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  • Helena Magalhães

Sermos uns para os outros num mundo cão


O mundo não é um lugar bom para partilhar as nossas conquistas e felicidades. E isso não significa que as pessoas são más. Eu continuo a acreditar que o nosso problema – nós, seres humanos – é não conseguirmos vibrar com o sucesso de alguém porque isso nos confronta com o nosso fracasso. Qualquer que ele seja. Tornámo-nos pessoas egoístas e invejosas porque passamos mais tempo a comparar-nos com os outros do que a tentar perseguir as coisas que realmente queremos.

Quando o Diz-lhe que Não saiu, falei directamente com alguns colegas jornalistas e propus entrevistas e temas, enviei o livro, emails, mensagem no Facebook e, enfim, o que se costuma fazer. A editora fez os seus contactos e eu fiz os meus. Uns correram bem, outros mal. Mas o que me tocou – por assim dizer – foi a indiferença de pessoas com quem eu falei, pessoas que sigo os seus trabalhos, que conheço, que são colegas de colegas meus, com quem me cruzo regularmente e que, na prática, conheço há vários anos. E eu sempre fui uma pessoa na minha vida profissional bastante ética. Tento sempre responder a todos os contactos e propostas, principalmente quando me chegam de colegas e pessoas que conheço porque acho que é o mínimo que se pode fazer. Estamos aqui todos no mesmo barquinho a passar por cima das mesmas ondas e a rezar para não morrermos na praia. E eu sei que, no final do dia, somos todos adversários a competir neste campeonato que é a imprensa em Portugal mas sempre vivi com o mote de que temos de ser uns para os outros porque é assim que se plantam sementes.

Houve pessoas que me disseram que sim – podíamos a fazer uma entrevista – e que depois me deixaram de responder e os meus emails foram ficando ali a marinar no limbo entre o ser chata se continuo a insistir e a vergonha porque vou voltar a ver estas pessoas pessoalmente. Outras abriram as mensagens no Facebook e não responderam. Outras receberam os livros e deixaram-me eternamente à espera. Cheguei a ir almoçar com um tipo para planear uma entrevista e, depois de um almoço em género de monólogo em que me contou a sua vida toda, o divórcio, a ex-mulher e os seus novos engates, a entrevista nunca se proporcionou e deixou de me responder no whatsapp.

E isto é uma merda. Porque isto é a mente do português. É a mente do ‘deixa cá ver se posso ganhar alguma coisa com isto e se não, não me interessa’. É a mente do ‘mas esta gaja agora escreve livros?’. É a mente do ‘não vou ajudá-la a ter sucesso porque a mim ninguém me ajuda’. E esta é a mentalidade de quem não sai da cepa torta. Mas também é a mentalidade de muita gente.

Torcer pelo sucesso dos outros

Deixem-me dizer-vos uma coisa: não faz mal terem inveja ou ciúmes do sucesso de alguém. Desde que seja de uma forma saudável. Essa inveja pode ser o gatilho que vos impulsiona a chegar mais longe. Que vos faz dar aquele passo extra que é preciso. E ajudar alguém a atingir um objectivo não vos atrasa a vocês.

Ao meu lado tenho imensa gente a atingir conquistas: tenho amigas a ter sucesso nos seus empregos, outras a ter filhos (meu Deus, toda a gente está a engravidar!!), outras a lançar marcas, outras a ganhar imenso dinheiro e a trilhar os seus caminhos. E mesmo que esses sucessos a mim não me digam nada, eu fico feliz por elas e vibro tanto com isso como se fosse comigo. Eventualmente, escrever livros a elas também lhes é indiferente. Mas esse é o meu caminho.

Se tenho inveja ou ciúmes? Claro que sim. Tenho inveja de imensa gente. Mas essa inveja faz-me ter ainda mais motivação para continuar a seguir aquilo que quero fazer na vida – escrever livros. E nada me dá mais prazer do que ver outras pessoas também a conquistar os seus sucessos literários.

Os sucessos da Catarina e da Patrícia


A Catarina Sousa é um bom exemplo disso. Passámos o último ano a falar imenso sobre escrita, sobre literatura, sobre editoras e sobre todo este universo. Quando ela me disse que estava a escrever um livro, torci imenso por ela mesmo sem fazer a mínima ideia sobre o que seria. Quando me pediu para a ajudar com editoras, fiquei mais do que feliz por dar a minha opinião e experiência. Porque se não podemos partilhar aquilo que temos com os outros, de que nos serve guardar só para nós? O livro dela já saiu, chama-se “Licenciei-me… E agora?” e é um guia actual e cheio de dicas para os jovens. Diverti-me imenso na apresentação do livro e fiquei emocionada com a quantidade de gente que lá foi apoiá-la, com as histórias que se partilharam e simplesmente por ver mais uma pessoa a enriquecer esta arte e a fomentar a leitura.

Já a Patrícia Ferreira foi uma surpresa muito engraçada. Contactou-me pelo Instagram, falou-me das suas experiências, dos seus gostos literários e fomos trocando impressões. Até que eu percebi que a Patrícia, que agora tem 23 anos, tinha escrito um livro quando ainda estava na escola. E só isso já é absolutamente inspirador. A “Ameaça de um Anjo” é um romance Young Adult de quase 600 páginas. 600 páginas!! E ela é um dos casos que já tinha falado neste post: foi publicada pela Chiado Editora que editou o seu livro mas ela ficou com a responsabilidade de os vender e neste momento tem em sua posse centenas de exemplares. Mas quando temos 16 anos e escrevemos o nosso primeiro romance, aceitamos tudo.

Estes são dois exemplos de sucesso que estou a torcer, não obstante serem minhas, vá, concorrentes. O livro da Catarina está nas lojas normais e online como na Fnac e, para quem gosta de literatura fantástica, o livro da Patrícia não está nas lojas físicas mas podem comprar online na Bertrand ou directamente a ela para a ajudarem a escoar o stock que tem em sua casa. Vejam os seus contactos aqui.

Custou alguma coisa? Claro que não. Sermos uns para os outros neste mundo cão é o que faz a diferença na (nossa) vida.

#LOVEampLIFE

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