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  • Helena Magalhães

Arte Portuguesa #3 Claus Porto (e a história inspiradora da Rita)



A história que quero contar hoje é-me bastante especial e a vida dá tantas voltas que, no fim do dia, só nos resta rir. Uma das coisas que mais gosto nisto de escrever, é sentir que, de alguma forma, tenho realmente um impacto em pessoas que não conheço. E não há preço que pague essa sensação. É por isso que gosto imenso quando me contactam e tento responder a tudo com a maior brevidade possível.

Há uns meses a, vamos chamá-la de Rita, contactou-me. Lembro-me que já estava na cama, a passar os olhos nos emails, quando decidi abrir o dela porque a primeira frase me chamou a atenção. E mal acabei de ler, tive de me levantar, voltar a sentar-me ao computador e responder-lhe imediatamente. A história dela fica entre nós as duas, mas veio do seguimento de um post que eu escrevi sobre ter-me despedido para ser freelancer (aqui). A Rita estava sem trabalhar há uns tempos, devido a um problema de saúde, e tinha entrado numa daquelas fases da vida em que não sabemos o que é que queremos fazer mas sabemos que não queremos voltar para onde estávamos. E ela tinha tido o impulso de simplesmente me contactar para partilhar o que estava a sentir com uma pessoa estranha – eu.


Há coisas que nos acontecem apenas com o propósito de nos empurrar para onde temos de ir

Na altura, a minha resposta foi que há males que vêm por bem. Por vezes a vida leva-nos para caminhos que podem parecer errados (neste caso, o problema de saúde que ela teve) porque servem exactamente como pontapé de saída para mudarmos de vida. São o impulso que precisamos para irmos para onde temos de ir. A Rita sempre trabalhou com arte e, desde que estava em casa, tinha voltado novamente a criar arte, a fazer trabalhos manuais e a por literalmente a mão na massa. Era como uma terapia, para ela. E as coisas que ela cria são fantásticas.  Eu disse-lhe: esse é o teu dom. É para isso que nasceste e, se calhar, tinhas que ficar doente para perceber isso. Num impulso, ela disse-me que tinha um sonho de trabalhar com a Joana Astolfi e questionou-me se era muito estúpido contactá-la. Óbvio que eu – defensora do acto de se plantar sementes – lhe disse logo que estúpido era guardar esse sonho para dentro com medo. O máximo que podia acontecer era ser ignorada ou receber um não temos interesse no seu trabalho.

Não aconteceu nada disso. A Joana Astolfi convidou-a a visitar o seu atelier, gostou dela e, sem compromisso, perguntou-lhe se tinha interesse em ajudar nas novas montras da Hermès. E isto são plantar sementes. Com uma contribuição financeira simbólica mas, o mais importante para a Rita, que estava em casa há meses, uma contribuição para a alma. Da Hermès, passou para a montra da primeira Claus Porto em Lisboa e, neste momento, a Rita continua com a equipa da Joana Astolfi e já nem sequer tem ideias de voltar para o trabalho onde estava antes.

Por mais voltas que a vida dê, leva-nos sempre para onde temos de ir. E é nisso que temos de acreditar. Óbvio que estava desejosa de passar na Claus. Primeiro porque sou apaixonada por produtos de beleza vintage e históricos (os sabonetes Claus têm 130 anos) mas, acima de tudo, por tradição portuguesa. E, neste caso, senti que contribuí para esta mudança de vida da Rita, por esta força emocional que lhe dei naquele momento. Eu, uma estranha que ela não conhecia de lado nenhum. A Claus vai ser, de certeza, especial para ela e, agora, também especial para mim.

A loja da Claus Porto em Lisboa está no 135 da Rua da Misericórdia e é como mergulhar no século passado. As coleções antigas foram reinventadas mas mantiveram toda a linha histórica, os armários são os originais (de quando a loja era uma farmácia), há muitas peças antigas retiradas do espólio da Claus Porto (fechadas em armários para não se degradarem, claro) e difícil é escolher porque uma pessoa entra e já quer levar todos para casa.










#Arteportuguesa #Lisboa