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Histórias de Girl Power #2 Tive medo de acordar e continuar a não gostar do meu corpo

16 de novembro de 2017

Conheci a Catarina há uns anos graças a uma troca de contactos depois do projecto Vive a Tua Beleza. Na altura, a Catarina quis partilhar um pouco da sua história e da forma como somos influenciados pela maneira como os outros nos veem e o impacto que isso tem na própria percepção que temos de nós fisicamente. E o que eu gostei na Catarina foi a sua atitude bad ass. Gostei disso porque, na verdade, a mudança parte sempre de nós. E não vale a pena estarmos constantemente a queixar-nos da vida mas continuarmos a fazer todos os dias exactamente a mesma coisa à espera que algo mude como que por milagre.

Eu queria escrever livros e trilhar um caminho independente. Então fiz o quê? Despedi-me e atirei-me aos leões. Não passei anos a queixar-me da vida de merda que tinha e do quanto era explorada na revista onde trabalhava. A Catarina queria deixar de se sentir estranha dentro do seu próprio corpo. Então fez o quê? Aos 19 anos - faz exactamente agora onze anos - submeteu-se a uma cirurgia para alterar algo que, dentro dela, não a fazia sentir-se ela própria.


Só amizade entre homem e mulher? Bullshit! (mas contem-me as vossas histórias)

13 de novembro de 2017


Adoro ler histórias de melhores amigos desde sempre cheios de respeito um pelo outro, que nunca aconteceu nada, que nunca houve qualquer sentimento e que é apenas uma amizade cheia de carinho. Adoro porque não acredito em nada disso.

Acredito em amizades de trabalho, colegas que se tornam amigos e cada um tem a sua vida. Acredito em amizades com amigos de namorados ou namorados de amigas. Acredito em amizades de infância (mas acho difícil, nessa altura, nunca ter acontecido nada). Mas amizades castas e sinceras com homens agora que chegámos aos 30 anos e todos queremos encontrar a tampa da nossa panela? Disso tenho sérias dúvidas. Porque nenhum homem quer ser (só) nosso amigo e ouvir os nossos problemas. Ou nos quer saltar para as cuecas, ou acredita que (um dia) isso pode acontecer, ou tem paciência que isso aconteça. Ou é gay, I guess.

Ao longo da minha vida tive muitos amigos. Só amigos. Ficaram para a posteridade? Não. Porquê? Porque todos se apaixonaram ou, entretanto, arranjaram namoradas e desapareceram do mapa. E adorava conhecer a excepção porque - posso estar enganada - só conheci a regra.

A minha relação com o stress e a ansiedade e algumas dicas mais ou menos naturais

9 de novembro de 2017



Desde que escrevi no ano passado sobre viver com ansiedade, posso dizer-vos que falei com tantas, tantas, tantas outras pessoas que vivem experiências mais ou menos iguais que tem sido mesmo até gratificante e calmante ler e conversar sobre isto. Porque ganhei consciência de que a forma como eu lido com a ansiedade é mesmo muito suave em comparação com tantas histórias que li. Ganhei acima de tudo consciência de que, felizmente, a minha ansiedade revela-se de uma forma pouco intensa e que me permite ter uma vida praticamente normal. E isto serviu quase como um ansiolítico porque passei a queixar-me menos até comigo própria.

Vestir a sala e o quarto para o inverno (mantas, edredões e polares de pelo borreguito)

8 de novembro de 2017



Mudei-me para esta casa em Abril ou Maio, então nunca vivi um inverno aqui. Nunca a tornei acolhedora como só o tempo frio sabe proporcionar. E confesso que estava em pulgas para que chegasse finalmente o outono para me dedicar exactamente a torná-la quente. Porque sou louca por mantas, cobertores, polares, tapetes, almofadas e pelo, pelo, pelo. 

Porque continuamos a estar com pessoas que são o oposto daquilo que queremos para nós?

6 de novembro de 2017


Há uns anos conheci um tipo numa festa. Era amigo do namorado de uma amiga minha. Dançámos e conversámos. E voltei para casa.

A história podia ter acabado aqui mas eu tinha uma especial tendência para me encantar por homens que, à primeira vista, não me diziam nada nem sequer chamavam a minha atenção. Não sei o que era. Se a convivência que cria habituação, a eterna crença de que aquele é que podia ser o tal ou a peculiaridade de não terem rigorosamente nada a ver comigo que acabava por se tornar o gatilho para querer explorar. E nas relações, acreditem, fui a Dora. Dora, the explorer.

Deixem-me dizer-vos o que aconteceu. Ele era jogador de futebol, tinha um cabelo à tigela que abanava para o lado para afastar a franja dos olhos, usava sapatos de vela, saía todos os fins-de-semana com as suas camisas aos xadrez, bebia tanto que conseguia ouvir o fígado dele a reclamar e era, basicamente, um mulherengo. E estou a ser simpática nesta minha descrição. Era egoísta, vaidoso e cheio de manias de superioridade. E claro que era atraente. Só os homens que sabem que são bonitos se comportam assim. Uma rapariga entornou-me uma vez uma bebida em cima e puxou-me os cabelos no Jezebel por causa dele e ainda estou para saber o que aconteceu naquela noite. E quando os seguranças nos expulsaram, ele deixou-me na rua e não saiu porque queria continuar a sua noite (wtf? eu sei...). Naquela altura, dei por mim a ser uma pessoa que não sou. Saía todos os fins-de-semana, ia para onde quer que ele fosse e tornei-me, não a sua namorada, mas a sua companhia de sábado à noite. E eu, deslumbrada, lá ia. Festas em casa de amigos dele? Eu ia. Tamariz? Jezebel? Kapital? Eu ia. Sair na noite de Natal? Claro que fui. Ele. Ele. Ele. Tudo ele.

Passaram-se meses e isto durou e durou e durou. Mesmo sabendo - ou fingindo não saber - que ele estava com outras raparigas. Mas depois dizia-me que não, ligava-me e eu abria a porta. Vinha ter a minha casa de madrugada e eu deixava-o dormir. Bêbado. Na minha cama. Não sei quando se deu o click mas fomos a um festival em Sagres e passámos o resto da semana com amigos em Armação de Pera. E numa noite, estavam todos a fazer jogos idiotas de álcool e eu num sofá no fundo da sala a ler qualquer coisa. Lembro-me de olhar para ele e pensar: mas o que estou a fazer há meses e meses com este tipo? Lembro-me de ir dormir e ele continuar, bêbado, naquele joguinho infantil com os amigos. Lembro-me de mais tarde terem ido para uma discoteca e terem chegado já de manhã quando eu estava a tomar o pequeno-almoço. Não me chateei nem nada que se pareça. Sinto sempre que cada pessoa deve fazer o que lhe apetecer e sentir-se livre para tal. Mas lembro-me de voltarmos para Lisboa e cada um ter seguido a sua vida.

Bookcast #1 um lobisomem, yoga e as mulheres que continuam a ler romances aos 70 anos

31 de outubro de 2017


Decidi aceitar o desafio da Paula do Urbanista e gravar alguns podcasts literários. Mas hey, nada chatos. Até bem divertidos por sinal. E este é o tipo de coisas que gosto de fazer: criar sinergias com outras pessoas e desenvolver ideias - por mais simples que elas sejam como gravar uma conversa de cinco minutos sobre livros. Porque todos temos a aprender uns com os outros.

As mulheres que odeiam as outras mulheres não vão a lado nenhum

30 de outubro de 2017


Há uns tempos, tive acesso a uma troca de mensagens entre duas bloggers. Falo de bloggers devido à concorrência cega que se vive neste meio, embora esteja longe de me considerar blogger. Entre as várias coisas que falavam sobre várias pessoas, eu aparecia no meio. Era chamada de sopeira (talvez por gostar de falar da forma simples como podemos viver a vida) e, a páginas tantas, de pseudo-escritora. Até aqui tudo bem. Pouco ligo às coisas que me chamam ou possam dizer. Mas incomodou-me pensar que alguém se dê a tanto trabalho diariamente. Passarão assim tanto tempo a ver e a escrutinar todas as redes sociais das outras mulheres para verem o que recebem, o que fazem, onde vão, que marcas lhe estão a pagar? Em que momento é que entra a sua própria vida pessoal? Porque se deixam absorver tanto por isto - isto que é uma vida virtual que não vale nada - ao invés de perderem realmente tempo a cultivar a realidade?

#11 O guarda-chuva pegajoso e uma discussão a meio da madrugada

23 de outubro de 2017


Uma manhã, cheguei ao escritório e Rute e Marlene - as miúdas do design - estavam a dizer que tinham a certeza absoluta de que havia câmaras neste sítio novo. Eu ri-me. Porque imaginar Satanás a gastar dinheiro num sistema de vigilância era demasiado hilário. Ele nunca o faria. Iria preferir, sem dúvida, atazanar-nos o juízo com a sua presença do que vigiar-nos através de câmaras. De qualquer forma, passámos uma parte da manhã a revistar tudo e mais alguma coisa. Ao lado da porta da entrada - que ficava de frente para este novo open space versão cave sem luz - havia um grande quadro colorido e horroroso. E de repente começámos a questionar-nos porque razão ele haveria de ter posto um quadro virado para nós quando, no outro escritório, não havia qualquer sinal de vida humana ou criativa. Ele gostava das salas o mais parecidas com uma prisão ou um hospital. Ninguém queria ir lá ver se ali se encontrava a fatídica câmara de vigilância. E divertimo-nos bastante mesmo que, a medo, não quiséssemos acreditar que ele nos espiava.

Adoptar uma rotina de beleza mais natural sem se ser demasiado extremista

20 de outubro de 2017

Uma das coisas que tenho andado a estudar nos últimos meses é a forma de ter cuidados de pele mais naturais mas também num registo de vida... natural. Ou seja, sem grandes fundamentalismos que é algo que não gosto nada. E tal como escrevi no Observador (podem ler aqui), a cosmética está cheia de informações duvidosas que, com o crescimento dos mercados orgânicos, naturais e vegan, está a gerar muita confusão porque todos estes termos podem ser enganadores para uma pessoa comum que não presta grande atenção aos rótulos ou não está bem informada.

Muitas das marcas mais faladas no mundo estão cheias de químicos e ingredientes tóxicos escondidos atrás de termos pomposos e campanhas de publicidade bonitas. E isto não nos vai matar, é certo, mas pode levar a muitos problemas de saúde. Se se questionam porque razão, então, muitas marcas ainda usam tantos químicos, a resposta é simples: é mais barato, cria cores bonitas, cheiros apelativos e os químicos, por vezes, são necessários para preservar os produtos. Para uma pessoa menos atenta ou que não ligue tanto aos ingredientes, provavelmente nem se apercebe que muitos ingredientes nem sequer são listados porque as empresas pedem uma espécie de "trade secret" que permite a não divulgação de certos ingredientes.

Por outro lado, e devido à pressão por parte de várias organizações e até do próprio consumidor, cada vez mais marcas estão a procurar ter uma filosofia mais natural ainda que não se assumam 100% naturais.

#METOO Sim, também fui vítima de assédio. E não podemos baixar a voz

19 de outubro de 2017



Falar de assédio é como falar de política ou religião ou dinheiro. É daqueles temas meio cinzentos em que nem sempre cai bem largar o assunto à mesa do jantar ou ao telefone com uma amiga. Principalmente quando vem de pessoas superiores (ou que se julgam) que usam o seu poder como arma para tentar chegar um pouco longe de mais. Uma espécie de simpatia mascarada de assédio que, muitas vezes, e quem está deste lado, nem sempre consegue perceber muito bem o que está a acontecer. Além disso, a palavra vítima ainda tem uma conotação muito negativa. Fui vítima. Mas fui vítima mesmo? Ou será que dei a entender algo mais? E só fui vítima se houver marcas? E as psicológicas? Fazem de nós vítimas?

Queria aproveitar o mote do que se está a passar no mundo e o momento em que mulheres um pouco por todo o lado estão a falar de assédio para contar três histórias que se passaram comigo e talvez com isto dar força a muitas outras para gritarem mais alto. Poucas são as pessoas da minha vida que sabem que isto aconteceu porque, lá está, não é daqueles temas que se discuta à mesa de jantar. Mas não tenho vergonha de falar deles. Talvez tenha tido no passado. Mas não agora.

3 meses no ginásio e algumas observações sobre coisas ridículas

18 de outubro de 2017


Eu sou a última pessoa que os ginásios gostem de lá ter. Basicamente porque odeio ginásios e odeio o conceito dos ginásios. A ideia de estar em cima de uma máquina a olhar para a parede durante vinte minutos é o mais próximo do inferno que me consigo imaginar (embora no passado até já tenha tentado, calma, mas acabei sempre por desistir porque me apetecia cortar os pulsos a ir ao ginásio). Foi exactamente por isso que - devido a uma lesão no joelho e a imposição de algum exercício físico - me juntei ao grupo da terceira idade e entrei num ginásio para fazer hidroginástica. E natação, vá. Mas apenas isso.

Os meus pais moram ao lado de um que tem grandes paredes em vidro para a rua. Mas não é um ginásio qualquer. É um daqueles que treina pessoas para competições de culturismo... até às onze da noite. Sempre que lá vou jantar e, de papo cheio, entro no carro para ir para casa, passo pelas grandes paredes de vidro onde vejo uma dúzia de tipos musculados em t-shirts de alças a grunhir e a levantar pesos. Questiono-me sempre se não terão família, esposas, filhos ou, sei lá, um sítio melhor onde estar às dez da noite.

Não é isto que me aflige, na verdade. Isto era apenas uma observação.

De Julho até agora - o tempo em que passei fisicamente quatro dias por semana num ginásio com o grupo do lar de idosos - observei uma série de coisas que, essas sim, me afligem e me fazem uma confusão tremenda. Ou se calhar sou eu que já estou com a personalidade da velha rezingona.

O que fazem miúdas de 16 anos num ginásio?

Esta foi a primeira coisa que me deixou perturbada: ver miúdas de 16 e 17 anos no ginásio. Mesmo no tempo em que era absolutamente fã da Malhação (deixava a gravar em casa enquanto ia para a escola), e as primeiras temporadas foram filmadas no conceito e espaço do ginásio, nunca tive esse chamamento. Aquilo era algo mesmo muito fantasioso, uma coisa muito "abrasileirada" onde as adolescentes "malhavam" todas as tardes na academia ao mesmo tempo que estudavam para o "vestibular". Os namoricos, os dramas e as acções aconteciam entre uma aula de dança e uma sessão de bicicletas, lembram-se? Mas, na verdade, nunca tive amigas que andassem no ginásio. Andávamos sim no basquet, na natação, na patinagem, no corfebol e sei lá mais em que desportos de competição pelo prazer de jogar. Então, confesso que me faz confusão ver adolescentes em cima de máquinas simplesmente a passar o tempo. Como se não houvesse nada de melhor para fazer aos 16 anos.

E a maioria (para aí 95%) das que vi são miúdas com corpos absolutamente normais, de mini-calções, top curtos, maquilhadas e todas elas menores de idade. Do modo que me custa compreender porque razão adolescentes estão em cima de uma bicicleta a olhar para nós - os velhos - na piscina, ao invés de estarem, sei lá, a fazer qualquer outra coisa. No outro dia no balneário assisti a uma conversa entre três miúdas que me deixou ali parada a olhar para elas de cuecas na mão deliberadamente a ouvir. Mesmo à velha.

- Não sabia que vocês andavam cá - diz uma miúda loira em mini calções de lycra (que saudades de usar calções de lycra sem ficar com as bochechas do rabo a abanar para todos os lados) para outras duas que se estão a vestir, também elas de mini-calções.
- Só começámos mesmo hoje - responde uma das outras - viemos ver agora como é.
- E vão fazer o quê? - pergunta a loira.
- Vamos fazer máquinas, claro, bicicletas e se calhar a zumba - responde a mesma.
- Ah! Eu também faço máquinas para tonificar - diz a loira radiante por vir a ter companhia - amanhã na escola bora ver o horário para combinarmos vir as três juntas.

E eu estava a olhar porque a miúda loira era perfeita. Aliás, eram as três. Tinha um corpo bonito, um rabo redondo como só se tem aos 16 anos - claro que olhei - e umas pernas sem qualquer grama de celulite. Porque não estão, então, a passear? A curtir a adolescência? A namorar? A ver os rapazes da escola? A ir ao centro comercial? À praia? Ao cinema? A ler? Ou em casa de amigas a escrever diários e a ver filmes? A falar sobre a vida? Se calhar agora já não se vive a adolescência como no meu tempo, é verdade, mas todos os dias que vejo uma miúda sentada em cima de uma máquina apetece-me arrancá-la de lá e mandá-la viver a sua juventude porque vai passar a voar. Meu Deus, se calhar transformei-me numa velha.

Nunca vi tantos pipis de uma vez só

Isto é um fenómeno, acho eu, da terceira idade. Mas felizmente ainda não cheguei lá. Não entendo porque razão, depois dos 65 anos, todas as mulheres gostam de andar nuas no balneário. Secam o cabelo nuas. Arrumam a roupa no cacifo nuas. Espetam o rabo - nu - para colocar o cremezito nas pernas. E andam ali a cirandar para lá e para cá... nuas. Isto quando não estão a abrir as pernas e a inclinarem-se ligeiramente para a frente para secar o pipi com a toalha enquanto conversam umas com as outras.

É toda uma enchente visual de pipis como nunca tinha visto na vida. A minha mãe - que é uma velhota com as ideias no sítio - ficou chocada na primeira vez que começou a ver toda a gente nua à sua volta. Disse-me: meu Deus filha, nunca vou andar aqui nua. E desde então, começou a vestir-se dentro das casas-de-banho do balneário. Não precisamos chegar a tanto... é certo. Este momento do balneário pode ser vivido em meio-termo: não deve ser em total constrangimento porque somos todas mulheres mas também nunca em total liberdade. Ou seja, não é preciso andarmos de roupão e quase a tomar banho vestidas para nos escondermos do mundo. Mas também não vamos andar como se fossemos crianças de cinco anos a conversar nuas de pernas abertas no corredor. Eu visto as cuecas com a tolha à volta da cintura e, para vestir o soutien, viro-me de costas para as vizinhas. Seco o cabelo vestida. Calço-me vestida. E arrumo as minhas coisas vestida. Qual é esta necessidade de andar nua para lá e para cá como se o acto de se vestirem fosse a última coisa que têm de fazer? Não entendo.

Qual a obsessão em usar sempre o mesmo cacifo? Como se os outros tivessem sarna...

Como não tinha nada para fazer no sábado, fui com a minha mãe a uma aula de hidroginástica às cinco da tarde. Na verdade, adoro ir ao sábado porque está vazio e as aulas só têm quatro ou cinco velhotes. E assisti a uma situação ridícula. Com o balneário vazio e 99% dos cacifos livres, entrou uma velhota e veio directamente para o meio - entre mim e a minha mãe. Ficou ali toda nua só de chinelos nos pés, a tirar a sua roupa da mala e a vestir o fato-de-banho colada a mim e à minha mãe que, entre risos, fazíamos gestos por trás dela e nos questionávamos porque razão veio para o nosso espaço pessoal com todo um balneário vazio. Só me ocorre que é daquelas que quer aquele cacifo porque quer e porque sim e nada mais serve.

Afinal, os pêlos púbicos não se querem à la bebé 

Além das velhotas que passeiam nuas, claro que dou por mim a olhar para outras mulheres. Serei só eu? Acho que é perfeitamente normal. Não posso estar no balneário de palas nos olhos. E a verdade é que tenho observado que praticamente todas têm pêlos púbicos. Tufinhos, vá. Esta é uma daquelas conversas do género em que ninguém vê a Casa dos Segredos mas toda a gente sabe o que se passa. Parece que toda a gente diz que faz depilação à brasileira só para parecer fixe mas a verdade não é bem assim. O que até me deixou bastante tranquila. Viva o tufinho.

E outras coisas ridículas que, como quem não quer a coisa, fui observando

As selfies... ai as selfies. Parece que toda a gente treina de telemóvel na mão. As raparigas fazem selfies no espelho do balneário e em cima das máquinas. E numa das salas de aulas de grupo está afixado num papel enorme à porta: proibido tirar fotos ou filmar. Isto era escusado (acho eu...).

Uma notícia do jornal I diz que uma em cada dez pessoas tem orgasmos durante um treino no ginásio. Adorava tê-los. Mas é impossível no meio de velhotes em fato-de-banho cueca que cantam durante a aula de hidroginástica, pipis no balneário e tipos em t-shirts de mangas cavas que levantam pesos com cara de quem está na sanita a fazer força (diga-se, para o nº2 sair), vermelhos e com as veias da testa salientes.

Há um dia por semana em que a minha aula de hidroginástica é ao mesmo tempo que a natação de uma turma de miúdos. Os pais aglomeram-se durante 45 minutos no vão de escada à porta de vidro para a piscina a tentar ver o seu rebento a saltitar na água. Não seria mais útil usarem esse tempo para fazerem qualquer coisa por eles? Só imploro para não me tornar numa dessas mães.

Estas são as mesmas mães que - cinco minutos antes da aula de natação da criançada acabar - já estão lá em baixo a guardar o seu chuveiro de toalhas e champôs na mão. Como a aula de hidroginástica acaba cinco minutos antes da natação, sempre que chego ao balneário tenho de andar pelos chuveiros tipo 'onde está o Wally?' à procura de um que não tenha uma mãe lá dentro a fazer de cão de guarda.

Se eu vou continuar no ginásio? Sim. Por várias razões. Já estou óptima do joelho e podia parar as aulas de hidroginástica mas vou para acompanhar a minha mãe que ela, sim, precisa de se mexer mais. E a verdade é que acabei por gostar delas. Sou quase uma ginasta da água e sinto-me sempre bem quando saio de lá. Mas a minha capacidade para tolerar um ginásio termina aqui. Dêem-me uma piscina em casa e deixo de lá ir.

#10 O novo escritório em Lisboa e o mausoléu da maluca da Clarice (será que volta?)

9 de outubro de 2017


Um dia de manhã a Maria não apareceu. Caso não se recordem, a Maria era a rapariga da recepção. Por uma vez na vida, demos valor ao trabalho dela porque tivemos de nos revezar para abrir a porta e atender os telefones. E, acreditem, era o dia todo nisto: correio, estafetas e mais estafetas e mil e uma chamadas do telefone central que nunca parava de tocar. A Maria estava com uma crise de cólicas renais e não se podia mexer. Até aqui tudo bem. Mas no dia seguinte lá estava ela de manhã: pálida, com olheiras até ao queixo e a andar agarrada à barriga. Acabou por nos contar que, a meio da tarde, tinha recebido uma mensagem do Satanás a ameaçar que se não aparecesse no dia seguinte estava despedida por justa causa. A rapariga lá foi... Dava dó olhar para ela. Mal se mexia, arrastava-se pelo corredor sempre que tinha de abrir a porta e o calor insuportável que se instalava a partir da hora de almoço não tornava o ambiente sequer aprazível. Tentámos ajudá-la, levantámo-nos nós para abrir a porta e fizemos o melhor que podíamos para que, pelo menos, ela estivesse o mais confortável possível. Mas a meio da tarde - ainda o Satanás não tinha aparecido - a Maria começou a sentir-se mal e Irina foi direta ao assunto e chamou o INEM. Foi todo um aparato no edifício com os paramédicos a subir pelo elevador com a maca, a entrarem pela redacção e a tentarem acalmar uma Maria contorcida em lágrimas enquanto tentavam perceber o que ela tinha. Todos nós ficámos ali sem saber muito bem o que fazer mas a rezar contra Satanás porque, afinal de contas, a culpa acabava por ser dele - por ser um ser humano execrável e sem alma. E Maria lá foi para o hospital. Irina contactou a mãe dela e o resto da tarde passou de forma sorumbática. Quando Satanás chegou, Irina contou-lhe o que tinha acontecido mas ele não mostrou sequer qualquer tipo de empatia. Encolheu os ombros e fechou-se no gabinete.

Como montar e organizar um roupeiro por menos de 150€

6 de outubro de 2017


Quando mudei para esta casa, percebi que iria ter de investir algum dinheiro a sério num roupeiro - coisa que não existe em nenhum quarto. Ainda assim, tenho um espaço (uma espécie de canto entre o quarto e uma das casas-de-banho) que foi convertido em roupeiro (e que mostrei neste post) onde basicamente optei por colocar os casacos todos. Fiquei, então, com a roupa do dia-a-dia para organizar e arrumar que, durante alguns meses, esteve em cima de uma cama.

Vou ser honesta: depois de ir a várias lojas e de fazer mil e um orçamentos, o mais barato que consegui encontrar para um roupeiro de parede rondava os 500€. Decididamente, não era um valor que me apetecesse gastar - nem a prestações. Por várias razões mas a principal era óbvia: não sei quanto tempo vou ficar nesta casa. Fazer um roupeiro à medida para esta parede e daqui a uns anos mudar-me (e já não fazer sentido noutra casa) estava a matar-me o coração. Até que pensei que só me restava uma única opção: montar eu um roupeiro. E, voilá, foi a melhor decisão que tive.

Como ter (e cuidar) de um jardim em casa

3 de outubro de 2017


Quando mudei de casa, alguém no Facebook disse, num comentário, que agora que a casa era minha ia virar uma fada do lar. Eu ri-me e pensei para mim própria que isso estava longe de acontecer. Até que dei por mim a comprar plantas e - pior - a plantá-las. Quando era miúda, lembro-me de rezingar sempre que o meu pai me pedia para regar as plantas lá de casa e das escadas do prédio. Achava-a a tarefa mais aborrecida de sempre e gritava que não sabia porque razão alguém iria querer tantas plantas em casa. Até que me tornei numa dessas pessoas.

Para quem tem pouca mobília - como é o meu caso - as plantas acabam por ser uma forma de dar vida às divisões e - isto é uma opinião pessoal - criam um ambiente mais tranquilo e menos propenso à ansiedade.

Nestes últimos meses, tenho andado de volta da jardinagem e como me têm pedido tanto no Instagram para mostrar mais da minha casa e como estou a cuidar das plantas - por não ter varanda e, acima de tudo, a forma como os gatos lidam com elas - andei a fotografar e a organizar as ideias. Tudo o que tenho feito, na verdade, tem sido muito por tentativa e erro e, claro, por ligar quinhentas vezes à minha mãe.

A primeira planta que entrou cá em casa foi um pau de água, que viveu em casa dos meus pais provavelmente tantos anos quanto eu. A minha mãe apareceu com ele ainda durante as mudanças, quase numa de: toma, agora é tua responsabilidade. E eu fiquei fascinada. Andei a colocá-lo de divisão em divisão, a ver onde é que ficava melhor, até que decidi que ele precisava de sol e o coloquei ao lado do sofá. Comecei a cortar-lhe as pontas das folhas secas, a lavá-las e a borrifá-lo de água porque estava imenso calor. De repente, começou a ganhar novas folhas e foi como se tivesse a fazer nascer qualquer coisa. Fiquei absolutamente histérica e sei que isto não faz sentido nenhum mas é assim... há uma primeira vez para tudo!

Depois disto fui ao Ikea e comprei três plantas: uma palmeira e duas outras que não faço ideia o que são mas caem pelos vasos abaixo. É a que está pendurada no tecto em cima de mim.


Isto foi o gatilho para toda uma paixão por aquilo que sempre odiei a vida toda: plantas. E foi aqui que fui aprendendo mesmo sozinha. A palmeira do Ikea vinha com fungos (penso que talvez seja normal neste tipo de plantas exóticas) e, mesmo depois de a mudar de vaso e borrifar com spray para bichos de plantas, está a morrer. Neste momento, está nas escadas do prédio porque comecei a pensar que poderia contagiar as outras. A outra não se deu bem na minha casa, replantei-a com cuidado (e com a ajuda da minha mãe) e agora está na cozinha (vejam nas fotos mais abaixo) a ver se sobrevive. E só esta que está em cima de mim realmente cresceu e está linda e enorme (vejam fotos mais abaixo).

Onde comprar boas plantas e material de jardinagem

Como não tive muita sorte no Ikea, fui ver o Jumbo e achei a qualidade e o preço apelativos. Comprei uma Codiaeum (do Brasil, conhecida por ter folhas roxas exóticas e bonitas mas que se dão bem em casa se estiverem ao sol) por 5€ e a mesma planta custa 35€ no Ikea (no futuro partilho se ela se deu bem aqui em casa, ou não). Encontrei também vasos de barro (iguais aos do Ikea) um pouco mais baratos no Jumbo - além de que têm outros modelos, como os redondos (que trouxe para plantar qualquer coisa).

Estive no fim-de-semana a plantar Amores Perfeitos (que podem ser plantados no Outono). Óbvio que não fazia ideia como se plantavam e andei no Google a ver. Estão agora tapados com papel prata até começarem a nascer e só nessa altura (mais ou menos uma semana) podem ser expostos ao sol. Quando já estiverem altos, poderei então mudar para um canteiro mais largo (que ainda não tenho mas já estou a fazer planos hihihi). Comprei também Oxalis mas já em casa é que vi que só podem ser plantados na primavera para dar flor no verão. Voltei a arrumá-los e no próximo ano planto. 

Trouxe também terra natural e um alimento para plantas, uma espécie de vitaminas para regar duas vezes por mês (agora no outono e inverno) e uma vez por semana (na primavera e verão). Também aqui tenho uma série de outras coisas como menta (para fazer chá) e mais sementes para ir plantando quando comprar mais vasos (salsa, coentros, etc podem ver alguns aqui) e para ter na cozinha.

A forma como divido as plantas é simples: na cozinha tenho as que precisam de apanhar muita luz o dia todo para crescer (como a do Ikea que mudei de terra e agora está lá para, ao sol, ver se volta a ganhar força. Podem ver na foto, em baixo, como está pequenina e é uma irmã da que tenho pendurada na sala que, por sua vez, está grande e forte) e a Citrina (que tem de estar numa divisão com muita luz mas sem ser directamente ao sol). E, claro, as plantas que gosto e "roubo" aos vizinhos (e que a minha mãe me incentivou a fazer, atenção): corto um braço e meto em água ao sol. Ao fim de duas ou três semanas deve começar a nascer uma raiz e, nessa altura, pode-se então plantar na terra para começar a nascer a partir daí. Isto é horrível? Acho que não. Os vizinhos nem dão por falta daquele bracinho e é uma espécie de solidariedade na jardinagem.


Quanto aos meus gatos... claro que os gatos ficam absolutamente parvos com as plantas. Andam de volta delas, cheiram-nas e lá vão dando umas trincas aqui e ali. Acho que tive sorte porque eles não mexem na terra, não a tiram dos vasos, nem andam a puxar as plantas. Mas estou constantemente a ralhar com eles quando estão a aparvalhar.




Que outros sítios recomendo para comprar plantas? O Horto do Campo Grande e o Jardim Primavera (na rotunda do Ramalhão, embora a este ainda não tenha ido). Mas no Jumbo acaba por ser mais prático pela variedade de coisas que se encontram - vasos, sementes, adubos, fortificantes, entre tantas outras coisas que ainda nem consegui explorar direito.

O Ikea, por seu lado, tem uma variedade de vasos decorativos interessante (tenho vários) e comprei lá também os bancos de madeira (acho que foram 5€ cada, bastante acessíveis para o seu fim) onde coloquei os vasos (para não estarem no chão ao nivel dos terroristas dos gatos).

Ainda não estou na fase de falar com elas - como toda a gente me diz para fazer - mas hei-de lá chegar :)






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