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  • Helena Magalhães

Quando as bloggers deixaram de ser mulheres reais e se tornaram numa mentira De Chiara Ferragni a An

Sempre me senti fascinada por esta cultura da vida real que saltou dos reality shows para a internet com a saga dos blogs. Começámos a ser bombardeados 24h por dia por pessoas de todos os cantos do mundo que, no caso dos blogs de moda, têm uma aparência impecável, se vestem maravilhosamente bem e saem de casa, todos os dias, como se tivessem saltado de um desfile de moda. O mesmo se aplica aos blogs da vida real onde podemos assistir diariamente da nossa casa ao que se passa na vida das outras pessoas. As suas histórias, os seus dramas, os seus amores, os seus gostos, os seus sentimentos, pensamentos… E isto vai levar-nos automaticamente a identificarmo-nos com pessoas que não conhecemos mas que sentimos que vivem, sentem e pensam o mesmo que nós. Deixámos de estar sozinhos para vivermos constantemente acompanhados pelas histórias dos outros.

Em 2004, oito mil blogs eram criados por dia. Em 2010, esse número já ia nos 175 mil! Nos dias de hoje, deve ter triplicado. A internet fez com que as opiniões deixassem de ser exclusivamente emitidas pelos profissionais em si e direccionadas para um público de milhões de pessoas. Hoje, os conteúdos passaram a ser criados por esses milhões de pessoas que, antes, eram meros expectadores. E isto veio revolucionar toda a comunicação social, e não só.

No caso da indústria da moda, de uma forma que, provavelmente, nem as próprias marcas alguma vez imaginaram. Há cinco ou seis anos atrás ninguém se preocupava com isto. Não tirávamos fotografias ao espelho. Não nos vestíamos igual a toda a gente à nossa volta. E fazer um registo diário da roupa que se usava seria, em última análise, estúpido. Porque iríamos vestir a primeira coisa que tirámos do roupeiro antes de ir para as aulas. Eu tinha um fotolog para partilhar fotografias com as minhas amigas, festas da faculdade, viagens, férias… Não roupa. Nem maquilhagem. Nem acessórios. Nem penteados. Nem compras…

E então, surgem as bloggers de moda. Raparigas reais, iguais a qualquer uma de nós, que nos inspiravam com os seus looks. Olhando para elas, qualquer mulher pensava que podia ser ela ali, naquela fotografia, a usar aquelas roupas. As bloggers tornaram a moda numa cultura popular das massas e isso só foi possível graças aos fenómenos do hiperconsumismo e hipernarcisismo que, aos poucos, acabou por chegar a praticamente todo o mundo. Este foi o momento em que uma coisa publicada online por uma rapariga podia tornar-se uma tendência à escala global e ter um impacto na própria indústria que cria tendências. Elas deixaram de ser criadas para um público mas sim pelo próprio público.

E isso trouxe o lado mau dos blogs. Ao se tornarem um negócio, deixaram de ser um reflexo da vida real. E é isso que muita gente ainda não percebe. As bloggers deixaram de ser mulheres como qualquer uma de nós e passaram a ser modelos. E as imagens que consumimos diariamente deixaram de ser uma comparação com a nossa própria vida e passaram a ser editoriais de moda. Fica difícil conseguirmos criar uma identificação com pessoas que deixaram de ser banais e passaram a ser altamente produzidas em cada imagem.

Elas deixaram de se vestir a elas próprias e passaram a ter uma equipa por detrás delas. Têm quem lhes escolha as roupas, maquilhe, penteie, fotografe e edite as imagens. E elas só têm de passear pela rua e continuar a fazer-nos crer que acordaram assim de manhã. Vendem um sonho, é verdade. Mas o conceito de blogger que surgiu, nos seus primórdios, numa tentativa de tornar a moda uma indústria mais real e acessível, voltou ao seu ponto inicial.

As raparigas já não querem ser modelos. Agora, querem ser bloggers. E acreditam que para isso têm de ter o corpo perfeito, a maquilhagem perfeita, os cabelos perfeitos, a roupa perfeita… e vivem em função deste sonho TODOS OS DIAS!

Se antigamente conseguíamos controlar esta realidade, porque eram as capas das revistas que nos enganavam (e nós sabíamos que estávamos a ser enganadas), como vamos conseguir lidar com estas “mentiras” se, hoje, estão acessíveis, e gratuitamente, em todo o lado mal abrimos a internet? 

E, acima de tudo, questiono-me como vamos ensinar as jovens mulheres de hoje que as bloggers deixaram de ser mulheres reais e tornaram-se uma mentira controlada pela indústria da moda que lhes dita o que fazer, como ser, o que vestir, onde ir e como se apresentar.

Fashion bloggers before & afterKristina Bazan – Kaytureheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AMChiara Ferragni – The Blonde Saladheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AMAndy Torres – Style Scrapbookheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AMAimee Song – Song of Styleheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AMGala Gonzalez – Amlulheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AMNegin Mirsalehiheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AMNicole Warne – Gary Pepperheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AMHelena Bordonheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AMKenza Zouiten – Kenzasheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AMAlexandra Pereira – Lovely Pepaheight 600width 807orientation 1camerasoftware Adobe Photoshop CS5 originaldate 1/1/0001 6:00:00 AM

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