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  • Helena Magalhães

A nossa relação já não anda bem…


 Há uns anos, conheci um tipo através de um namorado. A namorada dele era amiga do meu namorado e acabámos por nos conhecer embora tenhamos estado cinco anos sem qualquer contacto. A vida deu as voltas que deu mas ele continua com a mesma namorada – não me perguntem porquê. Nem como. A semana passada encontrei-o e, depois de jurar que me conhecia – e eu não me lembrar de onde – lá se fez luz.


Foi uma conversa daquelas de ocasião: ah, sim tudo bem? Que tens feito? Onde é que trabalhas? Pois, sim, sou jornalista. Ah trabalhas na agência X? Costumo falar com eles. Sim, tenho um blogue mas não é um blogue normal. Não, não sou blogger de moda. Ah costumas trabalhar com a blogger Y? Sim, sei quem é. Então pronto, um dia destes havemos de nos encontrar.

Dois beijinhos e adeus, até à próxima.

Mas nessa noite adicionou-me no Facebook. Por isso, não foi adeus, até à próxima. Foi um adeus, até já porque vou já procurar-te na internet.

As conversas de tretas cheias de segundas intenções

Começou com uma conversa de treta: que giro termo-nos encontrado depois destes anos todos, pois é, foi mesmo uma coincidência. Que tipo de coisas escreves? Olha bem, sobre beleza. Ah eu costumo ler o Observador todos os dias. Porreiro, mas eu escrevo mais para mulheres. Que tipos de conselhos de beleza me darias? Olha, sei lá, usa hidratante todos os dias para não envelheceres. Ah mas os homens velhos são mais charmosos. Pois, sim, George Clooney.

E no meio desta coisa, que nem lhe chamo bate-papo, ele disse que achava que devíamos ir jantar para por a conversa em dia.

Mas que conversa é que temos para por em dia? Pouco falámos quando nos conhecemos e ficámos cinco anos sem nos lembrarmos da existência miserável um do outro. Falei entretanto com o meu ex-namorado  e contei-lhe esta situação bizarra. Ele disse que o tipo era simpático e ainda estava com a amiga dele, provavelmente estava só a dizer-me isto por simpatia por termos trabalhos em comum. Mesmo assim, não fiquei convencida porque tenho um sexto sentido para cabrões.

Respondi-lhe que podíamos beber um café um dia na hora de almoço ou depois do trabalho, porque não?

Ele pediu desculpa se o convite de jantar tinha sido muito inconveniente e perguntou se eu tinha namorado. 

Beeeeeeem… Antes de se preocupar com o facto de eu ter, ou não, namorado, não se deveria preocupar com o facto de, sei lá, ele ter namorada?

Tinha uma fotografia de perfil com a namorada e estava a convidar-me para jantar…

E é aqui neste momento que vos digo que a fotografia dele de perfil era com ela – a que eu conheci há cinco anos. Então, foi isso que lhe disse. Não foi inconveniente, claro que não (mentira, óbvio que foi). E perguntei se levava a namorada porque também gostava de por a conversa em dia com ela.

Sabes, a nossa relação já não anda bem, enfim, desculpa, pensei que estar contigo pudesse ser um plano divertido para aliviar toda a pressão em cima de mim.

Que pressão? A pressão do andar desesperado para ter alguém na prateleira caso o barco afunde?

Fiz um printscreen e mandei para o meu ex-namorado. Ele não queria acreditar. Foda-se, os homens são mesmo cabrões, já há poucos como eu. É verdade, há poucos como ele, porque ele é dos bons.

Despachei a conversa com este, disse que depois combinávamos e adeus, adeus. Mas, dois dias depois, recebo uma mensagem da namorada. Olá Helena, que coincidência vocês terem-se encontrado e terem trabalhos em comum. É verdade, uma grande coincidência. O que é que falaram? Não falámos nada de especial. Vê lá se ele se porta bem. Pois eheheh.

Surreal, certo? Na verdade, apeteceu-me responder: se me dizes para ver se ele se porta bem é porque sabes que não o faz, sai dessa relação de merda enquanto tens tempo, ASAP. Mas mandei uma enxurrada de smiles e despachei o assunto. Porque já aprendi que quem se mete nas relações alheias é quem acaba mal.

No dia seguinte, tinha uma mensagem dele pelo Instagram a dizer que tinha sido obrigado a apagar a nossa conversa no Facebook por causa da namorada e para eu não comentar nada com ela.

Os homens vivem com a lógica do pneu, na cabeça de cima e de baixo

Bloqueei-o. Assim, sem mais nem menos. Só porque odeio traidores mentirosos.

A relação até pode já não andar bem. Mas ao invés de andar a falar com outras a tentar ver se tem com que entreter a pila caso decida acabar tudo, devia conversar com a namorada e tentar resolver, ou não, as coisas.

E esta é uma das coisas que mais odeio nos homens e que, ao longo da minha vida, raras vezes me enganei: podem andar uma eternidade a arrastar relações de merda simplesmente porque têm medo de ficar sozinhos. É por isso que, infelizmente, tenho a certeza que quando um homem acaba tudo, é porque já tem alguém de reserva.

Os homens vivem com a lógica do pneu: gostam de ter um de reserva não vá um furo estragar-lhes os andamentos.

Nota: à data em que publico isto, eles já não estão juntos. Isto para não questionarem porque razão eu iria escrever uma coisa que a namorada poderia ler. No fim de contas, a minha teoria esteve sempre certa: era um traidor mentiroso.

#OAmoréOutraCoisa