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  • Helena Magalhães

Porque é que as mulheres são tão más umas para as outras?


Eu estou sempre a bater na tecla de que não nos devemos atacar umas às outras em qualquer que seja o contexto: pessoal, profissional, social, o que quiserem. Porque estamos a perpetuar a eterna guerra entre mulheres. Não estou com esta lenga-lenga a dizer que também não dou por mim, numa altura ou noutra, a criticar alguém. Claro que sim. Sou humana, digo mal, critico, brinco, rio-me. Mas não de uma forma que possa fazer qualquer outra pessoa sentir-se mal.

Competitividade VS maldade

A psicologia vai dizer que as mulheres são competitivas, é verdade. Mas há uma grande diferença entre competitividade e bullying feminino. Os homens também são competitivos e dificilmente vão ser brutalmente maldosos uns com os outros da forma (in)consciente e deliberada com que as mulheres o são.

E a minha única questão é: porquê?


Quando desenvolvemos o Vive a Tua Beleza, eu queria que o projecto fosse fotografado por um amigo cujo trabalho a fotografar mulheres eu gostava. Mas aceitei que fosse feito por uma fotógrafa amiga de uma das embaixadoras. Não foi minha escolha, não lhe pedi para o fazer, não senti que tivesse sido qualquer favor. A senhora queria ir à TV e não teve essa oportunidade. E depois bloqueou-me em todas as suas redes sociais. Porquê? O que de tão grave lhe poderei eu ter feito se apenas estive com ela 1 ou 2 vezes na vida e respeitei todo o seu trabalho?

Há quem diga que faz parte do ADN das mulheres competirem umas com as outras. O Huffington Post diz que nos transformamos em demónios pelos homens, pelo trabalho, por atenção, por reconhecimento e auto-estima. Por coisas que podemos realmente ganhar e coisas que nunca vamos ganhar. Diz que vamos lançar punhais silenciosos sobre questões tão mesquinhas como roupa e faux pas sociais. Eu vou mais longe: por likes no Instagram, por blogues, por A ter recebido aquele saco de maquilhagem e B não, porque X disse que Y é uma cabra e Z acreditou.

Bullying no universo dos blogues

Já sofri bullying de todo o tipo. Na faculdade, tive colegas a encetarem campanhas de ódio contra mim apenas porque eu não ia muito às aulas, tirava 18’s e isso era impossível vindo de uma miúda (eu) que se vestia com tops cor-de-rosa. No trabalho, tive colegas a tentarem fazer de tudo para eu ser despedida, apenas porque o meu trabalho podia ser melhor que o delas. Já ouvi histórias mirabolantes a meu respeito. Já fui puta, já fui arrogante, convencida, snob, com a mania que sou melhor que os outros. Eu já fui de tudo vindo de todos os que não me conhecem. Sempre que estou com amigas, ouço histórias horrorosas de mulheres contra mulheres, desde o contexto profissional até quando envolve homens. Em que momento é que nos tornámos tão más?

Entrar no universo dos blogues só me deixou mais alerta e sensível para esta questão. Porque é que as bloggers abrem guerra umas às outras? Porque é seguem, deixam de seguir, voltam a seguir e a deixar de se seguir no Instagram mas estão lá sempre a ver o que a outra está a fazer? Porque é que no jogo de “o meu blog é melhor que o teu” envolvem marcas e agências em guerras pessoais que vão muito para lá de trabalho? Há uns tempos, vi comentários por todo o lado contra uma rapariga do Snapchat. Eu também me ri, fui ver os snapchats, achei hilariante mas não pensei mais no assunto e segui com a minha vida. Mas, de repente, no Facebook, havia toda uma campanha contra ela. E até podiam ter razão. Mas é bullying. Eu também vejo A, B e C com likes e seguidores comprados mas e então? Não podemos fazer nada. Apenas continuar a fazer o que gostamos e acreditar que, um dia, este mercado vai ser mais transparente. 

E isto só me faz concluir uma coisa: as mulheres sentem-se tremendamente ameaçadas pelo sucesso das outras.

Medo do sucesso das outras?

Sempre que vejo alguém a atingir um patamar que eu também gostava, não fico invejosa. Posso até ficar um pouco. Posso reclamar, queixar-me, bufar… Mas, cá dentro, fico é feliz porque é sinal que, se ela conseguiu, um dia também vou conseguir. É sinal que também há espaço para mim. O que eu faço é usar esse sentimento de inveja de uma forma saudável para melhorar as minhas capacidades, para estar continuamente a progredir, para conseguir lá chegar… onde quer que seja.

Não consigo imaginar a Beyoncé a perseguir que nem louca o Instagram da Rihanna para ver o que ela ganhou. Ou a Natalie Portman a dizer mal da Blake Lively porque ela foi a Cannes. Ou, vá, entrando aqui no nosso pequeno universo, a Cláudia Vieira a criticar a Luísa Barbosa porque ela está na capa da Activa este mês. Quanto mais conscientes e tranquilos estivermos com o nosso valor, menos tempo vamos perder a ruminar contra terceiros.

É preciso separar as águas: por não gostarmos, ou não nos identificarmos, com o blogue/o trabalho/o estilo de vida de alguém, não podemos levar nada para o lado pessoal. São apenas gostos diferentes que não interferem no nosso caminho.

Se perdêssemos tanto tempo a melhorar as nossas competências como aquele que perdemos a criticar e a dizer mal das outras mulheres, o mundo era um lugar melhor. Ou, pelo menos, com pessoas mais capacitadas.

#LOVEampLIFE

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