas. Mas depois dizia-me que não, ligava-me e eu abria a porta. Vinha ter a minha casa de madrugada e eu deixava-o dormir. Bêbado. Na minha cama. Não sei quando se deu o click mas fomos a um festival em Sagres e passámos o resto da semana com amigos em Armação de Pera. E numa noite, estavam todos a fazer jogos idiotas de álcool e eu num sofá no fundo da sala a ler qualquer coisa. Lembro-me de olhar para ele e pensar: mas o que estou a fazer há meses e meses com este tipo? Lembro-me de ir dormir e ele continuar, bêbado, naquele joguinho infantil com os amigos. Lembro-me de mais tarde terem ido para uma discoteca e terem chegado já de manhã quando eu estava a tomar o pequeno-almoço. Não me chateei nem nada que se pareça. Sinto sempre que cada pessoa deve fazer o que lhe apetecer e sentir-se livre para tal. Mas lembro-me de voltarmos para Lisboa e cada um ter seguido a sua vida.

Bookcast #1 um lobisomem, yoga e as mulheres que continuam a ler romances aos 70 anos

31 de outubro de 2017


Decidi aceitar o desafio da Paula do Urbanista e gravar alguns podcasts literários. Mas hey, nada chatos. Até bem divertidos por sinal. E este é o tipo de coisas que gosto de fazer: criar sinergias com outras pessoas e desenvolver ideias - por mais simples que elas sejam como gravar uma conversa de cinco minutos sobre livros. Porque todos temos a aprender uns com os outros.

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