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  • Helena Magalhães

Antes de quererem namorar alguém, namorem-se a vocês mesmas




Nunca tive um interesse especial pelo dia dos namorados, exactamente pela pressão que se coloca nesse dia. Mas quando era mais nova, e com os primeiros namorados, vivi-o de uma forma bastante intensa e com grandes expectativas. Isto até um namorado me ter dado um swatch vermelho com corações e parolices enquanto jantávamos hambúrgueres no Oeiras Parque e, depois, ter ido para o Garage até às sete da manhã (sem mim, claro). Mais tarde, outro namorado deu-me um boneco Garfield com um coração gigante – após ter dito várias vezes que não gostava de peluches. Ele achou que só o estava a dizer porque queria que ele mo desse ao género de psicologia inversa. Dessas duas vezes, o dia dos namorados fez-me entender que aquelas duas pessoas não me conheciam minimamente, o que é bastante irónico dado que falamos de um dia em que se deve sentir o oposto.

E ao longo da vida – estas histórias já são bem antigas – o dia dos namorados fez-me sempre sentir essa pressão, tendo ou não alguém. Porque ao fim e ao cabo conhecermos a pessoa que temos ao lado deveria ser um trabalho diário e não apenas dos dias em que somos obrigados a pensar num presente para lhe dar. E, na verdade, talvez eles não me conhecessem porque eu também não me dava muito a conhecer.

Antes de querermos namorar alguém, temos de namorar connosco mesmas e isto não é filosofia barata. Relações saudáveis nascem entre duas pessoas que investem em si mesmas porque o amor só se desenvolve depois de fazermos a nossa própria felicidade uma prioridade. E o que acontece é que, muitas vezes, temos tanto medo de aceitar as nossas falhas que acabamos por entrar em relações pelas razões erradas – ou para não estarmos sozinhos, ou porque é mais confortável, ou para ceder à pressão da família… as razões são infinitas. E só levam até um caminho – infelicidade e insatisfação.

A minha questão para hoje é: o que é que vos apaixona? 

O que é que vos faz a vocês felizes? Porque é exactamente isso que têm de trabalhar com ou sem alguém.

Eu gosto de lingerie, gosto de me sentir bem comigo mesma e não a uso quando ou se há o prognóstico de companhia, se é que me entendem. A lingerie não é para os homens mas sim para nós. E está tudo relacionado com a forma como nos valorizamos e a mensagem que queremos enviar a nós próprias. Sentir-me bonita também envolve a forma como visto a minha pele. E essa é uma coisa em que gosto de apostar. Faz-me sentir bem.

Gosto de ler, gosto de escrever, gosto de ir ao cinema todas as semanas, gosto de ouvir música foleira e lamechas aos altos berros em casa, gosto de cantar por cima, gosto de comer chocolates e de beber chá. São basicamente algumas das coisas que mais gosto de fazer no dia-a-dia. E precisamos de conhecer as coisas que gostamos em nós antes de deixarmos outra pessoa fazê-lo.  Porque são os pequenos pormenores que nos tornam nós próprios. Se eu soubesse disso mais cedo, talvez não tivesse levado com um swatch horroroso com corações nem com um peluche que foi diretamente para a arrecadação.

E não precisamos de outra pessoa para sermos nós próprios. Se querem ir ao cinema, vão. Se querem chocolates, comprem-nos. Se gostam de uma lingerie, usem-na sem ser preciso nenhuma ocasião especial (esta azul que tenho é do lookbook novo do Jumbo Moda). Namorem convosco antes de namorarem com alguém. O mundo não vai acabar amanhã por hoje não haver ninguém a oferecer-vos um boneco estúpido ou a levar-vos a jantar a um dos milhentos restaurantes decorados com corações.

Os meus planos para hoje são simples: comprei uns chocolates que gosto muuuuito – da House of Fudge – e um livro novo (não é o segundo volume da Elena Ferrante porque fui ontem à noite ao Jumbo e estava esgotado, mas trouxe Os Ambiciosos de Michelle Miller, a mesma autora de O Diabo Veste Prada). E pretendo estar agarrada aos dois – sem ordem específica ou, o mais certo, ao mesmo tempo.

Para quem, como eu, é fã de chocolates, a House of Fudge produz tudo de forma artesanal e usa chocolate venezuelano biológico onde é acrescentado pastas de fruta para criar o creme fudge que lhe dá o sabor. Estas caixas (de quatro cubos) custam 5,95€. Eu comprei no Mercado Alfacinha, no Beato, mas também vendem na loja online.

Este é o tipo de coisas que podem oferecer a vocês mesmas: um bom chocolate, uma lingerie nova, um livro. Porque namorar connosco é o caminho para namorar alguém profundamente.





Chocolates House of Fudge aqui;

Soutien Jumbo Moda, aqui.

Fotografias tiradas por Faz de Conta Fotografia.


#OAmoréOutraCoisa

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